A Polícia Civil indiciou por duplo homicídio doloso na modalidade de dolo eventual o motorista de 47 anos envolvido no acidente ocorrido no dia 10 de junho na BR-267 que resultou na morte do monsenhor Antônio Viana, 80 anos, e da colaboradora de paróquia Ilda Araújo, 75. Segundo o titular da 3ª Delegacia e responsável pela investigação, Rodolfo Rolli, o condutor do Fiat Strada assumiu o risco de produzir o resultado morte ao beber e dirigir. A suspeita de embriaguez ao volante foi constatada por meio do teste do etilômetro realizado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). O carro que ele conduzia invadiu a contramão, chocando-se de frente contra o Celta no qual estavam os idosos, na altura do km 127 da rodovia, em Penido, na Zona Norte. O inquérito foi concluído na segunda-feira e será encaminhado à Justiça nesta terça (4).
Ainda conforme Rolli, o motorista deverá responder ao processo em liberdade, já que ele não solicitou a prisão preventiva do mesmo. “Não existe motivo para preventiva. Ele compareceu quando foi intimado, tem residência e emprego fixo, não ameaçou testemunha e nem coagiu ninguém. Também não está provocando risco para a instrução criminal”, explicou o delegado. Segundo ele, o motorista é de Juiz de fora, e o proprietário do veículo que ele dirigia é de Barbacena, mas tem estabelecimento comercial na cidade.
Antes de concluir o inquérito, Rolli ouviu o policial rodoviário responsável pela ocorrência na noite do acidente a fim de também esclarecer o motivo de o motorista não ter sido conduzido à delegacia no dia do acidente. “Fiz a última oitiva. Naquele dia, só estavam três policiais de plantão. Um deles ficou no posto, e os outros dois atenderam a ocorrência. O condutor não conseguiu soprar o bafômetro na maneira automática, e o policial o colocou na forma manual. O resultado deu que estava com 1,34 mg de álcool.” A lei estabelece um mínimo de 0,34 mg de álcool por litro de ar expelido para que seja configurado o crime de trânsito. O delegado acrescentou que, mesmo diante da constatação, o motorista não foi levado à delegacia porque permaneceu internado. “Ele já estava imobilizado e foi levado para a UPA Norte. O médico relatou que não tinha previsão de alta.”
No dia 19 de junho a Polícia Civil divulgou a conclusão da perícia de que o Fiat Strada havia invadido a contramão da rodovia, ocasionando a batida frontal. Em depoimento, no entanto, o condutor afirmou não se lembrar do que havia acontecido. “Ele não se recorda, disse que apagou no volante, o que condiz com o laudo pericial: o Fiat não fez a curva e colidiu frontalmente com o veículo das vítimas”, pontuou Rolli. O monsenhor dirigia o carro, e Ilda estava no carona, voltando de uma celebração em direção a Juiz de Fora. Eles chegaram a ser socorridos pelo Samu em estado grave, mas não resistiram e morreram a caminho do hospital.
Ordenado presbítero em 1969, o monsenhor Viana nasceu em Carvalhos, no Sul de Minas, e foi pároco da Catedral de 2002 a 2014. Ele passou por diversas paróquias, foi Vigário Geral da Arquidiocese e até a data do acidente fatal trabalhava na Paróquia Nossa Senhora das Estradas, em Igrejinha, onde Ilda era colaboradora.
