Sob um forte sol que tomou o céu deste sábado (4), cerca de 40 mil fiéis de diversas cidades do Brasil se encontraram na pequena Baependi, na região Sul do estado, para assistir à cerimônia de beatificação de Francisca de Paula de Jesus, a Nhá Chica. Primeira negra, analfabeta, filha de escrava e leiga a receber o título de beata pela Igreja Católica no Brasil, a mulher, que nasceu em 1810, em São João Del Rei, e morreu em 1895, em Baependi, inicia, agora, o longo e meticuloso processo de canonização, que deverá torná-la santa. Esta foi a beatificação do pontificado do Papa Francisco I. Além do governador do estado, Antônio Anastasia, o secretário geral da Presidência da República Gilberto Carvalho também acompanhou a cerimônia, representando a presidente Dilma Rousseff.
Desde a última sexta-feira (3), a Igreja prepara os fiéis para a beatificação, com uma vigília de orações, depois de uma procissão pelas ruas centrais. O bispo dom Diamantino Prata de Carvalho, da Diocese de Campanha, à qual pertencem as cidades de Baependi e de Três Pontas, guiou o Santíssimo Sacramento (a hóstia consagrada), desde o Santuário de Nhá Chica até a matriz. Na missa campal, o cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação da Causa dos Santos e representante do Papa Francisco, leu a carta apostólica que declara venerável a serva de Deus Francisca de Paula de Jesus e determinou o dia 14 de junho como a data da festa de Nhá Chica.
Conhecida na cidade onde viveu como mãe dos pobres, Nhá Chica teve, em 1998, o milagre declarado pela professora Ana Lúcia Leite, que diz ter se curado de um grave problema no coração sem cirurgias e apenas com orações, reconhecido pelo Vaticano. Em janeiro de 2011, o Papa Bento XVI designou o título de Venerável a ela e, em outubro do mesmo ano, a comissão médica da Congregação das Causas dos Santos do Vaticano aprovou o milagre, concordando que a cura não tem explicação científica. A comissão de cardeais do Vaticano atestou o milagre em junho de 2012. No mesmo mês, o Bento XVI assinou o decreto de beatificação.
Próximo beato
Negro e descendente de escravos como Nhá Chica, padre Francisco de Paula Victor deverá ser o próximo beato brasileiro. Mineiro de Três Pontas, padre Victor nasceu em 1827 e morreu em 1905. Iniciado também em 1992, seu processo de beatificação já teve duas virtudes heróicas reconhecidas pelo Vaticano, o que lhe conferiu o título de venerável. Resta, então, a aprovação de um milagre.
Políticos e comerciantes da região esperam um crescimento do turismo nas cidades do Circuito das Águas, que inclui também São Lourenço, Campanha, Cambuquira e Lambari, inserindo a pacata Baependi no roteiro religioso de Aparecida e Guaratinguetá, cidades respectivamente do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida e de Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, que ficam a 140km de distância.
