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Perspectivas 2026: Juiz de Fora terá Guarda Municipal armada a partir deste ano

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Juiz de Fora, sexta colocada no ranking “Cidades mais seguras do Brasil” entre municípios de mesmo porte, terá mais armas nas ruas a partir de 2026. A nova política de segurança pública do governo Margarida Salomão (PT) prevê que a Guarda Municipal passe a atuar armada, como resposta à chamada “sensação de insegurança da população”. A medida é anunciada num momento em que os dados oficiais revelam queda nos índices de crimes violentos na cidade.

O anuário que colocou Juiz de Fora na sexta colocação do ranking de cidades mais seguras do país foi elaborado a partir de informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Saúde. O levantamento considerou municípios com população superior a 500 mil e inferior a 1 milhão de habitantes. Outro levantamento, feito pelo Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais, revela que entre janeiro e outubro de 2025, foram registrados 330 crimes violentos, queda de 14% em comparação às 384 ocorrências contabilizadas no mesmo período de 2024.

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A Guarda Municipal armada é uma realidade confirmada para Juiz de Fora em 2026. Em entrevista exclusiva à Tribuna, o secretário de Segurança Urbana e Cidadania, Fernando Tadeu David, explica a decisão e as estratégias da pasta para aumentar a segurança no próximo ano.

Como será a atuação da Guarda Municipal armada em Juiz de Fora

Guarda Municipal de Juiz de Fora terá ampliação das atribuições e treinamento dos agentes para uso de armas (Foto: Leonardo Costa)

O efetivo da Guarda Municipal, hoje formado por 106 agentes – 85 homens e 21 mulheres -, deve ser ampliado em 2026 com a abertura de um novo concurso público, como adianta o secretário.

Até o momento, a Administração não divulgou o número de vagas, nem a data prevista para a publicação do edital.

Antes da chegada de novos servidores, a corporação inicia, já no começo do próximo ano, o treinamento prático voltado ao porte de armas de fogo, além de outras capacitações exigidas no processo. A preparação inclui aulas teóricas sobre o uso do armamento e a realização do exame psicotécnico, etapa obrigatória para que os guardas estejam aptos a portar arma – que será de uso restrito, como o calibre .9mm, conforme o secretário.

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Caso algum profissional não seja aprovado na avaliação psicológica, haverá a possibilidade de refazer o teste em um momento posterior, como explica David. Enquanto isso, o agente poderá ser realocado para funções que não o exponham a situações de risco. A proposta, inclusive, é que o exame seja reaplicado anualmente a todos os integrantes da guarda, mesmo àqueles já habilitados, como forma de renovação da autorização.

Com a incorporação do armamento, as atribuições da Guarda Municipal tendem a ser ampliadas, o que, na avaliação do secretário, ajudaria a suprir demandas reprimidas pela insuficiência do efetivo estadual. “O simples porte de arma e a presença fardada já representam o exercício da força estatal. Por isso, a orientação é sempre priorizar a mediação e recorrer a níveis mais elevados de força apenas quando estritamente necessário.”

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Embora cunhado apenas no uso legitimo da força, a pasta informou que também está pronta para apurar possíveis irregularidades, desvios ou uso indevido das armas de fogo. Órgãos como Ministério Público, corregedoria e ouvidoria desempenham esse papel fiscalizador, conforme previsto na legislação. Para o secretário, essa combinação dá maior robustez e transparência ao processo.

Ele reconhece o risco de abusos quanto ao uso de arma. “O uso indevido vai acontecer, assim como ocorre em outras forças policiais”, pontua. “Ninguém experimenta o que um guarda ou um policial vive no calor de uma ação”, acrescenta, ponderando que o servidor deve buscar equilíbrio e será responsabilizado quando agir fora das diretrizes.

Questionado sobre os custos previstos para a aquisição das armas, a capacitação dos agentes e o impacto dessas despesas no orçamento municipal, o secretário afirma que as definições ainda estão em estágio inicial. Segundo ele, as questões de natureza orçamentária e financeira dependem de deliberações que não foram concluídas. “Afirmar agora que vamos gastar ‘X milhões’ seria leviano”, diz. Ele explica que o valor final está condicionado a decisões em formulação e negociações com fornecedores, além da análise de órgãos de controle.

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Município quer dar ‘respostas’ à população 

Em entrevista à Tribuna, secretário Fernando Tadeu David diz que a presença armada amplia a capacidade de resposta do poder público (Foto: Leonardo Costa)

 “Eu estou secretário de Segurança, mas eu, a minha vida inteira, militei em ação e respeito aos direitos humanos, sempre fui contra o porte de arma. Mas você pode perguntar assim: ‘Hoje você está armando a Guarda?’”

Segundo ele, apesar de continuar sendo contrário às armas, o posicionamento é dado enquanto está em uma sala com ar-condicionado e conforto, “o que é fácil”.

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No entanto, continua ele, “do outro lado, a Guarda Municipal se arrisca na rua, compondo a linha de frente de diversas situações de periculosidade e, por vezes, estando vulnerável à elas. A força de segurança tem que estar armada porque você não combate o crime apenas com conversa”, completa destacando que a medida é preventiva.

“Ter a arma significa uma maior proteção para os servidores e sensação de segurança para a população.” Segundo ele, ao se deparar com um guarda municipal devidamente capacitado e armado, o cidadão passa a perceber uma resposta mais imediata do poder público. “A resposta adequada que esse profissional precisa oferecer é a da segurança.”

Aumento de atribuições das guardas municipais

Atualmente, cabe ao governo federal a responsabilidade primária pela defesa das áreas de fronteira. As polícias Militar e Civil são atribuições dos governos estaduais, enquanto aos municípios compete a atuação das guardas municipais, encarregadas da proteção de bens, serviços e do enfrentamento a condutas lesivas. Em fevereiro de 2025, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) ampliou esse escopo, autorizando as guardas municipais a exercerem, também, funções de policiamento ostensivo e comunitário.

O avanço do policiamento urbano como atribuição também das guardas municipais evidencia uma ampliação da autonomia dos municípios na gestão da segurança pública, ainda que essa atuação permaneça condicionada aos limites legais e às competências dos demais órgãos de segurança. Esse movimento ocorre em outras esferas. Um exemplo é a PEC da Segurança Pública (18/25), ainda em tramitação, que dentre outros pontos, aumenta a atuação do governo federal em ações referentes à segurança e à integração entre as forças, bandeira defendida por Margarida Salomão e pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT).

Para David, armar a Guarda Municipal é uma resposta do Executivo municipal à demanda da população por mais segurança. O chefe da pasta não exclui que a decisão é consequência, também, de escolhas políticas. A gente precisa dar uma resposta a essa sociedade, a esse contribuinte que tem a necessidade de ser atendido. Então, a gente quer ampliar, na verdade, a nossa atuação e dar uma resposta mais adequada.”

Parceria público-privada para a segurança do comércio

Em resposta às demandas da população, especialmente dos comerciantes que enfrentaram arrombamentos, furtos e assaltos ao longo de 2025, David informa que, para este ano, será implementado um projeto municipal em parceria com a iniciativa privada. A proposta prevê a instalação de câmeras de videomonitoramento, alerta e sensores em áreas de grande circulação, como regiões comerciais e galerias, para reforçar a segurança da cidade. 

“Ainda estamos estudando e conversando com comerciantes de vários bairros. É necessário entender a dinâmica de cada local. No Centro Histórico, por exemplo, que foi o primeiro território analisado, há pontos de maior aglomeração, uma esquina, um café, uma farmácia, onde o fluxo de pessoas exige reforço tecnológico”, analisa.

A parceria com o setor privado não se limitaria ao reforço da vigilância permanente nos centros comerciais. Ela incluiria, também, a aquisição dos equipamentos, que seriam alugados – alternativa pensada para lidar com a rápida evolução das tecnologias de monitoramento e o desenvolvimento da Inteligência Artificial.

Iniciativa em parceria com os comerciantes prevê a instalação de câmeras de vigilância para reforçar a segurança em áreas de grande circulação (Foto: Leonardo Costa)

O projeto, que vem sendo trabalhado desde junho, prevê, ainda, que os comerciantes se organizem para custear o aluguel das câmeras e, posteriormente, firmem um convênio com a Prefeitura, por meio da Secretaria de Segurança Urbana e Cidadania, para integrar as imagens ao Sistema Integrado de Videomonitoramento (SIV).

A transmissão seria acompanhada em tempo real pelo Centro de Monitoramento e Operações (CMO) da Guarda Municipal, localizado no Bairro São Mateus, na Zona Sul. Segundo a pasta, já há associações interessadas em diálogo com empresas de tecnologia. 

“Se uma pessoa instala uma câmera particular, normalmente, só consulta as imagens depois de um furto. No nosso caso, a possibilidade é identificar antes que o crime aconteça”, diz o secretário, explicando que o modelo atende à demanda dos comerciantes que “frequentemente relatam pequenos furtos no Centro, desde o roubo de cabos até subtrações dentro dos estabelecimentos”.

Educação é aposta para a prevenção

“A criança leva para a escola a violência que vivencia em casa. É uma realidade que queremos enfrentar com políticas de longo prazo.” Para o secretário, a pasta aposta em duas medidas que nascem em sala de aula e são pensadas para reverberar no cotidiano das comunidades.

Uma delas é a iniciativa “Guardas no apoio e prevenção nas escolas” (Gape), que leva palestras pontuais às unidades de ensino. Segundo ele, essa aproximação tem fortalecido o vínculo entre os agentes públicos e os alunos. “Hoje, essas crianças já reconhecem a Guarda Municipal como uma Guarda Comunitária.”

A outra iniciativa é o projeto “Nossa escola”, considerado o carro-chefe da pasta, que ocorre ao longo de todo o ano nas escolas municipais e trabalha temas transversais – que envolvem raça, aspectos emocionais e relações interpessoais – voltados para segurança e inclusão.

Executado com apoio das equipes pedagógicas, o programa, criado em 2022, ficou em terceiro lugar entre as melhores iniciativas de combate à violência no ambiente escolar no Brasil. Mais recentemente, serviu de modelo para o Ministério da Justiça.

Medidas de segurança para a saúde seguem indefinidas

Apesar do cenário de violência contra profissionais de saúde de Juiz de Fora observado nos últimos anos, as medidas para reforço da segurança nas unidades de serviço e garantia de proteção aos servidores não apresentam definições claras. Reportagem publicada pela Tribuna, em novembro de 2024, mostrou o crescimento de quase 28% da violência em serviços de saúde. Naquele ano, foram registradas 359 ocorrências, contra 281 no mesmo período de 2023, conforme dados do Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais. 

Em 2025, o cenário se manteve preocupante. Em junho, o caso de uma médica, 55 anos, agredida na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bairro Furtado de Menezes, Região Sudeste, virou tema de discussão no Congresso Nacional, conforme divulgado na Coluna Painel, do editor-chefe da Tribuna, Paulo Cesar Magella. À época, a profissional relatou ter iniciado acompanhamento psicológico e psiquiátrico por meios próprios após ter sido vítima de agressão, não tendo recebido apoio da PJF.

No dia 10 de dezembro, uma enfermeira da UBS do Bairro Teixeiras, na Zona Sul,  foi vítima de violência física e verbal por parte de uma paciente. A Guarda Municipal foi chamada para conter a situação, mas, ao chegar à unidade, também foi alvo de agressões.

Segundo David, logo após o episódio a Secretaria de Segurança apresentou uma proposta de videomonitoramento nem Unidades Básicas de Saúde (UBS). A ideia, segundo ele, é incluir a ferramenta na entrada e na sala de espera. O secretário pondera, entretanto, não poder entrar em detalhes sobre a medida. “Isso ainda é muito incipiente no Brasil e há discussões sobre a legalidade, porque envolve proteção de dados. Mas a ideia é ter vídeo de monitoramento integrado ao nosso sistema”, explica. Ele acrescenta no rol de medidas uma maior presença da Guarda Municipal também nas UBS.

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