Ônibus lotados, horários atrasados ou adiantados e falta de coletivos para atender a demanda. Essa é a realidade de estudantes, trabalhadores e moradores do Bairro Estrela Sul. A Tribuna acompanhou de perto a realidade dos usuários do transporte urbano do local, no último dia 30.
Das 18h às 20h30, 13 coletivos passaram pelo bairro, todos lotados, sendo a maioria dos passageiros formada por estudantes que corriam para chegar a tempo na aula. Nos pontos, trabalhadores se amontoando na tentativa de embarcar. Apesar de as linhas São Mateus (524), Cascatinha/Vale do Ipê (526), Cascatinha/Borboleta (528), Mundo Novo/Quintas da Avenida (115) e Mundo Novo/Santa Terezinha (112) passarem pelo Estrela Sul, a oferta é claramente inferior ao número de passageiros.
A estudante de jornalismo Erika Ribeiro, 22 anos, mora no São Mateus e relata dificuldades diárias. “Quando passa adiantado, chego atrasada, porque preciso esperar outro. À noite, saio 20 minutos mais cedo pois, se perder o ônibus, fico sozinha no ponto.” A publicitária Mahina Fava observa que o bairro cresceu. “Se todos os ônibus da linha São Mateus passassem por aqui, melhoraria o atendimento.”
O subsecretário de Mobilidade Urbana da Settra Mauro Branco esclarece que, para fazer alterações nos itinerários, é preciso avaliar a viabilidade. “Qualquer mudança de itinerário tem que ser discutida e aprovada pela Associação dos Moradores do bairro.”
Durante o período em que a reportagem esteve no Estrela Sul, sete pessoas precisaram optar pelo táxi, após perderem o coletivo. Uma estudante, 21, que preferiu não se identificar, conta que o ônibus passou antes do horário e, para não perder a prova, acionou o táxi. O porteiro Renato de Oliveira Carvalho, 27, do Bandeirantes, para chegar às 7h no serviço, sai de casa às 5h30. “Outro dia precisei chegar ao trabalho mais cedo, como o ônibus não passou, peguei qualquer um, desci na Rua Dom Silvério, no Alto dos Passos, e vim caminhando.”
Com a abertura do acesso entre o Santa Cecília e o Estrela Sul, a população passou a contar com a linha 527 (Santa Cecília). “Apesar de ter que andar um pouco, e o caminho ser mais perigoso, é uma opção mais tranquila”, conta o estudante Bruno Nogueira Halfeld, 22. Ele afirma que a situação é pior quando termina a aula. “Às vezes, o professor quer dar uma explicação maior, e a gente acaba perdendo o ônibus. Aí, a opção é descer a pé até o shopping, aumentando os riscos de assaltos.”
Sistema em adaptação
De acordo com o subsecretário da Settra, embora o bairro tenha várias extensões de linhas com horários e itinerários distintos, aumentar a oferta não resolve. “Por ser um bairro novo, o sistema teve que se adaptar. A solução seria uma linha específica, com itinerários e horários definidos.” Segundo Branco não há como incluir mais ônibus no sistema, devido a um impedimento legal. “Existe a necessidade, e entendemos isto. Hoje a forma que podemos atender não é eficiente, mas estamos adequando as linhas. A perspectiva é o processo licitatório no início do ano que vem, e a ideia é colocar uma linha específica.”
A analista de crédito Janaína Oliveira, 28, trabalha no shopping e mora no Santa Cecília. Como não consegue pegar o ônibus, costuma voltar a pé. “Não compensa ficar parada no ponto, esperando os coletivos que sobem lotados. Além disso, falta um ponto de ônibus, próximo ao acesso do Santa Cecília e dependemos da boa vontade dos motoristas para pararem.” O subsecretário de Mobilidade Urbana não descarta a possibilidade de instalação do dispositivo. No entanto, ele orienta que a comunidade formalize o pedido pelo telefone 3690-8218 ou pelo e-mail settraatende@pjf.mg.gov.br. Outra opção é ir à sede da Settra (Rua Maria Perpétua 72 – Ladeira).
