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Mais do que derrubar cracolândias

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Equipe busca conquistar confiança dos atendidos
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Equipe busca conquistar confiança dos atendidos

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Juiz de Fora vive um momento no qual o uso do crack tem acentuado os problemas sociais. A situação ficou mais evidente após a derrubada de duas cracolândias na Rua Benjamin Constant, no Centro, e na Rua Mariana Evangelista, no Poço Rico. Além das operações policiais, outras ações são necessárias na tentativa de controlar os riscos vividos e provocados pelos crackeiros, muitos deles em situação de rua. Um dos projetos para atender esta população é o "Consultório na rua", cujo objetivo é a aproximação e a reinserção desses usuários ao convívio social.

Para verificar como a equipe do projeto atua, a Tribuna acompanhou um dia de visita em um bairro da Zona Nordeste, que não será revelado a pedido do grupo. No local, foi constatada a relação de confiança que alguns usuários de drogas e álcool começam a desenvolver com os profissionais. P., 35 anos, é um deles. Ele vive na rua desde os 13 anos e tem duas filhas adolescentes. Ao falar sobre a família, diz sentir falta das jovens, mas evita procurá-las, temendo causar problemas. "Às vezes, dá vontade de desistir de tudo. Sou diabético, e há anos não trato." Nesse contexto, o projeto leva esses usuários para consultas médicas nas redes públicas. Atualmente a Uaps da Vila Ideal é o centro de referência. A equipe também realiza consultas psicossociais, oficinas de educação em saúde, orientações, encaminhamentos e acompanhamento em demandas sociais, como ajudá-los a conseguir documentos.

Outro homem em situação de rua conversou com o grupo. Com 27 anos de idade, E. conta que o ato da equipe de abordá-los e ouvi-los já é reconfortante. Segundo um dos psicólogos da equipe Patrick Gadber de Macedo, a população não enxerga essas pessoas. "Ninguém se choca mais ao ver um cidadão revirando o lixo." Ele acredita que o trabalho do "Consultório na rua" é uma forma de abrir os olhos da sociedade. "Quando as pessoas veem a gente conversando com esses usuários, elas se surpreendem e passam a enxergá-los." Tatiana também conta que os próprios moradores de rua se espantam com a aproximação deles. "Quando falamos que vamos voltar na próxima semana, eles não acreditam. Como realmente voltamos, eles passam a ter confiança na gente."

 

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Imóveis

A coordenadora do projeto e psicóloga Tatiana Tavares acredita que só a derrubada dos imóveis abandonados nas últimas semanas não soluciona o problema. "Demolir o local onde os usuários consumiam o crack melhora a situação de segurança naquele lugar. No entanto, esses usuários sabem sobre outros pontos nos quais eles podem ir. Apenas derrubar os muros, sem trazer as políticas sociais para a rua, não funciona", afirma a psicóloga.

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Além do crack, o "Consultório na rua" busca reduzir os danos causados pelo álcool e outras drogas junto à população em situação de rua. De acordo com o diretor administrativo da Casa Viva, psicólogo Felipe Barreto Coutinho, nas abordagens, é utilizada a técnica em que o usuário é o dono do saber. "Nós queremos ouvir dele qual o papel da droga em sua vida, o que o levou a estar na rua." Tatiana ressalta que o trabalho é focado em reduzir os danos causados pelos entorpecentes. "Nós trabalhamos com a redução de danos, o que não implica na abstinência. Quando se foca na substância, se perde o usuário." A psicóloga conta ainda que, quando se consegue levar a pessoa de volta para a casa, é um grande avanço, pois é onde ela encontra estímulo para parar com o vício.

 

Conquistas

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As equipes do "Consultório na rua" são compostas por multiprofissionais que atuam de forma itinerante e in loco, desenvolvendo ações compartilhadas e integradas às unidades de atenção primária à saúde (Uaps), Centro de Atenção Psicossocial (Caps), serviços de urgência e emergência e outros pontos de atenção.

Segundo dados do relatório anual do programa, em um ano de trabalho, a equipe conseguiu reconstruir os laços sociais e os vínculos de trabalho em 60% dos casos. Nesse mesmo período, foram assistidas 688 pessoas, totalizando 2.508 abordagens. Em 2013 foram realizados 501 atendimentos, sendo cadastrados 94 novos usuários. Os homens abrangem a maior parcela do número anual, correspondendo a 83,73% do total. Quanto à idade, a maioria são jovens em momento produtivo, na faixa etária entre 26 e 35 anos. Álcool, tabaco e crack são as substâncias mais consumidas. As doenças de maior incidência são tuberculose e pneumonia.

 

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