A Prefeitura, com apoio da Polícia Militar e da Guarda Municipal, demoliu ontem as ruínas do vestiário no campo do Ferroviário, entre os bairros Poço Rico e Santa Tereza, retirando cerca de 20 moradores do local. Com a chegada dos funcionários da Secretaria de Atividades Urbanas (SAU) e da Assistência Social (SAS), os ocupantes foram deixando o imóvel sem resistência. Dois casais e um idoso assistiram à destruição do prédio, mas apenas um dos casais aceitou ser encaminhado ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) População de Rua. O imóvel, com cerca de cinco cômodos e cem metros quadrados, era dividido por pessoas de fora da cidade e também por juiz-foranos que não tinham onde morar. Denúncias da comunidade dão conta de que o prédio, que pertencia à União e à Rede Ferroviária, estava sendo usado também para uso de drogas e prostituição.
No mês passado, a população do bairro havia realizado um protesto contra a permanência dos moradores de rua nas proximidades e contra a futura instalação de um centro de triagem de recicláveis. Na oportunidade, um dos comerciantes relatou os problemas. Já vimos até mulher pelada revirando lixo, e pessoas fazendo sexo em plena luz do dia.
Ontem foram necessários três caminhões e um trator para realizar a limpeza da área.
Migração
Apesar de a demolição do vestiário ter sido aprovada pela comunidade, que reclamava da insegurança e sujeira na região, uma nova preocupação surge. Moradores e comerciantes da Rua da Bahia, no trecho próximo a uma fábrica de roupas, temem a migração dos moradores para o local, onde hoje já estão instaladas três famílias. Tememos que, com a retirada deles do campo, eles venham para cá, disse uma moradora. Já uma comerciante relata o incômodo para os clientes. Fica complicado porque eles costumam pedir dinheiro, e é desagradável.
A Tribuna conversou com dois ocupantes da área, e eles disseram que deixariam o local se tivessem ajuda. Só aqui na Rua da Bahia, moro há dez anos. Mas se eu recebesse apoio da Prefeitura para ter uma casa, sairia da rua na hora, afirmou um catador de papel, de 40 anos.
Segundo a assessoria da SAU, na próxima semana, será realizada reunião para tentar solucionar o problema de migração desta população. Segundo o órgão, muitos não são de Juiz de Fora, e, os que são, geralmente, não aceitam sair da rua, mesmo assim, a secretaria está mapeando as áreas públicas urbanas habitadas.
A chefe do Departamento de Proteção Especial da SAS, Maria das Dores Barbosa de Morais, disse que a secretaria vem realizando vistorias para evitar a migração desta população para praças e locais públicos. Maria das Dores ainda ressaltou que o cidadão em situação de rua é encaminhado para o Creas, onde preenche uma ficha para se inscrever no aluguel social. Hoje temos 240 pessoas recebendo o benefício, que é de R$ 180, mas que, em breve, irá para R$ 200. Assim que houver vaga, ele é incluído, e passa a receber o benefício. Muitos conseguem ser direcionados para o Programa Minha Casa, Minha Vida e adquirem um imóvel para retomar a vida.
