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Famílias estão em busca de férias mais saudáveis

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A televisão, o videogame e o computador se transformaram em verdadeiros concorrentes das atividades físicas e dificultadores na vida dos pais que passam boa parte do dia trabalhando fora de casa e querem estimular os filhos a participarem de outro tipo de atividade, principalmente durante as férias. Se, há alguns anos, o período de recesso escolar era preenchido com jogos de amarelinha, pião, queimada e futebol na rua, em praças ou nas áreas de lazer dos prédios, hoje as crianças e adolescentes ficam cada vez mais restritos ao interior das casas e apartamentos, ocupando o tempo com atividades sedentárias. O alerta é feito por profissionais da área de saúde, educação e também por psicólogos.

"A sociedade, as cidades e o estilo de vida mudaram. Hoje os pais ficam mais tempo fora de casa, as mulheres trabalham mais, muita gente mora em apartamento ou não tem quintal, há mais perigo nas ruas e, no caso de Juiz de Fora, há pouca opção de lazer ao ar livre. Tudo isso contribui para que as crianças fiquem mais em casa, convivam menos com os amigos e invistam mais nos jogos eletrônicos e na televisão", explica a professora da Faculdade de Educação da UFJF, Eliane Medeiros Borges, que é especialista na área de infância e mídia. No entanto, ela pondera que a tecnologia não deve ser vista como responsável por esse comportamento. "A sociedade é que não oferta muitas alternativas."

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Pesquisa

Como resultado, crianças e adolescentes estão cada vez mais sedentários, como indica a pesquisa realizada em 2010 pela mestre em educação física pela UFJF Josiane de Miranda. A partir de avaliação com 75 pessoas com idades entre 10 e 17 anos, sendo 40 obesos e 35 com peso normal, a pesquisadora constatou que 60% dos que tinham excesso de peso e 50% dos outros não faziam atividades físicas, seja em intensidade moderada ou intensa. Conforme Josiane, os exercícios físicos estão pouco inseridos no cotidiano dos envolvidos na pesquisa. "Os pais revelaram ter dificuldade de fazer com que eles fiquem menos tempo assistindo televisão, jogando videogame ou usando o computador." A mesma percepção tem a professora da Faculdade de Enfermagem da UFJF Sueli Santos, que coordena o projeto "Ações educativas na creche", voltado para a interface entre educação e saúde em creches comunitárias da cidade e de municípios vizinhos.

Sueli e as quatro acadêmicas envolvidas no programa notam que, quando não estão na escola ou na creche, a maioria dos meninos e meninas fica em casa sozinha, com uma ajudante ou apenas com os irmãos. "As opções de lazer são a televisão, os filmes ou o computador. A brincadeira na rua não é mais tão comum. Mas isso não fica restrito apenas às famílias de baixa renda, pois vem se repetindo cada vez mais nas outras classes", diz a enfermeira.

De acordo com Sueli, crianças e adolescentes que passam a maior parte do tempo dentro de casa estão mais propensas ao sedentarismo. "Além disso, os estudantes caminham menos hoje em dia, e os passeios ficaram mais restritos ao consumo, em shoppings e praças de alimentação," alerta. Segundo ela, os riscos do sedentarismo estão atrelados a problemas com alimentação, aumento de peso e dificuldade de socialização.

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Ampliação do convívio familiar

Para o educador físico e assistente executivo de iniciação e formação esportiva da Secretaria de Esporte e Lazer, Marcus Vinicius da Silva, não só durante as férias e entre crianças e adolescentes, mas em toda a sociedade e em tempo integral, o gasto energético está menor nas atividades diárias. "O subir escadas foi substituído pelo elevador, o controle remoto substituiu o levantar para trocar de canal e os jogos eletrônicos são mais acessíveis." Além disso, ele destaca que as pessoas têm maior jornada de trabalho e se envolvem mais com outras atividades, como cursos de inglês e reforço escolar, o que também dificulta a interação entre pais e filhos no dia a dia. "As crianças são estimuladas cada vez menos a praticar esportes", ressalta.

Com a oferta maior de atividades diárias, a psicóloga infantojuvenil Ana Paula Verly Coelho alerta para a importância do tempo livre nas férias. "O período deve ser aproveitado para ampliar o convívio familiar e também para que as crianças descansem, pois já estão sobrecarregadas de estímulos. A atividade física é muito importante, mas não é necessário ter que sair todos os dias e programar atividades o tempo inteiro. Mesmo porque, a maioria dos pais trabalha e não tem tanta disponibilidade quanto gostaria."

 

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Meios eletrônicos devem ser limitados

A fisioterapeuta Juliana Toledo, 36, tem dois filhos, de 5 e 7 anos, que adoram videogame. Enquanto a filha, que é mais nova, aceita facilmente trocar a TV por outra atividade, o filho impõe mais resistência. "A substituição tem sempre que ser atrativa." A solução encontrada por ela foi limitar, em época de aula, o acesso ao brinquedo. Durante as férias, ela amplia os dias, mas ainda restringe o tempo. "Como não posso ficar em casa com eles durante o dia, preciso fazer isso. É uma preocupação não só com o sedentarismo, mas, principalmente, com a disciplina".

A psicóloga Ana Paula Coelho diz que esse é o caminho, já que não adianta cortar os meios eletrônicos sem oferecer opções. "Não é indicado permitir que o tempo dedicado aos eletrônicos seja excessivo. Ficar o dia todo nessas ações pode deixar as crianças até mais irritadas." Conforme a mestre em educação física Josiane de Miranda, a Sociedade Americana de Pediatria recomenda limite de até duas horas/dia para esse tipo de atividade.

A bancária Renata Barra, 36, tem três filhos e nem sempre consegue tirar férias junto com eles. Como alternativa para evitar o sedentarismo e garantir diversão, já optou por colônias de férias em anos anteriores, mas também costuma fazer viagens rápidas nos fins de semana e restringir o horário da TV e do videogame. Como mora em sítio, o espaço disponível favorece a prática de atividades físicas. "Para quem mora em apartamento é pior, porque não tem árvores, animais, nem dá para andar de bicicleta. Mas todos os pais que trabalham fora enfrentam o mesmo problema: ter disposição para chegar em casa e brincar com os filhos, sobretudo nas férias. Se não fazemos isso, tendem a ficar mesmo na televisão."

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Ana Paula e a professora da Faculdade de Educação da UFJF Eliane Borges concordam que é cada vez mais difícil atingir o lazer ideal no período de recesso escolar. "Os pais não devem se culpar, mas podem pensar em alternativas para reduzir o sedentarismo e aproveitar melhor o tempo com os filhos. Para quem trabalha durante o dia, às vezes, é possível se dedicar mais à noite. Ou então desenvolver atividades simples para fazer dentro de casa, como jogos de tabuleiro, de cartas e culinária," orienta a psicóloga.

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