A mesa conta com a conferência da professora, pesquisadora e engenheira civil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Anna Laura Nunes. Além dela, também estão presentes como debatedores o presidente da Câmara Municipal de Juiz de Fora, José Márcio Garotinho (PDT); a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/UFJF) Letícia Zambrano; as representantes comunitárias dos bairros Mariano Procópio e Solidariedade, Polyana Maria de Mello e Ana Elisa Gomes Sales; o arquiteto e conselheiro estadual José Lopes Esteves; o engenheiro civil e supervisor regional CREA-MG, Leandro William de Abreu; e a secretária de Obras da PJF Bruna Rocha. Também participa, como coordenador, o vice-reitor da UFJF, Telmo Ronzani.
Ao longo de sua apresentação, Anna Laura Nunes destacou que a vulnerabilidade de Juiz de Fora já era conhecida, inclusive por ser a nona cidade do país com maior população vivendo em área de risco de enchentes e deslizamentos (de acordo com dados do Censo de 2022). Ela analisa esse cenário com a ocupação urbana das encostas ao passar dos anos, em bairros como Esplanada, Bom Clima e Três Moinhos. “Há um aumento de ocupação, e tudo isso em um cenário com as alterações climáticas. E o caso das chuvas extremas do dia 23 de fevereiro é a prova da vulnerabilidade“, diz. Nesse contexto, a ausência de drenagem adequada para controlar a água da chuva provoca problemas mais graves.
No Morro do Cristo, onde a conferencista é a responsável pelo projeto de reconstrução, foram usados estudos feitos ao longo dos anos pela UFJF e mapeamentos também desenvolvidos por ela, que concluíram que o local tem um conjunto de lastros que precisa ser estabilizado. Esse mapeamento mostra que são 26 blocos e dois ninhos de blocos instáveis que, se desprendidos, estão direcionados para as casas que estão na base do morro. A Secretaria de Obras também acrescentou, sobre isso, que o bairro Paineiras tem o maior número de pessoas que tiveram que sair de casa quando as chuvas ocorreram, mas ao mesmo tempo entre os atingidos foi o com menor número de casas afetadas. Por isso, os esforços estão direcionados para avaliar como será o retorno para as residências.
Projeto no Morro do Cristo
Tendo em vista as problemáticas que atingiram o Morro do Cristo, a especialista apresentou as premissas do projeto que está trabalhando para a recuperação do local. Para ela, é central que toda ação ocorra, primeiramente, respeitando o patrimônio e sem nenhuma ou mínima interferência na paisagem, nas trilhas ou na vegetação do morro. Além disso, ela também busca fazer a intervenção de modo que não interfira na permanência das residências que não foram atingidas.
O projeto também busca fazer o aproveitamento do sistema de drenagem das águas pluviais existentes e tem como medida mais imediata as obras de execução para liberação da área. Essa ação vai acontecer com o uso de barreiras flexíveis, que usam painéis metálicos para reter blocos.
Preparo para eventos extremos
Durante a conversa, o vice-reitor frisou que as chuvas que ocorreram este ano não se trataram de um evento isolado — ele acredita que outros eventos extremos vão acontecer e que a cidade precisa estar preparada para isso.
“Nós precisamos de um planejamento concreto frente a essa situação. Esse é o objetivo principal desse encontro, que a gente consiga trazer planos objetivos e que a gente se apresente como uma sociedade que está pronta para lidar com essas questões de forma solidária e efetiva”, diz Telmo Ronzani.

