Das 261 mil chamadas recebidas pela Polícia Militar de Juiz de Fora nos quatro primeiros meses de 2016, 58 mil foram trotes. Cerca de 22% do total das chamadas foram de ligações falsas ou de comunicados que fogem ao serviço prestado pela PM, causando prejuízos ao sistema e à população, que, muitas vezes, não consegue completar a chamada e acionar a polícia num momento de emergência.
“O número de trotes é muito grande e interfere no trabalho da Polícia Militar. Quando alguém liga, a ligação passa por um tronco principal, que a distribui. Quando a pessoa ouve o toque de chamado, ela já está na linha à espera de ser atendida. Neste caso, o trote interfere no andamento do sistema, porque a pessoa vai demorar mais para ser atendida, pois a linha fica ocupada. Sem falar que, às vezes, em função de um trote, fazemos o emprego de recurso, de planejamento, de preparo para atendimento da vítima, e, quando chegamos ao local, é um trote. É um grande prejuízo, pois esta viatura empenhada podia estar em patrulhamento para prevenir um crime ou então fazendo um atendimento de verdade”, alerta o assessor de comunicação da 4ª RPM, major Marcellus Machado.
Segundo o militar, os trotes mais comuns partem das crianças. Depois, são de pessoas que usam a linha para xingar os policiais e, por último, de quem liga para o 190 a fim de obter informações que não são de competência da corporação. “É um pedido que fazemos a todos os pais e responsáveis, para que façam uma conscientização junto às crianças. O 190 não foi feito para brincar, o que acaba ocupando a linha. Também é comum pessoas ligarem para saber coisas do tipo: como faço para adotar um animal de estimação. Isso não é da nossa competência, e a população precisa ter consciência”, destaca Machado, acrescentando que os trotes crescem nos meses de férias escolares e também são maiores nos horários de pico, quando há muitas pessoas em circulação nas ruas.
Ligações identificadas
Conforme o assessor, todas as ligações são identificadas. “Mas nossa meta é promover a educação e a conscientização contra o trote. Não dá para mandar uma viatura até o local, para fazer a coerção deste tipo de crime. A conscientização é a arma nesta questão”, afirma o major, acrescentando que o 190 serve para emergência, quando o cidadão percebe que a PM tem condições para resolver seu problema de imediato. “Existe o disque 181, com identidade preservada e aberto a denúncias voltadas a comunicados sobre tráfico de drogas e agressão familiar, por exemplo. Quando há flagrante de crime, situação de pessoas suspeitas em ponto de ônibus, posto de combustível, ao redor de residências, isso deve ser reportado ao 190”, explica o assessor.
Ele ainda observa que não existe diferença de atendimento para ligações de aparelhos fixo, público ou de celular. “O 190 é feito para todas as ligações”, afirma. Major Marcelo também destaca que, se alguém for pego em flagrante passando trote, a PM toma as medidas cabíveis, já que se trata de um crime.
