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Sobrecarga em vias do São Pedro

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Ao meio-dia, tumulto persiste na via, e pedestres têm que se arriscar
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Ao meio-dia, tumulto persiste na via, e pedestres têm que se arriscar

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Os corredores de trânsito da Cidade Alta dão sinais de esgotamento, o que se mostra como consequência do crescimento acentuado da região e também da ampliação da UFJF. De acordo com dados do IBGE, a população da área aumentou 32% na última década, e os reflexos são sentidos diariamente no tráfego. Em abril, a Tribuna mostrou a sobrecarga no anel viário da universidade, utilizado como passagem pela população que quer cruzar a Zona Sul e chegar na região do São Pedro. O jornal retornou ao bairro, onde encontrou vias que não suportam mais o pesado fluxo de veículos. A reportagem esteve na Rua José Lourenço Kelmer e na Avenida Presidente Costa e Silva em vários horários. Embora a situação seja preocupante durante todo o dia, nos momentos considerados de pico, como 8h, meio-dia e 17h, os problemas se agravam. Em ambas as vias, carros estacionam dos dois lados, estreitando as pistas e contribuindo para o aumento das retenções. Na Presidente Costa e Silva, os pedestres precisam desviar dos veículos, parados inclusive nas calçadas.

De acordo com moradores e comerciantes, na José Lourenço Kelmer, em dias mais tumultuados, condutores demoram cerca de 30 minutos para percorrer um trecho de aproximadamente 500 metros, entre o Pórtico Norte da UFJF e a rotatória que dá acesso à Rua Pedro Henrique Krambeck (paralela ao córrego). Quando o movimento é menor, a vizinhança teme pela alta velocidade dos veículos.

A dona de casa Silvana da Graça de Paula, 40 anos, diz que fica até cinco minutos esperando uma oportunidade para atravessar. "É muito difícil porque, quando existe a possibilidade, os carros circulam em alta velocidade. Acho que faltam semáforos na rua." O aposentado Jorge Vieira, 61, também morador da região, diz que os transtornos seriam amenizados com quebra-molas, que hoje são poucos. "Pior que, onde tem o dispositivo, não colocaram faixas de pedestres. Isso acontece, por exemplo, em frente ao supermercado, que foi inaugurado recentemente e aumentou, e muito, o fluxo de pessoas."

Na reportagem publicada pela Tribuna em abril, o pró-reitor de Infraestrutura da UFJF, Paschoal Roberto Tonelli, apontou como alternativa a construção de um binário no bairro, com o objetivo de evitar os congestionamentos, não apenas no campus, como também em ruas próximas. A sugestão, que ainda seria apresentada à Settra, é de transformar a Avenida Presidente Costa e Silva e a Rua José Lourenço Kelmer em mão única em direção ao Centro. A Avenida Pedro Henrique Krambeck seria responsável por receber os veículos que percorrem o sentido inverso. A mão única nesta via, inclusive, já está implantada desde o dia 15 de março, mas o objetivo da intervenção é aumentar a segurança de pedestres durante as obras de construção da BR-440 naquele trecho.

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De acordo com a assessoria de comunicação da Settra, ainda não foi recebida sugestão para resolver a situação do Bairro São Pedro. No entanto, a pasta garante estar aberta a discutir qualquer proposta que aponte melhorias para o trânsito da região. Hoje a única concepção existente para a área do Pórtico Norte é a ampliação das atuais duas pistas da Rua José Lourenço Kelmer para quatro no trecho entre as ruas Virgulino João da Silva e Aristóteles Braga. A Settra apresentou o projeto à universidade, já que parte do terreno do campus precisaria ser cedido, no entanto não houve avanço nas negociações.

Sugestão polêmica

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Moradores e comerciantes, embora concordem que o trânsito tenha atingido seu limite, não acreditam que o binário seja a melhor solução. "Atrapalharia o comércio. Donos de padarias e açougues seriam prejudicados. Eles correm o risco de perder grande parte de seus clientes", afirma o serralheiro Adelson Pezarini, 65. Já a estudante Marina Figueiredo, 19, preocupa-se com a possível mudança no itinerário dos ônibus. "Teria que andar mais para chegar em casa."

Para o professor da UFJF Cézar Henrique Barra, especialista em transporte, o binário pode resolver o problema durante certo período, mas não é o ideal. "Não há solução para o transporte individual. O trânsito na cidade caminha para o caos, porque a frota aumenta cada vez mais. É preciso incentivar o uso do transporte coletivo." Ele cita o constante crescimento da região, com construções de grandes condomínios populares e a implantação da BR-440, como problemático. "Além de aumentar o fluxo de automóveis e demandar mais ônibus, no futuro, pode haver um movimento grande de veículos pesados em nossas ruas. A situação vai piorar."

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