
Telha foi arremessada a 50 metros de residência
O dia de ontem foi de muito trabalho em várias regiões da cidade por causa dos estragos da chuva da última segunda-feira. Por causa do feriado de terça-feira, muitos serviços só foram realizados ontem. Na região Leste, no Bairro Linhares, as telhas da Associação Assistencial Criança Feliz foram atingidas pela chuva de granizo. O corredor e as salas da unidade ficaram alagados, molhando colchonetes e trabalhos dos estudantes. Cento e sessenta alunos, de zero a 11 anos, ficaram sem aula. De acordo com a coordenadora, Rita de Aquino, não há previsão de restabelecimento do atendimento. "Primeiro, temos que trocar as telhas. Por causa das goteiras, teremos que pintar alguns cômodos e, depois, fazer uma limpeza geral. Mas vamos tentar retomar as aulas o mais rápido possível", falou a coordenadora.
Em vários bairros, ainda ontem, era possível ver restos de galhos deixados pela queda de árvores, provocadas pelos ventos de mais de 90 quilômetros por hora. No Ipiranga, Zona Sul, um arbusto caiu sobre a Escola Municipal Jesus de Oliveira, quebrando o telhado de um banheiro e da despensa. Os bombeiros retiraram os galhos na tarde de ontem. "A solicitação para o corte já tinha sido feita desde o ano passado. Poderíamos ter evitado esse problema", reclamou a diretora da escola, Ivânia dos Santos. Ainda na região Sul, o trânsito permanecia em meia pista na Rua Victor Spagnollo, que foi tomada pela vegetação. No Estrela Sul, o vento também derrubou o alambrado de uma escola de futebol, tomando parte do gramado. Na Avenida Deusdedit Salgado, trabalhadores da Prefeitura retiravam galhos espalhados pela pista no sentido Aeroporto.
Na região Sudeste, na Vila Ozanan, uma antena desativada de rádio caiu em cima de uma casa de dois andares na Rua Abílio José Gomes. O morador contou que estava no imóvel quando ouviu o barulho no terraço. "Tinha feito uma reforma há um mês. Meu prejuízo é de R$ 3 mil. Como as duas caixas d’água foram atingidas, estou sem água", disse o aposentado Carlos Alberto Cordeiro. Na mesma região, no trecho da antiga União e Indústria, próximo ao Retiro, um tronco interrompeu a passagem dos moradores à região central por mais de seis horas no dia da chuva. A população ficou sem luz por aproximadamente 48 horas. Ontem, ainda havia galhos nas margens da estrada.
Na Zona Norte, na Rua Nazira Matar de Freitas, no Monte Castelo, a lama tomou conta da via e de várias casas. Equipes do Demlurb, com auxílio de um trator, retiravam a terra. Na casa do técnico em telecomunicações Leonardo Soares, o barro atingiu a garagem, o quintal e uma área de serviços. Com um carrinho de mão, ele tentava retirar a sujeira. "Estava viajando e, quando voltei, vi o estrago. Perdi a máquina de lavar." Ainda ontem, a população enfrentava dificuldade para passar em meio ao lamaçal. "Vou ter que encarar, porque é o único meio de chegar em casa", contou a dona de casa Rita de Cássia de Souza, que seguia com a filha de 2 anos ao colo. Segundo os moradores, a terra teria descido de uma rua aberta em um terreno acima, onde foi construído um conjunto habitacional. A assessoria de comunicação da Defesa Civil confirmou que há uma obra na região onde está sendo feito alargamento da via e que ainda não está finalizada.
Os prejuízos também foram notados na Zona Rural. Um telhado se desprendeu de uma casa na estrada de Caeté, distrito de Sarandira. O proprietário estava viajando e recebeu a ligação de um vizinho, contando sobre os estragos. "O vento derrubou 12 pilares de ferro com base de concreto, que sustentavam o telhado", conta ele, que teve prejuízo de R$ 14 mil.
Chamados
A Defesa Civil atendeu a 67 chamados, de meia-noite de segunda-feira até 16h de ontem. A região Sul foi a mais atingida, com 32 ocorrências, seguida pela Leste (13), Sudeste (10), Norte (7), Nordeste (3), Oeste (1) e Centro (1). Os principais problemas foram de destelhamento parcial, com 23 casos. Segundo a assessoria, os chamados estão sendo atendidos pelas equipes da Prefeitura de acordo com as prioridades.

