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Adolescente de 14 anos morto com tiro no peito

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A cidade teve mais um final de semana violento com registros de assassinatos e tentativas de homicídio, que resultaram em duas mortes e deixaram três pessoas feridas. O caso mais grave aconteceu na noite de sábado na Rua Nossa Senhora Aparecida, no bairro homônimo, Zona Leste, quando três adolescentes foram baleados em uma escadaria pelo carona de uma motocicleta. Pablo de Oliveira Theodoro, 14 anos, não resistiu ao ferimento à bala no peito e morreu no HPS. O corpo da vítima passou por necropsia no Instituto Médico Legal (IML) e foi sepultado na tarde de domingo, no Parque da Saudade, sob comoção de familiares e amigos. Segundo a polícia, o crime pode estar relacionado a brigas entre grupos de jovens rivais.

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Os outros dois adolescentes, ambos de 17, foram medicados no HPS e liberados no mesmo dia, conforme informou a assessoria da Secretaria de Saúde. De acordo com a PM, um deles foi alvejado por dois projéteis no abdômen e no antebraço esquerdo. Já o outro foi baleado no lado esquerdo e inferior do abdômen. Pablo chegou a ser socorrido pelo Samu, mas já estava em estado gravíssimo e deu entrada inconsciente no hospital, onde foi levado direto para o centro cirúrgico. Ele faleceu por volta de meia-noite, cerca de uma hora e meia após o crime.

Durante os levantamentos, a PM chegou à identificação do suspeito de realizar pelo menos cinco disparos contra o grupo de jovens, que estava reunido no escadão. Ele teria 20 anos e seria morador do Bairro Santa Rita, na mesma região, mas não foi localizado durante rastreamento. No mesmo dia, houve uma briga envolvendo gangues dos bairros Santa Rita e Nossa Senhora Aparecida. Parte das vítimas baleadas estaria nessa ocorrência. Junto com a Polícia Civil, estamos trabalhando com a hipótese de haver relação entre os casos. Já temos um suspeito, e os fatos serão esclarecidos com a prisão dele, informou o comandante da 70ª Companhia da PM, capitão Marcelo Monteiro de Castro.

Relatos de ações criminosas na região podem ser ouvidos, principalmente, nas imediações da escadaria, onde ocorreu o homicídio. Na manhã de ontem, ainda era possível ver as marcas de sangue nos degraus, que ligam as ruas Nossa Senhora Aparecida e Paraisópolis, no Manoel Honório. Os garotos costumam se reunir aqui, e as gangues acabam se encontrando. Só neste ano, foi a terceira vez que deram tiros, contou um militar reformado, 64. Uma dona de casa, 66, disse que tem dificuldade de passar pela escada para acessar a própria casa. Quando tenho visita, preciso vir aqui em cima buscar a pessoa, porque ninguém passa sozinho.

O capitão Marcelo garantiu que a escadaria e o entorno são alvos constantes de ações policiais, inclusive por se tratar de rota de acesso a vários bairros. Nosso foco é a prevenção. Temos grupo de orientação nas escolas e sempre abordamos os jovens que ficam no escadão, sobretudo nos horários de saída dos colégios, para evitar enfrentamentos.

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Em Benfica

Também na noite de sábado, um homem, 32, foi baleado no Bairro Benfica, Zona Norte. De acordo com a PM, ele estava na Rua Dona Ana Salles, quando foi surpreendido por um jovem, 18, que disparou dois tiros em sua direção. O suspeito estaria munido com revólver calibre 38, mas ele não foi localizado durante rastreamento da PM. A vítima foi alvejada na coxa direita e medicada na Policlínica de Benfica.

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Já o homicídio registrado pela PM na manhã de sábado, no Bairro Borboleta, Cidade Alta, seguiu ontem para investigação na 2ª Delegacia Distrital. O auxiliar de serviços gerais Allan de Oliveira Reis, 34, foi morto a paulada após discutir com um homem, 51. O suspeito, 17, é filho deste último e chegou a ser apreendido, mas o pai não foi localizado.

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‘Ele não merecia isso’

Levei um choque, mas acho que a ficha ainda não caiu. Não estou revoltada e nem com raiva. Também não quero saber quem fez. Foi uma morte brutal, e ele não merecia isso. Só estou pedindo a Deus para me dar força e superar essa perda. O relato da mãe do adolescente Pablo de Oliveira Theodoro, 14 anos, assassinado com um tiro no peito na noite de sábado no Bairro Nossa Senhora Aparecida, Zona Leste, demonstra um pouco do vazio em que se transformou a vida da dona de casa Solange das Graças de Oliveira. Após perder o único filho, ela tenta retomar a rotina sem a presença do garoto na casa onde a família mora, no Bairro São Tarcísio, na mesma região.

Segundo ela, o jovem cursava, à noite, o quinto ano supletivo em uma escola municipal do mesmo bairro onde foi assassinado. No sábado, ele saiu de casa por volta das 19h para ir encontrar com os colegas perto da escadaria. Ele gostava de ficar lá conversando. Mas, uma vez, já havia apanhado de uma gangue nesse mesmo lugar, e eu fiquei dois dias com ele no hospital. Cerca de três horas depois da saída do adolescente, Solange recebeu a trágica notícia. Chamaram meu marido, e eu corri para lá. Ele estava caído no chão e, logo, o colocaram na ambulância. Só então fui saber que haviam passado de moto atirando e acertaram três. A bala pegou no alto do peito do meu filho, mas se deslocou dentro do corpo e perfurou uma veia. Fizeram de tudo no hospital, mas não teve jeito, lamentou.

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Para Solange, a violência na região chegou ao limite. O Pablo vivia falando que alguém morreu ou estava internado. Tem acontecido muita coisa ruim por aqui. Estão todos muito chocados. De acordo com o comandante da 70ª Companhia da PM, capitão Marcelo Monteiro de Castro, não há registro de envolvimento de Pablo em ocorrências policiais. Ele foi aluno do Proerd (Programa Educacional de Combate à Violência e Resistência às Drogas da PM). Estamos focando na realidade dos fatos e na prisão do suspeito.

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