Um homem de 41 anos, suspeito de praticar atos libidinosos contra crianças e adolescentes abrigadas em uma casa de acolhimento na Zona Leste de Juiz de Fora, foi preso na manhã desta segunda-feira (3) pela Polícia Civil. De acordo com a delegada responsável pelo caso, Alessandra Azalim, os crimes teriam acontecido em dezembro do ano passado, quando o então educador social da instituição teria se aproveitado de “brincadeiras” para praticar atos de cunho sexual contra uma menina de 2 anos e duas adolescentes de 13 e 15 anos. As informações foram divulgadas em uma coletiva de imprensa realizada na 1ª Delegacia Regional de Juiz de Fora. Ainda de acordo com a delegada, logo após ter o pedido de prisão preventiva do autor aceito pela Justiça, o suspeito, que nega todas as acusações, recebeu voz de prisão em sua casa e foi encaminhado para a penitenciária Ariosvaldo Campos Pires.
Os supostos crimes teriam sido denunciados de maneira anônima por meio do Disque Denúncia. “Após o recebimento da denúncia, a Polícia Civil instaurou um inquérito e colheu os depoimentos das vítimas e testemunhas, bem como de outros funcionários da instituição de acolhimento. Depois disso, chegamos à conclusão de que as meninas teriam sido alvo da tentativa e da prática de atos libidinosos do autor. Ele prestou depoimento e negou todos os fatos que lhe foram imputados. A expectativa é que, em breve, iremos encerrar esse inquérito e encaminhar para a Justiça”, afirmou Alessandra. O suspeito poderá ser enquadrado nos crimes de tentativa de estupro de vulnerável, além de fraude sexual. A Polícia Civil ainda está averiguando se outras vítimas foram importunadas pelo autor.
Segundo Alessandra, no mesmo período em que a denúncia foi recebida pelos órgãos de segurança pública, funcionários da casa de acolhimento já haviam percebido que o autor estava tendo uma conduta diferenciada com as vítimas. Diante da suspeita, a direção da instituição de acolhimento recebeu uma denúncia interna e optou por demitir logo em seguida o funcionário, que trabalhava no local há aproximadamente um ano. “O que mais nos chama atenção neste caso, que é considerado uma situação grave, é que esses supostos crimes teriam sido praticados por um educador social dentro de uma instituição em que crianças são levadas para proteção, justamente porque são pessoas que estão em vulnerabilidade ou em situação de risco ou vulnerabilidade. A pessoa em questão, portanto, utiliza-se de seu cargo e da profissão que ela exerce para quebrar a responsabilidade e os compromissos de proteção à criança”, ressalta a delegada.
Em nota enviada à reportagem, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que “tão logo a Secretaria de Assistência Social (SAS) recebeu a denúncia, a mesma foi informada da demissão do funcionário pela Organização da Sociedade Civil (OSC), entidade que executa o serviço de acolhimento. A partir deste fato, o caso passou a ser tratado pela Polícia Civil em sigilo”. A pasta também afirmou que as crianças e adolescentes vítimas dos abusos estão sendo acompanhadas diretamente pelo serviço de atenção psicossocial da SAS.

