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Estudantes agora cobram vale-trote

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Boa parte dos estudantes que, na próxima segunda-feira, iniciará um curso superior na UFJF passará pelo rito do trote. Desta vez, as práticas, muitas vezes condenáveis, estão sendo anunciadas com antecedência na internet (ver quadro). A ameaça que circula na rede é que aqueles que não queiram se submeter a algum tipo de "brincadeira" precisarão pagar. E, apesar de a UFJF proibir a aplicação do trote nos limites do campus, alunos da instituição usam as redes sociais para marcar ponto de encontro com os calouros, na própria universidade, para que possam sair juntos do espaço e realizar o ritual de boas-vindas bem em frente ao Pórtico Sul da instituição, na esquina das avenidas Itamar Franco (Independência) e Eugênio do Nascimento.

A internet é usada para alertar os novatos sobre a tradicional exigência de arrecadar dinheiro nas vias públicas e também sobre uma nova modalidade de cobrança, que, desde 2009, vem sendo praticada – isoladamente – por veteranos de diversos cursos da instituição. Trata-se do "vale-trote", em que os calouros precisam pagar para ter direito a "regalias" durante o trote. Há cobrança para que os novatos não tenham os cabelos cortados nem a roupa rasgada e também para que possam andar calçados até o Centro – onde costumam pedir dinheiro à população para arcar com as "calouradas" e "chopadas".

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Se, nos anos anteriores, era cobrado até R$ 10 para cada tipo de "vale-trote", este ano, os veteranos da Faculdade de Medicina divulgam preços mais altos. Para que um novato possa passar pelo trote sem ficar com a pele tingida após o "banho" de violeta genciana, é cobrado R$ 15 pelo "vale-violeta no corpo". Já quem pretende evitar danos aos cabelos pode ter que desembolsar até R$ 50 de taxa. Mas não são apenas os alunos da medicina que adotam a prática. Nos anos anteriores, a Tribuna já identificou estudantes de outros cursos fazendo a cobrança.

O pró-reitor de Graduação da UFJF, Eduardo Magrone, diz que a instituição condena o tipo de brincadeira que exige dinheiro. "É absurdo que uma pessoa tenha que pagar pelo não constrangimento. Qual seria o custo para quem não quiser participar nem pagar? Esperamos que esses anúncios na internet sejam de brincadeira. Porque aquele que levar a efeito essa prática, ainda que fora da UFJF, poderá receber sanções que vão desde suspensão ao desligamento da instituição. Como isso também é ilegal, pode se transformar em caso de polícia, e os envolvidos terão que responder por isso."

A Tribuna tentou contato, por telefone, na tarde de ontem, com integrantes do Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina e de Diretório Central dos Estudantes (DCE), mão não conseguiu falar com os alunos.

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