
Pedestres cruzam com dificuldade o caminho
Um acidente envolvendo uma carreta e um caminhão na ponte do Bairro Retiro, Zona Sudeste, interditou por cerca de 13 horas um trecho do km 91 da BR-267 ontem. Com a via fechada, passageiros de ônibus urbanos precisaram fazer baldeação para continuar a viagem. Muitos caminhoneiros tiveram que aguardar durante todo o dia e parte da noite a liberação do acesso. A colisão lateral aconteceu por volta das 6h45, quando o Mercedes-Benz truque, de Santo Antônio de Pádua (RJ), e o Volvo articulado, de Santa Rita de Caldas (MG), tentaram, ao mesmo tempo, atravessar a construção, que permite a passagem de apenas um veículo de grande porte por vez. Com a batida, o tanque de combustível da carreta se rompeu e houve vazamento de óleo diesel. O Corpo de Bombeiros foi acionado e jogou serragem na pista para conter o líquido. No entanto, por volta das 17h30, a carreta incendiou e teve a cabine totalmente destruída. De acordo com o sargento dos Bombeiros, Reginaldo Fazolo, as chamas foram controladas e a bateria isolada. "Com o vazamento de óleo, o fogo se propagou rápido, sendo necessários cerca de mil litros de água para debelá-lo." Conforme moradores da região, o caminhão foi removido por volta das 15h. Já a carreta só foi guinchada às 20h, quando o trânsito foi liberado.
Apesar de não haver vítimas, a ocorrência causou um enorme transtorno ao trânsito, porque o local é a única passagem para ônibus e veículos pesados que entram e saem da cidade pelo trecho da 267 que corta a região. Já os veículos leves, puderam utilizar a Alameda Ilva Mello Reis, no Bairro Santo Antônio. Segundo João Manoel Freesz, encarregado operacional da Viação São Cristóvão, que atende a Zona Sudeste, nove linhas de ônibus, incluindo uma escolar, tiveram que circular no sistema de baldeação. Os passageiros desciam em uma das extremidades da ponte, cruzavam a construção a pé e pegavam outro ônibus no lado oposto, tanto para seguir no sentido Centro-bairro quando na direção oposta. "Prejuízo maior é para a população, porque os trajetos estão demorando mais meia hora. Só este ano, já tivemos umas quatro situações como essa."
Moradores da região estavam revoltados. "Está sendo um transtorno, e ainda vou chegar atrasada no trabalho", reclamou a cabeleireira Ana Carolina da Silva, de 29 anos. Até crianças e idosos foram obrigados a passar por um trecho estreito da passarela. Foi o caso da aposentada Guiomar Thomaz, 81. "Graças a Deus ninguém morreu no acidente." O caminhoneiro Thiago dos Santos, 23, saiu, no sábado, de Recife (PE) para descarregar às 8h de ontem uma carreta com 26 toneladas de materiais de limpeza em uma rede de supermercados na Zona Norte. "Cheguei aqui logo depois do acidente. Agora o jeito é esperar." A Polícia Militar permaneceu no local até a chegada da equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Guinchos foram mobilizados para a remoção dos veículos envolvidos no acidente. Antes no entanto, foi necessário fazer o transbordo das cargas. A carreta conduzia blocos de granito e seguia para Santa Rita de Caldas para Vitória (ES). Já o caminhão, ia de Santo Antônio de Pádua para Belo Horizonte e carregava pedras.
A Defesa Civil esteve no local para avaliar os riscos devido aos estragos na ponte. Não foram constatados danos estruturais que prejudiquem a passagem de veículos. Já a passarela para pedestres, danificada em acidente anterior, permaneceu interditada em um dos lados. No outro, onde parte de um guarda-corpo foi danificado, a Defesa Civil ficou de providenciar junto à Settra uma proteção fixa.
Segundo Dnit, não há previsão para obras
Com o objetivo de chamar a atenção das autoridades para a situação precária em que se encontra a ponte do Retiro, cenário de inúmeros acidentes, moradores estão organizando uma manifestação para a manhã de sexta-feira. "Vamos fechar a ponte e impedir o trânsito até que tenhamos um posicionamento", disse o presidente da Associação dos Moradores do bairro, José Adriano da Silva. "Não podemos esperar mais. Queremos que construam uma nova ponte." No dia 13 de maio, dezenas de moradores já haviam fechado o trecho da BR- 267, que fica próximo à Escola Municipal Menelick de Carvalho. Na ocasião, a passagem na rodovia foi interrompida durante uma hora para questionar a paralisação da obra de revitalização da rodovia, que foi suspensa na altura do Bairro Floresta.
Segundo a assessoria da Settra, as intervenções para alargar e fazer as melhorias na ponte seriam de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), por se tratar de parte da malha rodoviária federal. Já a assessoria de comunicação da Superintendência do Dnit em Minas Gerais, a estrutura do Retiro está incluída no Programa Proarte, que prevê a restauração e/ou alargamento de pontes em todo o país. No entanto, não há previsão de quando o projeto será colocado em prática, porque as bases do programa estão sendo revistas em Brasília. O Dnit informou, ainda, que, se for constatado algum tipo de emergência na ponte, o departamento terá que decretar a situação para contratar um empresa capacitada em regime de urgência.

