A Peugeot amarga quedas constantes no mercado automotivo nacional. Dos 90.331 carros emplacados no acumulado de 2010 – que lhe garantiram 2,71% de share -, a marca agora tem apenas 28.360 registrados nos dois primeiros quadrimestres de 2014, o que representa 1,34% do total de carros comercializados no Brasil. Uma média de 3.545 mensais, quase o mesmo que só o hatch 207 vendia há quatro anos. Mesmo assim, a francesa parece estar inclinada a apostar em modelos direcionados a um público mais requintado. Tanto que desistiu de vender a versão de entrada do crossover 3008 no país, a Allure, para abrir espaço apenas para a de topo Griffe em sua linha 2015. Uma diferença de cerca de 10% no valor do carro, que agora obrigatoriamente ultrapassa a barreira dos seis dígitos: começa em R$ 100.190.
O novo 3008 desembarcou no Brasil em junho, mas apenas com leves alterações estéticas. Agora, seu visual segue o padrão atual da marca. Grade, conjuntos óticos e faróis de neblina levam molduras cromadas e os faróis e lanternas são contornados por leds. De perfil, chamam atenção as novas rodas diamantadas. Já por dentro, pouco se alterou. O head-up display, que projeta as informações do velocímetro, passou a ser colorido e os bancos receberam novas padronagens.
A lista de mimos e de tecnologias presentes no 3008 impressiona. Há, por exemplo, freio elétrico de estacionamento, acionado automaticamente quando o carro é desligado. O ar-condicionado é com duas zonas e conta com saídas traseiras e o sistema multimídia inclui GPS e conectividade por Bluetooth com uma tela de sete polegadas rebatível eletricamente. O 3008 sai de fábrica ainda com acendimento automático dos faróis, compartimento refrigerado no console central, sensor de chuva, piloto automático, teto panorâmico em vidro, airbags de cortina, frontais e laterais, controle eletrônico de estabilidade, freios ABS com auxílio a frenagem de urgência e repartidor eletrônico de frenagem e sensor de estacionamento traseiro.
A plataforma é a mesma, derivada do 308. Sob o capô, segue o motor 1.6 litro 16V Turbo High Pressure a gasolina, com bloco de alumínio, comando de admissão variável e balancins roletados. Desenvolvido em parceria com a BMW, é o mesmo propulsor que equipa os esportivos RCZ e 308CC e ainda o sedã grande 508. Gera 165cv a seis mil giros e torque de 24,5kgfm já a partir das 1.440 rotações. O câmbio é o mesmo automático de seis velocidades, com opção de acionamento sequencial.
Pelo conjunto, a Peugeot cobra iniciais R$ 100.190. Não há opcionais disponíveis para o 3008 Griffe 1.6 THP, apenas as cores. Pela branca, por exemplo, a fabricante cobra R$ 2.690, fazendo o valor final pular para R$ 102.880. Construído sobre a mesma plataforma que o 3008, o Citroën C4 Picasso com motor 2.0 de 151cv com etanol custa R$ 94 mil com equipamentos semelhantes. Ou seja, custo/benefício não é a melhor motivação para a compra do 3008. Tanto que depois da chegada do modelo com face-lift, seus emplacamentos fecharam em 174 entre junho e agosto, uma média de 58 por mês. Um número que nem de longe lembra seus melhores tempos, em 2011, quando teve 2410 exemplares vendidos, ou seja, 200 por mês.

