
Morcego Myotis ruber encontrado no Jardim Botânico da UFJF
Pesquisadores da UFJF identificaram três espécies de morcegos nunca vistas em Juiz de Fora, além de exemplares de plantas sem descrição no estado. O estudo, realizado com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e da empresa Hiperroll, ocorreu no Jardim Botânico da instituição, na Mata do Krambeck. O professor de biologia Pedro Henrique Nobre e a professora do Departamento de Botânica Fátima Salimena, ambos do Programa de Pós-graduação em Ecologia (Pgecol), lideram as pesquisas, cujos primeiros resultados foram apresentados no 49º Encontro Anual da ATBC (sigla em inglês para Association for Tropical Biology and Conservation), realizado no final de junho em Bonito (MS).
Nobre esclarece que os estudos poderão ajudar na compreensão do processo de regeneração de ecossistemas florestais. "A partir de nossas descobertas, poderemos analisar como ocorrem as reconstruções de ambientes desmatados. As espécies de morcegos encontradas são basicamente frugívoras, alimentam-se de frutas e, em função disso, consideramos que elas são fundamentais no processo de dispersão de sementes." Os alunos do Curso de Ciências Biológicas da UFJF Abraão Rezende, Alexmar Rodrigues e Michel Delgado participaram das coletas. Nobre explicou que, por estar inserido em ambiente urbano e possuir representativa qualidade de preservação, a Mata do Krambeck foi escolhida como campo de pesquisa. Desde o início do trabalho até a apresentação no encontro da ATBC, haviam sido capturados 152 animais pertencentes a três famílias e 14 espécies diferentes.
Flora
Durante os trabalhos, também foram identificadas espécies vegetais distintas. A pesquisadora Fátima Salimena afirma que o estudo das plantas teve início antes mesmo de a UFJF implantar o projeto do Jardim Botânico. "A coleta dos exemplares começou em 2007 e, desde então, com o apoio do professor de botânica Luiz Menini Neto, continuamos o processo. Recolhemos amostras de plantas que sequer foram catalogadas no estado e que apenas foram registradas em outras regiões, como o trecho de Mata Atlântica no Rio de Janeiro." Segundo Fátima, compreender as diferenças identificadas pode significar até a alteração da classificação vegetal da Zona da Mata mineira. Os pesquisadores pretendem continuar os estudos, com os quais devem participar do próximo encontro da ATBC, entre 23 e 27 de junho de 2013, em San José, na Costa Rica. A estudante de ecologia Camila Neves Silva coletou as informações no começo do seu curso de mestrado e, em um ano, conseguiu identificar cerca de 422 espécies. "Contamos com institutos parceiros que realizaram as análises de similaridade. A partir disso, verificamos a presença de muitas espécies que são distintas daquelas que acostumamos a encontrar na Zona da Mata mineira."

