O Núcleo de Ações Operacionais (Naop) da Polícia Civil de Juiz de Fora divulgou ontem que 24 vítimas que teriam caído no golpe do edredom já prestaram, formalmente, depoimentos na unidade policial, em Santa Terezinha. Enquanto algumas fizeram o reconhecimento de pessoas que estariam envolvidas no esquema de venda, outras identificaram as caminhonetes que seriam utilizadas pelo grupo para comercializar edredons e panelas em diversas regiões da cidade. A suspeita é de que o bando vendia os produtos e, no momento de efetuar a venda por meio de cartão de crédito, passava um preço diferente do combinado com o cliente, geralmente com valores bem superiores aos das mercadorias vendidas. Ainda conforme o Naop, mais 22 pessoas que teriam caído no golpe já estiveram na delegacia e vão ser ouvidas nos próximos dias.
O grupo foi descoberto, na última quinta-feira, quando 11 homens e uma mulher foram presos em flagrante. Conforme a delegada responsável pelo caso, Sheila Oliveira, a prisão dos 12 envolvidos foi convertida em preventiva. Ela também afirmou que os suspeitos poderão responder por crime contra economia popular, já que estariam usando máquinas de cartão de crédito em nome de terceiros. De acordo com a assessoria da Polícia Civil, a Receita Estadual apurou que foram apreendidos 1.207 edredons e 163 conjuntos de panelas, na última sexta-feira, quando, em conjunto com investigadores da 3ª Delegacia, os fiscais visitaram um galpão, anexo a um hotel em Benfica, Zona Norte, onde estavam estocados os materiais sem notas fiscais.
O advogado de defesa dos suspeitos Ricardo Fortuna também informou que, na última sexta-feira, entrou com pedido de revogação da prisão preventiva, na 1ª Vara Cível Criminal. Como ele aponta, a solicitação alega que houve irregularidade na detenção dos seus clientes, visto que não existiu flagrante e havia ausência de ordem judicial. "Também entramos com pedido de aplicação de medidas cautelares cabíveis no caso, como comparecimento pessoal em juízo e não se ausentar da cidade, por parte dos suspeitos, sem prévia autorização judicial", informou o advogado, ressaltando: "A prisão preventiva, hoje, no Brasil, é uma medida de exceção. Por isso, espero que seja revogada."
