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Metade dos calouros vem de fora

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A UFJF começa a sentir os reflexos do chamado "processo de nacionalização do ensino superior". Entre os 2.598 ingressantes pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) nos dois semestres letivos de 2013 da instituição, metade não é de Juiz de Fora, sendo oriunda de outras cidades de Minas e também de outros estados. Os novos alunos provenientes de outras unidades da federação representam 15,5% do total, segundo o levantamento do Centro de Gestão do Conhecimento Organizacional (CGCO) da UFJF.

Neste universo, a maior parte vem do Rio de Janeiro, seguido de São Paulo e depois Espírito Santo (ver quadro). A estatística é resultado da adoção do Sisu no lugar do antigo vestibular no último processo seletivo da universidade, que utilizou a pontuação obtida no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como único critério. Desta forma, 70% dos calouros ingressam pelo Sisu e outros 30% pelo Programa de Ingresso Seletivo Misto (Pism).

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A migração entre estados e regiões, na visão do chefe do Departamento de Estatística da UFJF, Tufi Machado Soares, pode aumentar o nível de seleção entre os candidatos. "Uma universidade moderna deve passar por um forte programa de intercâmbio, dentro e fora do país, tendo como principal benefício a troca de experiências e culturas."

Para o pró-reitor de Graduação, Eduardo Magrone, a chegada de alunos de fora do estado reforça o conceito e o objetivo das instituições federais de ensino. "A UFJF não deve priorizar somente alunos de Juiz de Fora, conforme era pregado anteriormente na ‘indústria do vestibular’, que criou a ideia de que as vagas da universidade deveriam ser destinadas a estes estudantes. Isso descaracteriza o seu propósito. Vejo que os estudantes juiz-foranos precisam se preparar, cada vez mais, para estarem aptos a concorrer. A qualidade de um aluno não é definida pela dificuldade da prova, mas sim pela disputa destas vagas."

Doutora em educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Maria Inês Fini, defende que, sob a ótica da democracia, todos têm o direito a ingressar na instituição de ensino que desejarem. "Uma universidade federal é mantida por recursos federais. É comodista e provinciano pensar que as vagas da UFJF precisam ser, exclusivamente, para alunos da cidade." Segundo Maria Inês, a proporção encontrada hoje na UFJF é grande. "De certa forma, isso causa um desconforto entre as escolas particulares e públicas, que serve como desafio para que reformulem a forma de ensino oferecido, para que fique compatível com outras escolas brasileiras: saindo do método da memória para a resolução de problemas a partir da aplicação da teoria, conforme a matriz sinalizada pelo Enem."

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Diversidade

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"Quanto maior a diversidade entre os alunos, melhor será a formação dos mesmos para a construção do perfil universitário", defende Eduardo Magrone. Ainda segundo ele, "a diversidade precisa ser o valor, e não o impedimento". Nos corredores da UFJF, estudantes também são favoráveis à convivência com colegas de fora de Juiz de Fora. Aluna do terceiro período de engenharia ambiental e sanitária, Thaís Lorraine Moreira, 19 anos, é de Ubá e conta que se sentiu desconfortável quando prestou o vestibular. "Achava injusto concorrer com pessoas de outras regiões, mas agora vejo o quanto é legal tê-las na turma e como elas são responsáveis por novas experiências." A mesma visão tem a estudante do segundo período de jornalismo Layrha Moura, 20. "Vejo que isso agrega novos valores para a turma, principalmente a forma de falar, o vocabulário diferente e os gostos musicais."

A UFJF sempre atraiu estudantes de toda a Zona da Mata. No entanto, agora, o Sisu permite a vinda de alunos das mais variadas regiões do país (ver mapa). Na turma do terceiro período de direito, por exemplo, os alunos já convivem com estudantes do interior de São Paulo, do Maranhão e até de outro país, como Angola. "Dos 50 alunos, acho que apenas 15 são de Juiz de Fora", ressalta Leonard Werneck, 18, de Miraí, que também notou um comportamento curioso entre eles. "Percebo que quem vem de fora geralmente se une a outros que também vieram de longe, formando uma família."

Também aluno desta turma de direito André Pinto, 22, admira as diferenças do comportamento humano: "Só temos a ganhar e acabamos agregando alguns hábitos deles aos nossos. Percebo também como o grau de autonomia de quem vem de fora é infinitamente maior do que o daquele que ainda mora com a família. São mais maleáveis e se adaptam melhor às mudanças."

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Resultado do ensino de qualidade

A utilização do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) como uma das formas de ingresso na universidade possibilitou um novo recorde na história da UFJF, fazendo com que o número de inscritos triplicasse, passando de 17.019 em 2012, quando o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) era utilizado apenas para a primeira fase, para 55.389 neste ano. Apesar de a UFJF não ter divulgado o número de inscritos de fora por curso, a medicina é um dos mais procurados pelos "estrangeiros".

A medicina se destacou como o mais concorrido. Cerca de 12 mil candidatos disputaram as 127 vagas oferecidas, o que resulta na relação de 96,18 candidatos por vaga. Para o coordenador do curso de medicina, Célio Chagas, a procura é reflexo do trabalho realizado junto aos diretores e ao corpo docente da graduação. "Mostra como a UFJF vem se posicionando em nível nacional. É o resultado do ensino de qualidade e da formação que temos dado aos nossos alunos."

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Preparação

Para os alunos que não são de Juiz de Fora, a UFJF oferece cinco modalidades de apoio estudantil para auxiliar na adaptação destes estudantes. São elas: alimentação, auxílio-creche, transporte, manutenção e moradia. Este último é exclusivo para jovens vindos de outras cidades, que morem em república, pensão ou residência familiar de não parentes, mediante pagamento de aluguel. "O aluno precisa ter esta infraestrutura, pois as mudanças não são pequenas", completa Magrone.

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