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Doenças respiratórias, virais e alérgicas crescem

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Menor umidade do ar, maior amplitude térmica (diferença entre a temperatura máxima e a mínima), chuvas raras e aumento da poluição por causa do tempo seco. Estas são características do outono, que provocam aumento das doenças respiratórias, virais e alérgicas. Segundo o otorrinolaringologista Antônio Bartolomeu Dias Júnior, crianças e idosos são os que mais sofrem na atual estação. Os primeiros não têm o sistema imunológico completamente formado, enquanto os idosos, geralmente, já possuem moléstias preexistentes, como hipertensão, osteoporose e problemas de coração, que podem se complicar com as doenças de outono.

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No Pronto Atendimento Infantil (PAI), por exemplo, há aumento de 40% da demanda por atendimento nesta época do ano, conforme informações da coordenadora da unidade, Kátia Pedretti. Já entre os pacientes da terceira idade, o aumento gira em torno de 30%, segundo a geriatra Stella Bittencourt, chefe do Departamento de Saúde do Idoso da Secretaria de Saúde.

Um dos que sofrem com a estação é Breno Fernandes Brasilino, 9 anos, que, no mês passado, precisou sair mais cedo da escola e ser levado ao PAI. A mãe, a professora Rogéria Muniz Brasilino, suspeitava de rinite ou bronquite, já que o filho tem as duas doenças alérgicas. "A mudança de temperatura influencia bastante", comenta.

O bebê David Mendes dos Santos, 8 meses, também teve que ser encaminhado à unidade pela mãe, a atendente Priscila Samara Mendes, por estar tossindo muito. "Já tem umas duas semanas que está assim. Ele toma remédio, mas não melhora".

A pediatra do PAI, Fernanda Sell de Miranda, nota que, nesta época do ano, os atendimentos aumentam principalmente de madrugada, pois é neste horário que as crianças sentem uma falta de ar súbita, consequência das crises noturnas de laringite e bronquite, por exemplo. "De dia está mais quente e, quando chega à noite, esfria, ocasionando essas crises". A pediatra diz que, entre bebês, também é muito comum o aparecimento da bronquiolite, que, diferente da bronquite alérgica, é uma doença infecciosa, causada por um vírus, que simula uma asma.

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Fernanda acrescenta outros males comuns da época, como a rinite, o resfriado e a gripe, os dois últimos provocados por vírus que, se não forem bem cuidadas, podem evoluir para doenças mais graves como pneumonia, amidalite e otite. "Considero que o outono é pior do que o inverno. Abril, maio e junho são os meses mais críticos, porque parece que o corpo ainda não se acostumou com o novo clima".

 

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Causas

"O ar entra mais seco pelo nariz. De manhã faz frio, à tarde esquenta, à noite esfria de novo. O nariz dilata e congestiona, o que atrapalha a respiração e causa secreção, gerando muita sinusite e rinite", explica o otorrino Antônio Bartolomeu Dias Júnior.

O médico aponta um aumento nos atendimentos que realiza nesta época do ano, principalmente os emergenciais, por infecção aguda de vias aéreas. O alergista Ricardo Bedinelli acrescenta que, quando a umidade do ar está muito baixa, as mucosas, como nariz, olhos e boca, secam, causando a alergia.

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Tanto Antônio quanto Fernanda concordam que a maior amplitude térmica é pior para a saúde que o frio. "Com o frio, o organismo se adapta, como as pessoas que vivem no Hemisfério Norte. No nosso continente e, especialmente em Juiz de Fora, a oscilação é pior", afirma o otorrino.

O ambiente mais fechado, com maior aglomeração de pessoas, é outro fator que facilita a propagação das doenças de outono. A pediatra acrescenta ainda que a temperatura mais amena da estação é ideal para a proliferação de microorganismos.

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