Elaine Alves mostra documento que enviou à Secretaria de Saúde, cobrando melhorias
A redução do atendimento de porta no Hospital Regional João Penido, uma das referências em urgência da cidade, prejudica a assistência pública da saúde e provoca protestos da comunidade. Desde que iniciou reforma para melhorar e ampliar a infraestrutura, há 60 dias, a unidade, cuja mantenedora é a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), tem sido alvo de questionamento da população. Insatisfeitos, moradores da área também se queixam da qualidade da atenção primária oferecida no Grama e da dificuldade de se conseguir consulta ambulatorial na Unidade de Pronto Atendimento de Saúde (Uaps) no bairro. Um abaixo-assinado está em andamento, pedindo providências para garantir a assistência. O diretor do João Penido, Márcio Itaboray, explica que os transtornos são temporários e ocasionados pelas intervenções, que devem durar mais 90 dias. Além da obra, ele atribui as queixas ao aumento da demanda, em função da procura do local para realização de consultas ambulatoriais, que não são de responsabilidade da instituição.
"As pessoas nos buscam devido à resolutividade do nosso hospital que, por ser público, sempre atendeu à comunidade, mesmo nas consultas para as quais não estava referenciado, já que a atenção primária não é nosso papel. Saltamos de 60 consultas por dia, em média, para 150 devido à questão do pronto-atendimento. Apesar de não ser nossa responsabilidade, sempre atendemos as consultas espontâneas. Com a obra, no entanto, não estamos conseguindo absorver essa demanda, mas continuamos a garantir a urgência, além das consultas especializadas. A população precisa entender que a função do hospital é dar resposta para as urgências e especialidades. O objetivo das intervenções, aliás, é melhorar as condições de atendimento. Estamos ampliando salas, além dos consultórios médicos", informou Márcio Itaboray, que também cita o processo de acreditação pelo qual passa a unidade, a fim de que possa receber novos incentivos financeiros. Segundo Itaboray, o João Penido é o segundo hospital público de Minas a buscar esse reconhecimento, embora afirme que a reforma não está vinculada à procura da certificação junto à Organização Nacional de Acreditação.
Redirecionamento
Apesar de usuários denunciarem falta de médico no João Penido, o diretor garante que não houve redução do quadro, apenas redirecionamento dos profissionais, devido à reforma. Pacientes relataram, ainda, a precariedade do espaço. Imagens obtidas pela Tribuna mostram quartos com mofo nas paredes e banheiros cujos vasos sanitários não possuem assento. De acordo com Itaboray, o hospital conta com manutenção permanente. "Em geral, tomamos muito cuidado, mas, em função da coisa pública, algo poderá ser encontrado. Até mesmo porque o próprio paciente não cuida", afirma.
Nessa sexta (1º), a assessoria da Secretaria de Saúde informou que o atendimento da urgência e emergência da cidade não está comprometido, garantindo, ainda, que as consultas especializadas no João Penido estão sendo realizadas normalmente.
Dificuldades também na Uaps do bairro
A reforma no Hospital João Penido também expôs o estrangulamento de vagas na rede de atenção primária, responsável pelo atendimento ambulatorial. Moradora de Grama, a dona de casa Elaine Cristina Ferreira Alves, 36 anos, confirma que, em função das restrições nas Uaps, o João Penido tornou-se endereço da comunidade, mas que os moradores têm encontrado dificuldade para serem atendidos no hospital. "Antes, chegávamos lá e havia consulta. Com a obra, no entanto, até a urgência teve problemas. Hoje o atendimento acontece, mas numa espécie de ‘operação tartaruga’. O tempo de espera passou a ser grande. Um hospital não pode parar em função de uma reforma", opina.
Elaine enviou, em abril deste ano, ofícios para a Secretaria de Saúde e para o Conselho Municipal de Saúde, pedindo melhorias em relação ao atendimento no hospital e na Uaps de Grama. "Esses dois equipamentos de saúde não têm correspondido às nossas necessidades preementes", escreveu no documento. Treze dias depois, recebeu resposta da secretária de Saúde, Maria Helena Leal Castro. "Em resposta ao encaminhamento de 10 de abril, informo que, no momento, o Hospital Regional João Penido encontra-se em reformas, com vistas ao melhor atendimento à população, certamente, no menor espaço de tempo possível." A titular da secretaria, no entanto, não fez menção às reclamações feitas à Uaps do bairro.
No dia 3 de abril, um cartaz afixado na unidade básica informava à população que apenas "sete fichas seriam marcadas", embora o número de consultas por médico seja 12. "Para conseguirmos atendimento na Uaps, precisamos chegar às 3h, mas nem sempre há vagas. Pior: os médicos não ficam no posto durante todo o horário previsto. Atendem um número determinado de fichas e vão embora", afirma Elaine. Além de Grama, a Uaps é referência para Recanto dos Lagos, Vila Montanhesa, Vila São José e Nova Suíça. Juntas, essas áreas somam uma população superior a oito mil pessoas.
A assessoria da Secretaria de Saúde afirmou que, na próxima segunda-feira (4), representantes da atenção primária vão se reunir com a equipe da unidade para definir suas necessidades. Informou, ainda, que será verificado o motivo pelo qual está sendo atendido número de pacientes inferior ao estabelecido.
