Tópicos em alta: delivery jf / coronavírus / vacina / tribuna 40 anos / polícia / obituário

Tribuna 40 anos: conheça os leitores que sempre estiveram com o jornal

Segundo caderno da série especial de comemoração da fundação da Tribuna prestigia os variados tipos de leitores


Por Sandra Zanella

02/05/2021 às 06h50- Atualizada 06/05/2021 às 17h08

Primeiros leitores da Tribuna buscavam as notícias nas bancas de jornal (Foto: Humberto Nicoline)

Um jornal não existe sem seus leitores. A partir da pauta, passando pela apuração da notícia, até a reportagem final, o foco do jornalista é dar voz às mais diversas reivindicações, suscitar debates e divulgar as informações relevantes, de forma ética e imparcial, cobrando eficiência do poder público.

Desde o dia 1º de setembro de 1981, quando foi publicada a primeira edição impressa da Tribuna de Minas, o jornal sempre esteve compromissado com o leitor – sua maior fonte de motivação e inspiração – para contar, dia a dia, a história de Juiz de Fora e região. Depois de se firmar como mídia impressa ao longo dessas quatro décadas e expandir seus horizontes para o ambiente digital nos anos 1990, a Tribuna chega em 2021 alcançando milhares de leitores diariamente em seu portal. O que representa um desafio cada vez maior para quem busca jornalismo de qualidade, alinhado à velocidade que o mundo virtual exige.

Com todas as revoluções tecnológicas que surgiram nesses 40 anos de existência, a relação entre quem escreve, edita e quem lê mudou, mas também ganhou cada vez mais importância e muitas formas de conexão. As cartas à mão foram dando lugar a e-mails e, mais recentemente, a comentários postados nas páginas do site ou nas redes sociais. O telefone continua sendo um importante meio de comunicação entre os dois lados, porém, as ligações foram cedendo espaço às mensagens pelo WhatsApp, aplicativo que chegou para estreitar ainda mais esse laço. As visitas à sede da Tribuna para uma reclamação ou sugestão olho a olho com o repórter foram ficando mais raras, no entanto, a sensação é que o imediatismo proporcionado pela internet contribuiu para uma aproximação ainda maior entre aquele que provoca e quem produz a matéria.

O resultado dessa parceria pode ser conferido nas coberturas realizadas nas mais diversas áreas, como política, economia, saúde, educação, segurança pública, cultura e esportes, sejam aquelas publicadas nas páginas impressas ou no site. Por trás dos fatos, há verdadeiras histórias de vida, principalmente nos momentos mais marcantes desse longo percurso, que nasceu na época da luta pela redemocratização do país e chega à maturidade em meio à maior pandemia global.

O editor-geral da Tribuna, Paulo César Magella, acompanhou bem de perto toda a trajetória do jornal e da sua relação com os leitores. “Naquela época (anos 1980), nós já tínhamos venda por telefone, e as reclamações vinham diretamente dos assinantes.” A tradicional sessão de cartas dos leitores também era bem procurada. “O jornal foi criado em um período crítico, de muita restrição política. E o Mello Reis (prefeito) só foi reconhecido como grande administrador depois, o prestígio dele estava muito baixo. Quando ele padronizou toda a calçada da Avenida Rio Branco, desagradou muita gente, porque havia lojas em diferentes níveis da via. (…) Os leitores sempre se manifestavam”, recorda.

“Quando entrei (em 1995), a redação estava na transição da máquina de escrever para aqueles computadores ainda antigos, os Gepetos, de processamento a oito bits. Era um tempo que parecia correr mais devagar. Dava para pensar melhor a produção e a reportagem do dia seguinte, parar para um café no meio da tarde. Alguns leitores iam à redação, conversavam, pediam matérias, outros mandavam cartas ou ligavam sugerindo pautas. A convivência ainda era mais próxima, não havia esta ligação virtual, rápida e fugaz como hoje. No entanto, não tínhamos tanto retorno assim do posicionamento do leitor sobre uma matéria após sua publicação. Não havia tanta facilidade para ouvir as pessoas onde quer que estivessem”, compara a jornalista Marise Baesso, que atuou por 25 anos no Grupo Solar, hoje Rede Tribuna de Comunicação, passando pelos cargos de repórter, editora de Geral e editora de Integração, até 2019.

No final dos anos 1990, a comunicação com o leitor ainda era incipiente por e-mail, sendo feita predominantemente por telefone, algumas cartas e poucas visitas, segundo Lilian Pace, que integrou a equipe a partir de 1997 e foi chefe de reportagem entre 2002 e 2018. “Para o jornalista profissional, o leitor é rei, mas naquele momento era um rei distante, não o rei onipresente de hoje. A internet, principalmente via redes sociais, transformou totalmente essa relação.”

Para a editora executiva de Integração da Tribuna, Luciane Faquini, a partir do trabalho mais intensivo com a internet e outras mídias sociais, as janelas para o mundo se multiplicaram. “Estamos muito mais conectados e em todos os lugares, e isso exigiu uma mudança de postura diante do leitor”, avalia. A preocupação com o receptor, muito presente nas apurações junto às instituições civis e públicas, ganhou outros contornos diante das novas possibilidades e do alcance por meio das várias plataformas. “O leitor nos coloca não apenas a demanda dele, mas faz crítica, elogia, denuncia, envia fotos, faz vídeo. Então ele passou a não só se comunicar, como a fazer parte do nosso conteúdo. As fotos saem no impresso e estão no site, assim como os vídeos. Nosso leitor está muito mais colaborativo, e o desafio do jornalista é qualificar cada vez mais essa relação”, completa Luciane, que está há mais de 25 anos no jornal.

Paulo César reforça que, com a atmosfera digital, o acesso à redação passou a ser feito principalmente por meio do WhatsApp e das redes sociais. “O contato ficou mais interativo. Antes, as demandas não tinham retorno imediato, dependiam da publicação das matérias.” Nesse sentido, o feed-back mais rápido e a interação cada vez maior são os principais estímulos. “Conversamos o tempo todo com o leitor. Quando uma matéria é publicada no site, logo surgem os primeiros comentários, e podemos aperfeiçoar o texto antes de publicá-lo no impresso. A curadoria do leitor nos ajuda, não tenho dúvida”, conclui o editor-geral.

Das cartas às mensagens pelo WhatsApp

Na solenidade de inauguração da Tribuna, em 1981, o fundador do jornal, Juracy Neves, fez questão de destacar o principal papel do novo veículo de comunicação: “Dar voz ao povo da região: ouvir, sentir e interpretar as suas mais legítimas reivindicações”. A frase é como uma bússola que guia os jornalistas nas apurações diárias e foi eternizada no livro “O homem da planície – vida, obra e ideias de Juracy Neves”, escrito pelo editor-geral da Tribuna, Paulo César Magella.

O jornalista Ronaldo Dutra também esteve nos primórdios do jornal, sempre como editor, seja nas áreas de economia, política, nacional ou internacional. O contato mais próximo com o leitor acontecia quando cobria férias na editoria de esporte ou como editor-geral. “Os Diários Associados estavam aqui há 70 anos quando a Tribuna chegou. No começo, houve uma certa resistência de grande parte das pessoas em lidar com aquele jornal novo. Mas o Diário Mercantil e o Diário da Tarde fecharam dali a três anos.”Com a Tribuna se tornando referência na cidade, os telefonemas e as cartas foram se avolumando. “Falavam muito de buraco na rua, falta de água, essas queixas do cidadão comum.”

As demandas de 40 anos atrás permanecem atuais e, talvez por isso, a coluna Vida Urbana continue sendo uma das mais lidas, com problemas sendo relatados por leitores diariamente pelos diversos meios de comunicação do jornal, e retornos por parte do poder público, que costuma se empenhar para a resolução das questões divulgadas.

“A Vida Urbana sempre foi um canal fortíssimo de ligação e troca de informações com o leitor, especialmente antes das redes sociais. O objetivo da prestação de serviço quanto a problemas da vida da cidade sempre foi 100% alcançado”, observa a ex-chefe de reportagem Lilian Pace. Ela acrescenta que a seção também permitiu a formação de elos mais fortes com os leitores que, eventualmente, se tornam fontes para matérias e até reportagens mais aprofundadas.

A jornalista Marise Baesso destaca que na Tribuna foram feitas várias rodas de conversas, levando leitores para a redação e para dentro de projetos. Outra aproximação aconteceu por meio da coluna de bairros, com uma página inteira aos sábados dedicada a escutar as demandas dos residentes de determinada área. “E isso é estar perto do leitor. Ouvíamos o morador mais antigo da comunidade, o que havia de diferente e de bom ali e, claro, denunciávamos também os problemas. Depois esse projeto se esgotou e vieram outros.”

Entre os mais recentes, ela cita o “Outras ideias”, vislumbrado e executado pelo jornalista Mauro Morais. “O que era o Outras ideias, se não o fato de trazer pessoas, muitas vezes silenciadas, para o jornal em um processo de escuta fantástico. Enfim, a relação do leitor com o jornal mudou, mas a essência se mantém sempre, e a essência é o leitor.”

Para Lilian, duas coisas importantes marcaram a transformação do papel ao digital: “O leitor passou a pautar muito mais a redação e, por outro lado, a redação passou a saber mais sobre ele. Essa conversa mais frequente trouxe uma parceria ganha/ganha, com o leitor mais representado e a pauta mais variada e vibrante. Jornalismo sempre se fez na rua, gastando sola de sapato, e, embora a velha máxima ainda valha, a internet e as redes sociais se tornaram uma janela privilegiada para a praça pública.”

A editora executiva de Integração, Luciane Faquini, pontua que os comentários feitos nas matérias, Instagram, Facebook e Twitter transmitem aos jornalistas não só conteúdos e denúncias, mas também ampliações de abordagens e outros olhares. Por meio da plataforma Google Analytics ainda é mensurado o comportamento do leitor no portal. “São gerados relatórios diários com o interesse de saber quais foram as páginas mais visualizadas, qual notícia causou mais interesse, o que nossa audiência está buscando mais. Com isso, indiretamente, o leitor está nos pautando diariamente e passamos a conhecê-lo.”

Luciane pondera que todo cuidado do jornalista com a checagem dos dados e dos fatos torna-se cada vez mais imprescindível. “Há muita fake news e desinformação nas mensagens que chegam até nós. Somos responsáveis por fazer o filtro para produzir informação com seriedade, que contribua para um processo de cidadania e formação do leitor.” A jornalista Lilian Pace observa que pauta nem sempre vira notícia. “Entre uma coisa e outra existe a velha e boa apuração que é o que garante informação de qualidade. A sociedade da era digital quer tudo para ontem, ao alcance de um clique. O jornalismo profissional não abre mão da checagem.”

Canais de comunicação

Além de publicar notícias e conteúdos na mídia impressa, em seu portal www.tribunademinas.com.br e nas principais redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter e YouTube), desde fevereiro deste ano a Tribuna passou a fazer disparos diários de links de notícias pelo aplicativo WhatsApp. A newsletter condensa as principais informações já disponíveis no portal e também pode ter edições extras sobre fatos urgentes, além de conteúdos especiais, como vídeos da TMTV. O objetivo de mais essa iniciativa da Tribuna é direcionar os leitores para informações com credibilidade, principalmente nesses tempos de tanta disseminação de fake news.

Confira:

Newsletter – O serviço gratuito pode ser solicitado enviando mensagem pelo WhatsApp para (32) 98439-3451. É importante que o usuário registre o número em sua agenda de contatos do smartphone para evitar que as mensagens enviadas sejam tratadas como spam.
WhatsApp – Já o número para sugerir pautas ou registrar denúncias por WhatsApp é (32) 99975-2627.
Telefone – A redação também pode ser contatada pelo número (32) 3313-4440
E-mail – O e-mail de contato é [email protected]
Cartas – O endereço é Alameda Pássaros da Polônia 35, Bairro Estrela Sul, CEP: 36030-770 , Juiz de Fora (MG)

O leitor autor de incontáveis artigos

O médico e escritor Sagrado Lamir David completa 87 anos no dia 9 junho e perdeu as contas de quantos artigos já publicou na Tribuna ao longo das últimas quatro décadas. Ele garante ter fôlego para continuar marcando presença na coluna Tribuna Livre, destinada aos leitores, seja para dar sua opinião sobre assuntos atuais ou para levar à reflexão sobre determinado tema. “Escrevo sobre tudo. Sou muito curioso. Jogo verde para colher maduro.”

Sagrado figura entre os 18 integrantes da primeira turma da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), iniciada em 1953 e da qual também fez parte o fundador do jornal, Juracy Neves. “Chamamos de turma dos 18 do Forte de Copacabana”, diz ele, aos risos.

Doutor Sagrado é um leitor conhecido dos jornalistas da redação.Sempre liga para o jornal a fim de conferir se seus artigos chegaram e quando serão publicados. Uma parceria que existe há 40 anos (Foto: Arquivo Pessoal)

O médico, que se especializou como alergista e imunologista, recorda que o paraninfo da classe foi o então presidente Juscelino Kubitschek. De lá até a aposentadoria como professor de farmacologia da UFJF, foram muitas histórias e lições de vida. Algumas delas Sagrado fez questão de registrar, mesmo as mais tristes: Dos seus cinco filhos, todos os três homens já faleceram. As primeiras duas perdas, ele transformou em versos.

A poesia ajudou a amenizar a dor do avô de seis netos. “Trabalhei o emocional do modo mais curativo possível, com amor próprio.”

O médico lembra que quando começou a escrever, antes do surgimento da Tribuna, mostrou dois artigos para um colega. “Ele achou muito bons, mas disse que eu não deveria publicá-los, porque, para ele, o que a gente escreve deve ser guardado para nós mesmos. Engoli aquilo e publiquei”, dispara o autor de cerca de dez livros e incontáveis artigos divulgados não só na Tribuna, mas em jornais de circulação nacional, como “O Globo” e “Jornal do Brasil”, e em outros mineiros, como o “Estado de Minas” e “O Tempo”.

Do amigo Fritz Utzeri, jornalista e cronista falecido em 2013, o médico e escritor guardou uma frase: “Ele disse que meus artigos são atemporais: quanto mais velhos, mais atuais ficam.” Com essa despreocupação – a do tempo -, ele revela que tem três livros inéditos para publicar quando a pandemia permitir. Enquanto isso, guarda com carinho aqueles já impressos, desde o primeiro, “Palavra e Ação – crônicas e artigos”, de 1983. Em apenas um dos lançamentos, o escritor vendeu 400 livros, um deles para Itamar Franco. “Era meu amigo pessoal, morávamos no mesmo prédio.”

Com muito carinho e orgulho, Sagrado cita outros nomes que, como Itamar, prefaciaram ou fizeram a orelha de seus livros, alguns deles falecidos nos últimos anos, como o famoso cirurgião plástico Ivo Pitanguy e o colega da classe de medicina, o psiquiatra José Carlos de Castro Barbosa, orador da turma e autor do livro “Criação da Faculdade de Medicina de Juiz de Fora”.

Aliás, o caminho até a faculdade, ele recorda, teve muito apoio de sua família. “Nasci em Bicas e, perto dos 10 anos, meu pai resolveu mudar-se com minha mãe para Juiz de Fora para que eu continuasse estudando, porque lá só tinha até o primário. Fiz o secundário, o ginásio e científico no Colégio São José. Depois, quis estudar medicina, e meu pai financiou para mim no Rio de Janeiro. Mas, em menos de um ano, minha mãe ligou e disse para eu voltar, porque havia aberto a faculdade aqui. Dos cem que tentaram, só passamos 18.”

A escrita para Sagrado é como um exercício para manter a mente sã. “Aprendi a não me precipitar.” Sobre a Tribuna, ele brinca: “Excelente! Senão, não estaria escrevendo nela!” Mas logo ele emenda em tom mais sério: “A Tribuna faz parte da cultura juiz-forana, e Juiz de Fora é classificada entre as principais cidades metropolitanas culturais do Brasil.” Sobre a mídia escolhida, ele assegura: “Tenho computador e sei mexer bem. Escolho o que eu quero e leio a Tribuna on-line. Gosto muito do Paulo César Magella, ele escreve sobre assuntos variados.”

Antes de terminar a entrevista, que rendeu uma boa conversa sobre antepassados sírios e libaneses, Sagrado, que hoje vive em uma das casas de repouso de uma de suas filhas, no Centro, deixa mais um aprendizado: “Recordações são lembranças, não são saudosismo.”

O jornal impresso como memória

Aos 95 anos, completados no último dia 11, o professor e reitor aposentado da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), José Passini, lembra como se tornou assinante da Tribuna bem no começo da história do jornal. “O professor Cruz era meu diretor no Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL).

Ele nos ofereceu a assinatura e, desde aquela época, continuo acompanhando as notícias da cidade pela Tribuna”, conta, se referindo a Afonso Ribeiro da Cruz, amigo e ex-sócio de Juracy Neves na Tribuna e na gráfica Esdeva.

Com humor, Passini diz que, atualmente, a sua esposa Norma, 78, é quem lê todo o jornal e repassa a ele as informações mais relevantes. Entre as últimas novidades, a mulher revela gostar de ler a coluna Esplanada, que fala sobre os bastidores da política nacional. “Eu acho a Tribuna muito importante para Juiz de Fora e me honro muito por ter um jornal diário na cidade, com uma boa tiragem”, avalia o reitor aposentado.

De leitor a personagem: Passini foi foco central de matéria publicada pela Tribuna em abril deste ano, quando foi lançada sua biografia. Ele é assinante do jornal desde o início de sua fundação

Como um dos palestrantes espíritas mais conhecidos no Brasil, Passini já viajou por muitos estados e também para o exterior. Ligado ao Grupo de Estudos Espíritas Garcia, com sede no Alto dos Passos, Zona Sul, ele não deixou de trabalhar, mesmo com a pandemia, e usa a tecnologia para continuar fazendo palestras virtuais da casa onde mora em um condomínio na Cidade Alta.

O casal está junto desde 1968 e tem cinco filhos. “Sempre acompanhamos a evolução do jornal e de Juiz de Fora nesses tantos anos”, enfatiza Passini. Como um dos mais antigos leitores da Tribuna, ele se considera conservador, já que continua com o hábito de ler o jornal impresso, embora já use o meio digital para suas palestras. “O jornal escrito fica como memória, podemos guardar os recortes. Quando vemos alguma coisa por via eletrônica, aquilo se perde.” O palestrante ainda diz tomar cuidado com as fake news, atualmente muito presentes nos meios digitais. “Por isso, prefiro um instrumento confiável.”

Também presidente da Associação Cultural Brasil-Estados Unidos (Acbeu), Passini admite, com aparente timidez, ter tido parte de sua trajetória acadêmica e religiosa retratada nas páginas da Tribuna. “Sou discreto, mas apareci sim, algumas vezes.” Da sua história, ele considera como momento marcante a sua nomeação para reitor da UFJF (1990-1994), em Brasília. “O Itamar Franco era o vice-presidente da República e foi até o Ministério da Educação assistir minha posse e me prestigiar. Depois que o Collor renunciou (1992), o Itamar, uma vez, foi à Reitoria e me pediu a sala. Me senti muito honrado por ele despachar de lá como presidente da República. Ainda tiramos uma foto com minha filha caçula.”

A mais recente publicação sobre Passini na Tribuna aconteceu no dia 9 de abril deste ano. A matéria fala sobre a sua biografia, “Do zero ao infinito – A trajetória de um determinado” (119 páginas, Editar), escrita pela delegada da Polícia Civil aposentada e jornalista Flávia Halfeld. O pai dela, Kleber Halfeld, falecido em 2015, era amigo de longa data de Passini.

O conteúdo continua após o anúncio

Do papel ao digital, aos 80 anos

Também assinante há mais de três décadas, o engenheiro civil Marcio Nalon de Queirós, 80 anos, conta já ter se habituado a ler a Tribuna pelo site. Mesmo recebendo o jornal impresso em sua casa na região central, onde mora com uma irmã e um irmão, também leitores, ele tem preferido a plataforma digital, na qual novas notícias são postadas e atualizadas durante todo o dia. “A Tribuna oferece informações locais que são muito úteis.”

A leitura no impresso não parou, mas tem se resumido à primeira página e ao obituário, sobretudo nesses tempos de pandemia, de muitas perdas. “Temos tido pouco contato com as pessoas neste momento.” Embora use a internet para obter informações, ele afirma ter cuidado com as fontes e busca aquelas que considera confiáveis, como a Tribuna. “Temos que selecionar, porque há muitas informações falsas circulando.”

Nalon é assinante da Tibuna há mais de três décadas

Formado em 1965 pela UFJF, Nalon trabalhou em outras cidades, inclusive no Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG). O retorno a Juiz de Fora aconteceu há mais de 20 anos. Devido à sua área de interesse, ele acompanha, principalmente, as notícias publicadas pela Tribuna sobre as rodovias da região e também a seção de esportes. “É um jornal importante para a cidade, que mostra as pessoas daqui, o esporte local. Já acompanhei muito o futebol e o vôlei, que se destacou por um bom tempo.”

Ele lembra que o município foi pioneiro em muitas coisas, como na primeira usina hidrelétrica do país (Usina de Marmelos- 1889). “A rodovia Juiz de Fora-Rio também foi uma das primeiras a ser asfaltadas. A cidade tem pessoas e fatos muito importantes, e o noticiário da Tribuna contribui para mostrar isso. Juracy (Neves) era um grande empreendedor e muito dinâmico.”

Pedro Nava marca relação de leitora com a Tribuna

O prazer de folhear as páginas da Tribuna faz parte, há 40 anos, da rotina da professora aposentada da UFJF e doutora em Letras, Ilma de Castro Barros e Salgado, 71 anos. Acostumada a ler, no início dos anos 80, os antigos jornais impressos que circulavam pela cidade – Diário Mercantil e Diário da Tarde, do grupo Diários Associados -, ela logo se tornou assinante do veículo de comunicação “novo nas ideias e objetivos”. Os laços entre a leitora e a redação foram ficando mais estreitos a cada reportagem sobre o escritor juiz-forano Pedro Nava, de cuja obra Ilma é pesquisadora.
A variedade de notícias da Tribuna em relação à cidade, aliada aos destaques nacionais e internacionais, conquistou Ilma ao longo das décadas. Mas o Caderno Dois, com as mais diversas reportagens de cultura, é a seção que realmente enche seus olhos. De leitora assídua, a professora passou a sugerir pautas e também a dar entrevistas, mantendo um constante contato com a editora Isabel Pequeno e, mais recentemente, com o jornalista Mauro Morais.

“Eu ia à Tribuna desde quando era na Rua Espírito Santo e também já fui ao novo endereço (Estrela Sul). Sempre fui recebida com muito entusiasmo. Eu e a professora Vanda Arantes do Vale somos estudiosas de Pedro Nava, e, em todos os nossos trabalhos, a Tribuna sempre esteve presente na divulgação. Uma vez, uma pesquisadora do poeta, de Londrina (PR), escreveu sobre ele e me disse que gostaria que saísse publicado no jornal da cidade dele. Repassei à Tribuna, que publicou o texto não só no impresso, mas também na íntegra no site”, relembra com alegria a docente de português, inglês e italiano.

Uma das reportagens que mais marcou a leitora foi sobre a comemoração do centenário de nascimento de Pedro Nava, em 05 de junho de 2003. “Foi uma grande cobertura, havia até um tipo de quebra-cabeça (desmontável) em que se via, de um lado, a imagem do memorialista; e do outro, pinturas de diversos artistas da cidade acrescidas de recortes de alguns dos livros naveanos.” Mais recentemente, ela acompanhou pela Tribuna a notícia, divulgada no dia 17 de fevereiro, sobre a data de 13 de maio, guardada, a partir deste ano, para homenagear os poetas e a poesia. O dia foi escolhido porque registra tanto o nascimento do poeta e escritor Murilo Mendes (em 1901), como a morte do memorialista, ilustrador e médico Pedro Nava (em 1984).

Acompanhando as evoluções tecnológicas pelas quais passaram o mundo do jornalismo, Ilma conta que costuma acessar o site da Tribuna, em média, três vezes por semana. “Continuo como leitora do jornal impresso, é uma forma de sentir a redação antiga sempre presente. Só tenho a elogiar e agradecer esse trabalho, que começou com o doutor Juracy (Neves) e continua com a família dele, e também a todos os jornalistas. Percebemos como essa equipe se esforça para dar a notícia clara e correta, com cuidado linguístico e gramatical.”

Mesmo quando passa temporadas descansando em sua granja no Filgueiras, Zona Nordeste – local preferido por ela, sobretudo diante da Covid-19 -, a professora aposentada da UFJF encontra um tempinho para buscar seus jornais que se acumularam na portaria do prédio onde mora no Centro. “Acesso o site de vez em quando, para saber o que está acontecendo, mas gosto mesmo é de folhear.” Mesmo assim, ela acompanhou intimamente a evolução do papel ao digital, já que os comentários sobre as matérias que eram enviados à mão ou por e-mail passaram a ser feitos dentro dos próprios espaços no site. “Minha ligação com a Tribuna é muito forte.”

Abrangência

Com a experiência em escolas públicas de quem foi uma das professoras fundadoras da Polivalente do Teixeiras, Ilma faz questão de ressaltar que a Tribuna não é lida apenas por pessoas mais letradas e observa sobre sua abrangência em diferentes níveis sociais: “Uma vizinha muito minha amiga aqui em Filgueiras, a Eneida Marques de Oliveira, de 61 anos, é doméstica, só cursou o ensino fundamental básico (antigo primário) e todos os dias tem acesso ao noticiário on-line do jornal. Outra amante da Tribuna.”

Apesar de ainda gostar de segurar o papel, a professora considera importantíssima a transição da Tribuna para as plataformas digitais. “Diante das mudanças tecnológicas, o jornal sempre veio se adequando ao cotidiano. Tenho muitos amigos que moram fora da cidade e do Brasil e que acompanham diariamente, pelo site da Tribuna de Minas, tudo o que está se passando em Juiz de Fora.” Ela pondera que essa adaptação do jornalismo é necessária, pois ao longo das últimas décadas houve uma transformação cultural e de hábitos. “O pessoal memorialista (ligado ao impresso) está diminuindo muito. É uma geração de leitores que está acabando”, lamenta.

Os laços entre Ilma e a redação foram ficando mais estreitos a cada reportagem sobre Pedro Nava, de cuja obra ela é pesquisadora (Foto: Fernando Priamo)

“Parafraseando Pedro Nava, sou juiz-forana daquelas que dizem: graças a Deus. Tenho muita alegria por continuar sendo assinante da Tribuna e também leitora do site.” Em 4 de junho de 2017, ela estampou a capa do Caderno Dois com a matéria sobre o lançamento de seu sétimo livro, “Juiz de Fora apresentada por Pedro Nava”, publicado pela Editar, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura Murilo Mendes, da Funalfa. A professora conclui que o jornal tem o cuidado de “tornar viva a obra de ilustres juiz-foranos, dentre eles o médico e memorialista, Pedro Nava”.

Caminho inverso, sem abandonar a tecnologia

Ao longo desses 40 anos, a Tribuna veio conquistando novos leitores de várias gerações, nas mais diversas plataformas disponíveis para circulação das notícias. O bacharel em direito Rogério Alves da Silva, 36 anos, teve seu primeiro acesso ao jornal por meio do Instagram e, em março deste ano, tornou-se assinante do impresso. Apesar do aparente caminho inverso à evolução das mídias, ele, entretanto, não abriu mão da tecnologia, já que a assinatura foi feita de forma simples, por meio do WhatsApp. “Optei por assinar para ter contato com o jornal por inteiro. Gosto bastante da diversidade de conteúdos, além de ficar informado sobre as notícias da cidade. Também leio muito as colunas, como a do Thiago Almeida (Fiel da Balança), que foi meu professor de processo penal.”

Natural de Conselheiro Pena (MG), no Vale do Rio Doce, próximo a Governador Valadares, Rogério chegou a Juiz de Fora há cerca de sete anos e, atualmente, mora na Zona Sul com a esposa e um filho de 3 anos. “É uma cidade estruturada e tranquila para se viver.” Ele acredita que a busca diária por informações pode ajudá-lo nos concursos públicos. “Essa leitura ativa é muito importante, para saber transmitir depois e escrever melhor, além de ser um meio de se atualizar quanto à escrita. O valor do jornal é indiscutível.”

Do Instagram para o papel: Rogério quis fugir do excesso das redes sociais e optou por se informar no jornal impresso (Foto: Arquivo Pessoal)

Rogério lembra que, ao se estabilizar no município, logo procurou saber nas bancas qual era “o jornal da cidade”. Embora no começo se informasse por meio do Instagram e dos cliques, ele preferiu o papel ao digital também para escapar um pouco das redes sociais – que ele considera consumirem muito tempo entre uma coisa e outra – e para evitar as fake news difundidas no mundo virtual.

“Tomo muito cuidado e, por causa dos estudos, tive que abdicar do excesso das redes sociais. Acho que as fake news já são feitas para estimular as pessoas a passarem aquele conteúdo para frente. Quando nos envolvemos naquela emoção, nem pensamos sobre aquilo direito. Acho que nós brasileiros não estávamos preparados para receber essa avalanche de informações que os meios informáticos trazem, e estamos muito atrasados em termos de legislação. Muitas pessoas acabam nem se questionando se aquilo que leu é verdadeiro. Por isso, busco veículos com credibilidade, como a Tribuna. Sei que por trás há profissionais envolvidos, que sabem da importância das informações.”

Com a pandemia, o leitor também viu na Tribuna um fácil canal de comunicação para denúncias e reivindicações, encaminhando sugestão à redação pelo direct do Instagram. “Falei a respeito de aglomerações. Depois, com a onda roxa (fase mais restritiva do programa estadual Minas Consciente), a situação melhorou.” Ele considera os canais de comunicação na era digital muito relevantes para qualquer empresa e cita como exemplo de boa ferramenta o próprio aplicativo WhatsApp . “Eu me desliguei muito de fazer ligações. Há muita facilidade nas mensagens, porque a pessoa visualiza e responde quando pode, é menos invasivo.”

Do impresso herdado da avó às redes sociais

Apesar da pouca idade, o estudante de jornalismo Pietro Matheus Carneiro Gomes, 22 anos, também confessa sua preferência pelo jornal impresso, hábito que ele herdou da avó, quando ainda era criança. Mas ele não parou por aí e também embarcou nas vastas possibilidades oferecidas pelo veículo de comunicação. “Acompanho alguns vídeos no YouTube, acho muito legal as produções de conteúdo. A Tribuna vem evoluindo bem com as mudanças do mundo nesses últimos anos.”

Da história familiar permeada pelo jornal, Pietro traz boas recordações. “Meu acesso à Tribuna começou quando eu era mais novo. Eu ia para a casa da minha vó, e ela sempre foi assinante. Nos almoços de família ou em qualquer outra ocasião, sempre me interessava em ler ou passar o olho, mesmo pequeno. Já brincava com jornal e queria sempre mexer com a Tribuna. Sempre preferi pegar mais no papel a ler na tela de um computador ou celular.”

Pietro aprendeu em casa o gosto pelo jornal e lembra que muitas cidades não contam com meios de comunicação para se informar (Foto: Arquivo Pessoal)

Com o passar dos anos, no entanto, surgiu a atração pelas redes sociais da Tribuna. “Comecei a seguir para acompanhar as notícias no Instagram ou Facebook. A área que sempre me interessou em Juiz de fora foi a de eventos. Eu gostava de ver o que ia acontecer na cidade e as pessoas. Minha vó sempre mostrava alguém conhecido que aparecia nessa parte ou na coluna do César Romero, e eu achava chique .”

Para o jovem que pretende seguir a profissão, é muito importante “termos um jornal tão bem consolidado e bem trabalhado, de porte grande, para nossa cidade se manter informada e para termos as informações da região de forma simples, rápida e direta, como a Tribuna fez e faz tão bem há tantos anos”. Na opinião dele, “Juiz de Fora tem que estar muito feliz e satisfeita por ter a Tribuna aqui, porque muitas cidades não têm esse meio de comunicação.”

Carta guardada a sete chaves

Em tempos de manuscritos cada vez mais raros, receber uma carta com uma bela e detalhada sugestão de pauta surpreendeu os próprios jornalistas da Tribuna em 2011. Há dez anos, a tecnologia já havia dominado boa parte da comunicação com os leitores, e aquele papel tinha ainda uma importância a mais: o remetente era Clodesmidt Riani, advogado, ex-deputado estadual, considerado um dos juiz-foranos mais influentes na política do século XX, com currículo de sindicalista reconhecido internacionalmente. Ele completou um século de vida no último dia 15 de outubro, pouco depois de vencer a batalha contra a Covid-19.

Carta escrita por Riani: um raridade em tempos digitais, a carta foi manuscrita por um personagem histórico da cidade

A carta também tinha destinatário: o repórter Eduardo Valente, hoje editor e coordenador de Internet da Tribuna. “Publicamos uma matéria no jornal mostrando que 1.200 crianças aguardavam vagas nas creches públicas, e o drama de pais e mães. Depois dessa reportagem, o Riani nos mandou essa carta dizendo que ele havia doado para o Município um terreno em Filgueiras e que havia a promessa de construção de uma creche no bairro. Fizemos uma segunda matéria, revelando a demanda das creches na Zona Nordeste.”

Além da atenção em torno da figura histórica de Riani e da relevância do assunto tratado, Valente revela o motivo de ter guardado o manuscrito em seu arquivo por uma década. “Em 2011 já era um fato muito raro a redação receber carta. Recebíamos algumas com comentários de matérias, coisas mais gerais. Essa era direcionada a um repórter, comentando uma matéria publicada e sugerindo outra.”

Críticas e sugestões

O interesse do leitor é o que continua a norter as pautas da redação. No entanto, as sugestões mais frequentes surgem pelas redes sociais e pelos comentários postados nas próprias matérias. A editora executiva de Integração da Tribuna, Luciane Faquini, enfatiza que pelo Google Analytics também é possível medir os assuntos mais desejados e saber quais foram os mais lidos. “Tivemos recordes de acesso nas eleições municipais do ano passado e em alguns momentos da cobertura da pandemia, como, por exemplo, quando a Prefeitura anunciou, pela primeira vez, as medidas restritivas de fechamento do comércio.”

Marise Baesso, ex-editora da Tribuna, professora e doutora em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), observa que o jornal também precisa levar até o leitor algo inesperado. “A relação vai sendo construída também com a credibilidade dos nomes da redação e, assim, cria-se uma relação de confiança, mesmo que o rosto do jornalista não seja tão conhecido, como ocorre na TV ou com a voz, no rádio. E a Tribuna tem e sempre teve uma equipe altamente qualificada que sabe ouvir, mas também surpreender o leitor, com jornalistas da velha guarda e também com jovens, que falam de diferentes maneiras.”

A especialista acredita que se o leitor antes era mais passivo, talvez fosse por falta de uma tecnologia que permitisse sua maior atuação. “Independentemente de ser um mundo mais digital do que antes, vai ter sempre leitor para o jornalismo feito com profundidade, com seriedade, respeito, apuração e checagem. Hoje temos as chamadas reportagens long form nos sites, não existem mais veículos de plataformas únicas. Então, a Tribuna também foi crescendo para atender o leitor, criando vídeos, aumentando a interatividade.”

De JF para o mundo

Com a comunicação globalizada, a Tribuna conquistou leitores não só de Juiz de Fora e região, mas de várias partes do Brasil e do mundo, ampliando também seu rol de fontes. “Lembro de uma vez que havia uma juiz-forana na França quando houve o atentado ao jornal francês Charlie Hebdo, em 2015. E ela nos contou pelas redes sociais como estava a situação lá naquele momento, mandou fotos e deu suas impressões para os juiz-foranos com o olhar de uma juiz-forana. E este passa a ser o diferencial do jornal. Falar de maneira única e micro para o seu leitor, mesmo estando em um universo tão macro”, destaca a ex-editora da Tribuna, Marise Baesso.

Antes de ganhar a atenção de leitores de outras regiões do país e até de fora dele, entretanto, a Tribuna passou por um período de transformação, firmando-se como referência em informação de qualidade para várias cidades do entorno, na Zona da Mata e no Campo das Vertentes. “A partir de 2011, quando o site da Tribuna deixou de ser apenas uma reprodução do jornal impresso e se tornou um portal de notícias com atualização em tempo real, tivemos a possibilidade de ampliar a área de cobertura e dar mais espaço para as outras cidades da região. Essa era uma demanda dos leitores dos municípios vizinhos”, conta Guilherme Arêas, que fez parte da equipe de jornalismo on-line como repórter e editor adjunto entre 2009 e 2018.

No topo das cem cidades que mais acessam o portal da Tribuna, entretanto, não estão apenas municípios próximos, como Ubá, Cataguases, Santos Dumont, Leopoldina, Muriaé e Barbacena, mas também a capital Belo Horizonte, Betim, na região Metropolitana, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo. As cidades fluminenses de Cabo Frio, Três Rios e Petrópolis, além Curitiba (PR) e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, também aparecem na listagem, que ainda inclui capitais de todas as regiões do país.

“É muito comum observarmos, quando fazemos matérias de cidades pequenas da região, que elas ficam entre as mais lidas do site. Estamos nos aproximando de um leitor que tem carência de um veículo de imprensa para cobrir os principais fatos e promover debates de uma forma mais profissional”, aponta a editora de Integração, Luciane Faquini.

O outro lado

As novas ferramentas digitais permitem, no entanto, que os leitores façam comentários indelicados, que podem resultar até em crimes de injúria, calúnia e difamação contra personagens que estão nas matérias ou contra os próprios jornalistas. “Isso é desnecessário e mostra, algumas vezes, a falta de maturidade e de espírito democrático. Mas sempre defendi que estas opiniões estivessem aparentes, pois os debates ao final das matérias são um fórum aberto”, acredita Marise Baesso.

A editora executiva Luciane Faquini afirma que a Tribuna sempre primou por deixar os comentários abertos nas páginas do site, mas os casos que contêm ofensas graves não são tolerados. Já as críticas e sugestões, sempre são bem-vindas. “No início, gerou muito estranhamento e desconforto, mas receber a crítica é importante, por isso ter esse espaço aberto. Nosso papel como jornalista é fazer o filtro.”

Na visão da professora Marise, há um movimento de descredenciar o jornalismo por parte daqueles que tentam espalhar informações falsas, baseadas mais em opinião do que em informação apurada e científica. Diante disso, segundo ela, o bom jornalismo precisa estar mais perto do público, principalmente com o avanço tecnológico acelerado.

Luciane ressalta que, como veículo de comunicação, a Tribuna também tem outras responsabilidades, além da de agradar o receptor, como acompanhar o que acontece de mais importante na economia e política da cidade e fiscalizar o poder público, mostrando, por exemplo, o que a Prefeitura e a Câmara estão fazendo ou deixando de fazer em prol do bem comum. “Com isso, o leitor também vai se habituando a ter um outro olhar, uma visão mais crítica da realidade.”

Um compromisso com as informações precisas está na coluna Erramos, publicada no impresso ou abaixo de matérias no site, explicando alguma correção realizada no conteúdo. “É mais uma forma de respeito com o leitor e compromisso com a verdade”, constata a editora executiva de Integração. “A redação do futuro é essa: receber de forma mais colaborativa o leitor e trazê-lo para dentro do jornal, construindo em conjunto a notícia.”

Expediente:

Juracy Neves: Fundador
Márcia Neves e Suzana Neves: Diretoria Geral e Comercial
Marcos Neves: Diretoria de Edição
Paulo Cesar Magella: Editor Geral
Luciane Faquini: Editora Executiva de Integração
Sandra Zanella: Reportagem
Fernando Priamo: Fotos e edição de fotografia
Lena Sperandio: Projeto gráfico e diagramação
Luciane Faquini: Coordenação geral e edição

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é dos autores das mensagens.
A Tribuna reserva-se o direito de excluir postagens que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros.



Desenvolvido por Grupo Emedia