
O medo da febre amarela tem colaborado para a eclosão de casos de agressão contra macacos em diversas partes do país. Todavia, o animal, que não transmite a doença, deve ter sua presença considerada como positiva perante a população, posto que ele serve como sentinela, alertando as autoridades competentes de que medidas preventivas devem ser adotadas. Em Juiz de Fora e região, é comum encontrar as espécies bugio e mico-estrela bem perto das áreas residenciais e, de acordo com o médico-veterinário do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Érico Furtado, a população precisa e deve aprender a conviver com essas criaturas, tendo consciência sobre a importância delas para o meio ambiente. “Saber conviver não é alimentá-los, mas sim estar em harmonia com eles, pois macacos, ouriços-cacheiros, gambás, tucanos e maritacas são animais que estão se adaptando aos centros urbanos. As unidades de conservação, como Parque da Lajinha, Reserva do Poço D’Anta e Mata do Krambeck, são ilhas verdes na cidade, mas, eventualmente, esses animais acabam migrando para áreas residenciais onde ainda há presença de árvores que podem abrigá-los”, explica o profissional. Ele ressalta que esse processo de migração precisa ser entendido pelos seres humanos. “Agredir um macaco é sinal de falta de educação, de informação, além de ser crime ambiental. Se alguém for pego em flagrante agredindo um animal, irá responder por isso. O crime prevê multa e detenção. As pessoas precisam entender que o macaco não é transmissor da febre amarela, que é transmitida pelos mosquitos. Por isso, o mais importante é controlar os reservatórios de proliferação de mosquitos, que são pontos de água parada”, adverte Érico, acrescentando que os macacos são primatas, assim como os seres humanos e, portanto, sofrem dos mesmos sintomas que as pessoas. “Todavia, ele não pode ser imunizado como nós. Então, quando a doença surge nos macacos, eles funcionam como sentinelas, mostrando que o vírus está circulando nas matas.”
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