Com a chegada de mais um feriado prolongado, quando o fluxo de data:text/mce-internal,automóveis nas estradas cresce, um dado preocupa: o número de vítimas fatais, em razão de acidentes, saltou de 23 para 42, comparando janeiro e fevereiro de 2014 com igual período deste ano nas rodovias da região. Somente na malha estadual foram 22 óbitos, embora a 4ª Companhia Independente de Meio Ambiente e Trânsito Rodoviário (4ª Cia.Ind.Mat.) não tenha divulgado em quais estradas as ocorrências foram registradas. Na BR-040, ocorreram mais 19 mortes no trecho de competência da delegacia local, que compreende o segmento que vai da divisa de Minas Gerais com o Estado do Rio de Janeiro até Ouro Preto, e mais uma na BR-267, na região de Lima Duarte.
No caso da BR-040, chama atenção o fato de o número de acidentes ter reduzido de 257 para 236, mas o de feridos aumentado, de 161 para 299. Levando em consideração apenas os que ficaram em estado grave, a ampliação é de 35 para 74. Ou seja, embora os dados apontem declínio na quantidade das ocorrências, os registrados mostram que a violência é cada vez maior. Pior: somente no segmento que coincide com os limites territoriais de Juiz de Fora ocorreram cinco mortes, índice que perde apenas para os trechos da mesma rodovia em Cristalina (GO) e Duque de Caxias (RJ), com sete, e empata com Congonhas, onde houve cinco óbitos.
Segundo o inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Armstrong Carvalho, chefe da Delegacia de Juiz de Fora, de fato, os acidentes estão mais violentos, e esta é uma observação dos policiais que atuam na região. Difícil, segundo ele, é analisar apenas uma razão para que isso aconteça. Em sua opinião, trata-se de uma soma de fatores, como o aumento da frota de veículos que, por sua vez, estão cada vez mais velozes, além das melhorias das condições estruturais das estradas. “Depois que a nova concessionária (Via-040) assumiu o trecho, já houve serviços de recapeamento. E, com a pavimentação melhor, o motorista acaba correndo mais. O condutor brasileiro tem esta cultura negativa de não respeitar o limite de velocidade, e situações como essas acabam agravando os acidentes. Falta conscientização.” O inspetor acrescenta que, estatisticamente, 90% dos acidentes ocorrem por falha humana, que pode partir da imprudência, do descuido ou da falta de cuidados com a manutenção dos automóveis.
Para tentar frear os resultados negativos, a PRF atua com as fiscalizações rotineiras e diárias, tanto na BR-040 como na BR-267. “Investimos cada vez mais em tecnologia, como radares e etilômetros, que nos auxiliam neste trabalho. Também focamos nossas abordagens nas inspeções veiculares, verificando documentação, pneus e faróis”, disse Carvalho.
Toda a BR-040
Nos 1.178,7 quilômetros da BR-040, entre o Rio de Janeiro e Brasília, a PRF registrou, nos dois primeiros meses deste ano, 62 mortes, uma a mais que em 2014. Destas, 42 ocorreram em Minas Gerais, 11 no Rio de Janeiro, duas no Distrito Federal e sete em Goiás. Conforme a Via-040, concessionária responsável pelo traçado de Juiz de Fora a Brasília, as duplicações tiveram início a partir de Brasília. Na opinião de Armstrong, os acidentes e a violência deles poderão diminuir a partir da duplicação. Isso porque, muitos registros, atualmente, são por colisões frontais e laterais.
Nas estaduais, vítimas saltam de dez para 22
Na malha estadual, o total de feridos reduziu de 264 para 228 de janeiro e fevereiro do ano passado para o mesmo período em 2015, mas os óbitos mais que dobraram, indo de dez para 22. Estes dados referem-se às cerca de 50 estradas de competência da 4ª Companhia Independente de Meio Ambiente e Trânsito Rodoviário (4ª Ind.Ind.Mat.) da Polícia Militar, responsável pela fiscalização em 86 municípios do entorno, incluindo as regiões de Juiz de Fora, Ubá, Muriaé, Carangola e Além Paraíba.
Embora não tenha sido informado onde ocorreram as mortes, as estradas com maior número de acidentes este ano são a MG-447 (Ubá a Cataguases) e MGC-265 (divididos em quatro trechos, como o entre Muriaé a Miraí), ambas com 36 registros; MG-353 (via de acesso a municípios como Guarani, Rio Novo, Goianá e Coronel Pacheco), com 31; e BR-120 (na região de Viçosa), com 30.
Coincidentemente, este ano os radares das estradas de competência do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG) estão desativados por causa de problemas no processo licitatório, o que poderia estar contribuindo para o aumento dos abusos e, consequentemente, de acidentes com vítimas fatais. Segundo o comandante do Pelotão de Trânsito Rodoviária da PM, tenente Jader Augusto, independentemente dos dispositivos estarem ou não funcionando, é importante que o condutor obedeça a velocidade permitida no trecho. “Também atuamos com os radares móveis nas estradas, e eles podem estar, inclusive, nos locais dos equipamentos fixos.”
Sobre o aumento do número de mortos e queda no de acidentes, Jader também afirma que as batidas estão violentas, e isso se deve às mesmas razões apontadas pelo inspetor Armstrong Carvalho, da PRF. Ou seja, excesso de velocidade, falta de atenção ao volante e ultrapassagens em locais proibidos. “É importante que as pessoas respeitem as sinalizações. Não é porque o asfalto está em boas condições que o motorista pode tentar adiantar a viagem.”

