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Escola municipal recebe prêmio nacional de meio ambiente com apresentação de dança

escola municipal união da betânia fernando 1
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Um espetáculo de dança para a conscientização do uso da água. Essa foi a proposta da Escola Municipal União da Betânia, vencedora de um concurso nacional sobre meio ambiente. A instituição, situada no Bairro Granjas Bethânia, região Nordeste de Juiz de Fora, foi representada por alunos do 5º ao 9º ano, além de ex-alunos, totalizando aproximadamente 25 participantes. Competindo com adversários que apostaram no conteúdo de Ciências para discutir o tema “Meio Ambiente e Ciência: Água – economizar para não faltar”, a equipe juiz-forana pensou diferente e apostou na dança contemporânea como melhor forma de expressão para a disputa.

Projeto casou Dança e Ciências para sensibilizar a comunidade sobre o consumo da água (Foto: Fernando Priamo)

Além do título, o primeiro lugar obtido reflete o sucesso de um projeto que foi muito além de ensaios em sala de aula, envolvendo também a história da comunidade e a luta da escola pela conscientização dos moradores. No início de 2019, o bairro chegou a concentrar 78% dos casos de suspeita de chikungunya, com 113 das 144 notificações da cidade, como mostrado pela Tribuna em fevereiro. “Muitos dos nossos alunos adoeceram nesse período, além de professores e funcionários”, relembra a diretora Jaqueline Pacheco. “Todo ano trazemos esse assunto para a escola na época das doenças, um trabalho que começou aqui e se expandiu para o bairro. A dança culminou com um mutirão, passeios pelo bairro para coleta de lixo, divulgação e trabalhos em sala”, explica ela, que também destaca a parceria da escola com órgãos públicos, como Demlurb, Cesama e as secretarias de Meio Ambiente e de Educação. A instituição viu os números de casos caírem ao longo do ano e acredita que as parcerias, também estabelecidas com a UBS e a Associação de Moradores, fizeram diferença.

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“Queríamos levar a questão, não da conscientização, mas da sensibilização, para a sala de aula”, explica a professora de Ciências, Kássia Nascimento, responsável pela turma do 5º ano. “A gente não vai mudar a situação da água no planeta só fechando a torneira e economizando gotinha por gotinha. Aquela água que está parada no quintal pode trazer doenças para mim, mas também é um tipo de desperdício. Em vez de deixar uma água parada, acumulando em um lixo que está no meu terreno, posso captar essa água para reutilizar.

E (pensar) como esse lixo que está no quintal pode nos prejudicar, porque vai chover e ele vai ser levado para dentro do rio, um córrego pode transbordar e tudo pode voltar para mim como doenças e perdas materiais. De cantinho em cantinho, podemos mudar um bairro”, observa. Segundo a educadora, esse ano, os alunos também sentiram na pele a escassez de água que atingiu as casas e a escola, por cerca de 15 dias.

A partir de abril, visando a disputa do Prêmio ArcelorMittal de Meio Ambiente, duas disciplinas – Dança, ministrada pelo professor Herbert Hischter, e Ciências, das professoras Kássia Nascimento e Carla Aparecida Oliveira -, se uniram nos primeiros passos da ideia. A partir da articulação, que também foi englobando outros educadores, as discussões em classe foram moldando o trabalho, que culminaria na produção de uma vídeodança, vertente da arte contemporânea. A obra foi intitulada “Água, muito além de fechar a torneira”, e teve como cenário, além da própria escola, uma cachoeira em Monte Verde e o Jardim Botânico da UFJF, que tiraram os alunos de sala e os aproximaram do meio ambiente. A preparação aconteceu paralelamente às atividades do calendário acadêmico. Os movimentos da dança foram criações dos próprios alunos, incorporando os conhecimentos adquiridos sobre o tema, ao longo do ano, nas aulas de Dança, conteúdo extracurricular oferecido pela instituição. A produção contou com o apoio da comunidade, que cedeu o figurino, através de parcerias, e, por meio de evento e sorteios, ajudou na arrecadação de verba para o transporte até os locais das filmagens. Para Ana Luiza, estudante do 5º ano, que participa da disciplina desde o ano passado e nunca havia visitado o Jardim Botânico antes da gravação, vencer o concurso foi gratificante. “Senti uma emoção que me deu vontade de chorar, porque foi minha primeira vitória”, sorri.

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“Ninguém tinha ideia do que iria aparecer no final. O que é treinado com os meninos durante o ano inteiro são em turmas, dias e horários diferentes e, depois, o Herbert colocou todos no ensaio geral e saiu o resultado. Quando esse vídeo nos foi apresentado, relembramos daqueles lugares onde ficamos cinco, sete horas filmando e refazendo, porque não deu certo a tomada ou porque a luz não ficou legal. Mas aquele um minuto e meio de dança valeu a pena”, se emociona a diretora Jaqueline.

“Foi a primeira vez que a escola resolveu apostar em uma veia diferente, que não seja um conhecimento científico puro, como uma experiência, mas que fosse voltado para a sensibilização da comunidade como um todo. Foi um desafio muito grande”, ressalta a professora Kássia Nascimento.

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Para chegar ao primeiro lugar da categoria Cientista Jovem II, os alunos superaram a Escola Municipal Adair de Oliveira Pinto, do município de Quartel Geral (MG), e o Colégio Centec – Rede Doctum de Ensino, de João Monlevade (MG). Em oito anos de participação no prêmio, essa é a primeira vez que a escola é contemplada.

Discutir, dançar e transformar

Segundo a diretora, o projeto de dança é uma disciplina opcional, oferecida apenas aos jovens que desejam frequentá-las – atualmente, cerca de 23 matriculados, inclusive ex-alunos. “Nós abraçamos a causa de um professor competente que faz trabalho de base com os alunos.”

Para Brenda Vitória, 12, aluna do 6º ano, a dinâmica de integração e reflexão é uma oportunidade de adquirir novos conhecimentos. “Antes de começarmos a montar a coreografia, e o professor escolher as músicas, a gente sempre senta e faz um debate sobre o tema, conversa antes para saber mais do que vamos fazer. Não é algo que só o professor escolhe, escolhemos juntos os movimentos”, explica.

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“Quando eu era muito pequena já dançava”, conta a jovem Maria Helen, 11, do 5º ano. “Eu tento me expressar o máximo possível e sinto que eu tento não descontar minha raiva nas pessoas, então danço. Quando estou dançando sinto que estou mais livre”, diz.

“Ser contemplado com esse prêmio faz acender a chama de que ainda temos esperança e perceber que é o aluno que faz a escola”, enfatiza o professor Herbert Hischter (Foto: Fernando Priamo)

“Somos criadores daquilo que queremos propor, entendendo que a dança é um meio de comunicação, um meio de discutir política e qualquer outra coisa que queremos falar. Não precisamos das palavras, mas o nosso corpo está se expressando”, analisa o professor Herbert Hischter.

“O mais interessante desse trabalho é a construção coletiva, qualquer coisa que é proposta, a galera abraça, mesmo com todos os apertos de escola pública. Acho que as pessoas precisam ter apenas um pouco de boa vontade, que o trabalho acontece, não precisa ter uma mega estrutura”, comenta ele, ressaltando a carência também da comunidade onde essas crianças e adolescentes vivem. “São comunidades extremamente carentes da periferia, com recursos limitados, mas são pessoas unidas, que se apoiam, se abraçam e tentam resolver os problemas juntos. E o mais interessante que eu vejo é que são meninos com problemas sociais e familiares, quando eles aceitam fazer coisas nesse sentido, eles se veem como construtores, eles esquecem da realidade deles e afloram os sonhos, a vontade de querer ser algo além dessa realidade e conseguir”, reflete o educador.

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Em breve, os alunos da Betânia sairão novamente de sua comunidade para uma nova sessão de dança, desta vez no Cine-Theatro Central. No dia 11 de dezembro, os jovens serão uma das atrações do Festival Municipal de Dança Educação, organizado pela Prefeitura de Juiz de Fora. O espetáculo “Déjà vu: Um despertar para o entorno” irá discutir a situação do mundo, com ênfase nas tragédias, como foi o caso de Brumadinho.

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