Os juiz-foranos estão se casando mais, e mais tarde. É o que revelam as Estatísticas do Registro Civil 2010, divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados mostram que 1.877 casais se uniram formalmente (casamento civil) em 2000, enquanto, no ano passado, o número saltou para 2.517, configurando aumento de 34%. No mesmo período, a população da cidade cresceu aproximadamente 13%. Em 2000, o município tinha 456.796 habitantes. Já o Censo de 2010 registrou 516.247 moradores.
A preferência pelo casamento depois dos 30 anos também é verificada em números. Enquanto em 2000, 252 mulheres e 687 homens se casaram a partir dessa idade, no ano passado foram 976 mulheres e 1.255 homens. Comparando o total de casamentos de pessoas com 40 anos ou mais, a quantidade relativa às mulheres praticamente triplicou, passando de 98 para 302, enquanto a de homens quase dobrou, saltando de 224 para 441 (ver quadro).
Estabilidade
Conforme a demógrafa e supervisora de Disseminação de Informações do IBGE Luciene Longo os dados confirmam a tendência de as pessoas optarem pelo casamento após conquistar estabilidade profissional, mas ainda não representam grande mudança no quadro brasileiro. No país, a maior taxa de nupcialidade entre as mulheres permaneceu no grupo de 20 a 24 anos de idade (29,7%), e o valor foi próximo aos observados em 2005 (29,4%) e em 2000 (30,6%). Já os homens tiveram, em 2010, taxa de nupcialidade mais elevada no grupo de 25 a 29 anos (31,1%), mas os que têm 30 anos ou mais apresentaram percentuais superiores em todos os grupos etários em relação a 2000.
Divórcios
Os brasileiros também se divorciaram mais no último ano. As estatísticas do IBGE revelam que houve recorde de divórcios desde 1984, quando os relatórios de registro civil começaram a ser feitos pelo instituto. No ano passado, foram registrados 1,8 divórcios para cada mil pessoas com 20 anos ou mais. O acréscimo no número de processos do tipo realizados consensualmente (sem recursos ou escrituras públicas) foi da ordem de 36,8%, na comparação com 2009.
Os dados também mostram que os casais têm preferido colocar fim ao casamento por meio do divórcio direto, em vez de passar antes pelo processo de separação, cuja taxa geral registrou o menor índice (0,5%) desde 1984. Em Juiz de Fora, os números comprovam a preferência. Foram 829 divórcios concedidos e 245 separações judiciais no ano passado.
Como haviam sido registrados 547 divórcios concedidos sem recursos na cidade em 2000, comparando os dois anos, o aumento foi de 51,5%. Já as separações caíram de 662, em 2000, para 245, em 2010, redução de 37%.
Nascem e morrem mais homens
Apesar de o nascimento de meninos ser mais elevado, a população feminina permanece maior. Na cidade, as mulheres correspondem a 52,7% dos residentes, conforme o Censo 2010. Em 2000, Juiz de Fora registrou 6.862 nascimentos, sendo 3.516 homens e 3.346 mulheres. Já no ano passado, o número de nascimentos foi menor, 6.130, sendo 3.200 do sexo masculino e 2.930 do feminino.
A supervisora de Disseminação de Informações do IBGE Luciene Longo explica que, na maioria das populações, a quantidade de nascimentos de homens é maior do que a de mulheres. No entanto, ao longo da vida, principalmente no primeiro ano e na juventude, a taxa de mortalidade masculina é maior. "Isso faz com que, apesar de nascerem mais homens, a população feminina seja superior."
Mais de um milhão de mortes foram registradas em 2010 no Brasil, sendo 57,2% do sexo masculino, que prevalece na maioria das faixas etárias. Em relação aos dados locais, as estatísticas de 2010 apontam 198 óbitos violentos, sem discriminar o sexo.
Além da redução no total de nascimentos, Juiz de Fora também apresenta queda nos óbitos fetais, na comparação dos registros civis de 2000, quando foram 133 fetos mortos, com 2010, que registrou 52.
Ainda de acordo com a pesquisa do IBGE, 4.004 residentes na cidade morreram no ano passado. O número é superior ao constatado nas estatísticas de 2000, quando houve 3.227 óbitos, e representa acréscimo significativo em uma década. A quantidade de mortes permaneceu equilibrada entre 2003 e 2007 (cerca de 3.500 óbitos registrados por ano). Em 2008 e 2009, foram aproximadamente 200 mortes a mais a cada ano (3.702 e 3.729 óbitos, respectivamente).
Conforme o coordenador do Laboratório de Demografia e Estudos Populacionais da UFJF, Luiz Fernando Soares de Castro, apesar de os dados serem em números absolutos, quando o ideal seria analisar as taxas de mortalidade, o aumento dos óbitos tem relação não só com o crescimento da população, mas, também, com o envelhecimento. "Se aumenta o número de idosos, isso resulta em maior mortalidade nesse grupo."
