Ícone do site Tribuna de Minas

Atropelador de policial é indiciado por homicídio

PUBLICIDADE

O músico de 34 anos que dirigia o Fiat Uno que atropelou o policial militar rodoviário Nélio Campos Rocha, 35, foi indiciado por homicídio doloso, por ter assumido o risco de matar. O inquérito presidido pela delegada Sheila Oliveira, do Núcleo de Ações Operacionais da Polícia Civil (Naop), foi concluído ontem e encaminhado à Justiça. O cabo da PM foi atropelado, na noite do dia 20, na Avenida Juiz de Fora, na altura do número 1.131, próximo ao posto policial do Bairro Grama, Zona Nordeste. Ele estava de serviço na base de fiscalização do km 70 da MG-353 e havia ido a uma padaria próxima comprar pães. Ao atravessar a via fardado para entrar na viatura da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), parada no lado oposto, o homem foi atingido pelo carro, que teria invadido a contramão e o arrastado por cerca de 15m. Nélio chegou a ser socorrido e ficou internado em estado grave por uma semana no Hospital de Pronto Socorro (HPS), mas não resistiu aos ferimentos sofridos e faleceu no último sábado. Ele foi sepultado no dia seguinte em um cemitério de Valadares, Zona Norte.

Para Sheila, "se o motorista tivesse parado o carro no momento em que atropelou o policial e tivesse prestado socorro, ou permitido que outras pessoas o fizessem, o fato não teria acontecido dessa forma." Segundo a delegada, o suspeito permanece no Ceresp à disposição da Justiça. Para o indiciamento por homicídio doloso, a titular do Naop levou em consideração, principalmente, que o condutor teria tentado fugir do local . "Antes do arrastamento, ele ainda passou com o veículo por cima da vítima. A atitude é característica de quem age com dolo eventual."

PUBLICIDADE

O cabo da PM sofreu ruptura do baço, com necessidade de laparotomia (abertura cirúrgica da cavidade abdominal), hemotórax bilateral (derramamento de sangue em cavidade pleural) e hipertensão intracraniana. Ele chegou a passar por cirurgia durante o período em que ficou internado. Conforme o boletim de ocorrência registrado pela PM, o Uno teria tentado forçar uma ultrapassagem pela contramão para passar por uma fila de carros, causada por lentidão no trânsito. Após atropelar a vítima, o motorista teria tentado fugir, arrastando o cabo por vários metros. Depois de ter a fuga impedida por populares, que retiraram a vítima, presa embaixo do veículo, o condutor teria tentado escapar pela segunda vez, mas não conseguiu porque teve a chave retirada da ignição.

Detido por populares, o motorista recebeu voz de prisão pela PM e foi autuado no plantão da 1ª Delegacia Regional por lesão corporal de natureza grave, por causar perigo de vida. Ao prestar declarações à Polícia Civil, o suspeito confirmou que a vítima ficou agarrada embaixo do carro e que percorreu uns dez metros após o atropelamento até parar o veículo. Ele alegou não ter tido intenção de atropelar o policial e disse ter ficado nervoso com o acidente e sem ação.

Sair da versão mobile