
Retroescavadeira foi usada para retirar motor
O plano de emergência aeroportuária é mais um ponto a ser levantado com relação à segurança no Aeroporto da Serrinha, após o acidente com o King Air B-200, ocorrido no último sábado e que vitimou oito pessoas próximo ao aeródromo. Com fluxo de 66.479 passageiros no ano passado, entre embarcados e desembarcados, e de quase 50 mil entre janeiro e junho deste ano, a preocupação é crescente, principalmente se forem consideradas características do Serrinha, como variações climáticas, ocupação urbana ao redor das cabeceiras e ausência de equipamentos para pousos precisos. O plano, conforme a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), prevê ações e procedimentos que devem ser adotados em casos de emergência aeroportuária, visando ao salvamento de vidas, a mitigação de danos materiais e a garantia do retorno eficaz das operações no local.
Especialista em acidentes aéreos e diretor de segurança em voo do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Carlos Camacho, ressalta a importância do plano. "As autoridades precisam se perguntar se conseguirão, em caso de acidente com avião de passageiros, salvar todos. É preciso que haja não só um plano de incêndio e serviço de resgate, mas uma rede de atendimento interligada, com integração entre os diversos setores da cidade, como autoridades de trânsito e hospitais, bem como um corpo de voluntários de emergência e um plano de assistência às vítimas e seus familiares ", explica Camacho.
Cipriano Magno de Oliveira, gerente da Sinart, empresa que administra o aeroporto, garante que o Serrinha possui o plano de emergência aeroportuária (PEA), além do plano de emergência (PEM), mas disse que o conteúdo é de caráter confidencial. "O plano direciona todos os procedimentos, desde as perguntas que o controlador deve fazer ao piloto em caso de pane ou pouso forçado até o acionamento dos setores diversos da Aeronáutica e dos órgãos de salvamento local, como Corpo de Bombeiros, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e hospitais."
A Prefeitura, por meio da subsecretária de Transporte e Trânsito, Roberta Ruhena, informa que o aeroporto possui o plano e que vem seguindo todas as determinações dos órgãos superiores de aviação, como Anac e Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) para garantir a segurança no aeroporto. "Em boa parte dos casos de acidentes aéreos nem há oportunidade de ação, mesmo assim, estamos preparados." Ela lembra ainda que, em agosto de 2009, foi realizado, pela Sinart, o Curso de Voluntários de Emergência (CVE), envolvendo toda a comunidade aeroportuária e integrantes do Samu, PM, Corpo de Bombeiros, Exército, profissionais e entidades da área de saúde. Eles receberam instruções de primeiros socorros, imobilização e remoção de vítimas e emergência em aeroportos e participaram da simulação de acidente aéreo no espaço do aeroporto.
Aquisições
Apesar da existência do plano de emergência, os vereadores Flávio Cheker (PT) e Júlio Gasparette (PMDB) afirmam que há dois anos solicitam a aquisição de um caminhão mais moderno para o Serrinha, tipo AP-2, para os bombeiros que atuam no local, assim como o existente no Aeroporto Regional da Zona da Mata. "O que temos é um caminhão AC-3, mais simples, que não serve para atender aviões de maior porte", comenta Cheker. Os Bombeiros foram procurados, mas não responderam à Tribuna.
O recente investimento de R$ 260 mil no aeroporto ficou restrito à ampliação das salas de embarque e desembarque, de banheiros e da lanchonete e à aquisição de equipamentos, como o aparelho de raios X.
Equipe recolhe motores de bimotor
Dando continuidade às investigações sobre a queda do avião no último sábado, uma equipe do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes (Seripa III) esteve ontem em Juiz de Fora para recolher parte dos destroços do bimotor. De acordo com o coronel Valmir Madeira, da Equipe de Recolhimento de Componentes, os trabalhos têm objetivo de auxiliar na apuração das causas da tragédia.
"Desta vez, buscamos os dois motores e alguns componentes aviônicos que podem ajudar a entender o que aconteceu antes do acidente. Estes aparelhos são responsáveis por registrar informações e armazenar dados sobre o voo. O material também será levado para Brasília, assim como a caixa-preta, onde os dados serão analisados."
Além do trabalho de campo, outro objetivo dos representantes da Aeronáutica era ter acesso ao relatório dos levantamentos realizados pela Polícia Civil no sábado. O documento foi solicitado ao delegado regional, Paulo Sérgio Virtuoso. O grupo que esteve ontem em Juiz de Fora teve o apoio de homens da Polícia Militar, que controlaram a entrada e saída de pessoas na granja onde estão os destroços, e do Corpo de Bombeiros.
Uma retroescavadeira e um caminhão de uma empreiteira que presta serviços para a Prefeitura também foram utilizados no transporte dos motores, que aconteceu à tarde.

