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Família de montanhista desaparecido há um ano em vulcão no Peru ainda busca por atestado de óbito

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Autoridades peruanas consideram montanhista morto após queda em fenda de gelo em vulcão, mas família aguarda documento para trâmites legais e acesso a pertences (Foto: Arquivo Pessoal)
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Um ano após o desaparecimento do montanhista Marcelo Motta Delvaux em um vulcão no Peru, ocorrido em 30 de junho de 2024, a família do juiz-forano, à época com 55 anos, segue sem o seu atestado de óbito. De acordo com os familiares, as investigações das autoridades peruanas indicam que Marcelo morreu ao sofrer uma queda em uma fenda de gelo de difícil acesso no Nevado Coropuna – o quarto mais alto do país, localizado a uma altitude de 6.800 metros. 

A irmã de Marcelo, Patrícia Delvaux, relatou à Tribuna que o Consulado do Peru a informou ser necessário o prazo de dois anos para que a instituição considere a pessoa morta. “Eles me enviaram um documento, uma espécie de dossiê, contendo todas as informações do desaparecimento, que evidenciam a queda, e das tentativas de busca.” 

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No entanto, a ausência do atestado de óbito impede que a família possa prosseguir com os trâmites legais. “Não sabemos se ele tinha dinheiro guardado ou algum seguro de vida. Para realizar um inventário, dependemos da documentação. Apesar das evidências, aina não conseguimos o atestado.” A irmã comenta que, mesmo com uma advogada à frente do caso, a demora é grande, e, em contrapartida, existe certa urgência para a resolução das pendências. 

“É muito difícil, principalmente para a minha mãe que já tem 80 anos. Parece que a pessoa vai voltar a qualquer momento. Não tem corpo para poder enterrar. E sem a certidão de óbito piora a situação”, diz Patrícia. 

Segundo Patrícia, o Itamaraty nunca entrou em contato com a família, e durante todo o processo o diálogo tem sido feito através do Consulado do Peru. “Lá eles até estão dando assistência, mas aqui no Brasil nada, não recebemos apoio de ninguém.”

Por meio desse diálogo com o Consulado do Peru, ela foi informada da existência de pertences do irmão, encontrados no hotel em que ele estava hospedado. Entretanto, ela ainda não conseguiu ter acesso ao material devido a complicações relacionadas ao trâmite de envio para o Brasil. “É um custo, por volta de R$ 6 mil, para o envio, estamos conversando com o Consulado para ver o que pode ser feito para conseguirmos esses pacotes.” 

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Itamaraty afirma acompanhar caso 

Em resposta à Tribuna, o Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Lima, afirmou que acompanha o caso e está em contato com as autoridades locais. Em relação ao questionamento da falta de apoio à família, o Itamaraty afirmou prestar assistência consular à família do brasileiro desde que foi notificada. O órgão do Governo ainda reforçou que o atendimento consular prestado pelo estado brasileiro é feito a partir de contato do cidadão interessado ou, a depender do caso, de sua família. 

Perguntado se há previsão para a emissão do atestado de óbito e qual o tipo de assistência prestada a família, o Itamaraty disse que em “atendimento ao direito à privacidade e em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, o Ministério das Relações Exteriores não divulga informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros”. 

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A Tribuna também solicitou um posicionamento do Consulado do Peru no Brasil, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para a manifestação.

Marcelo era guia de montanha profissional 

Autoridades peruanas consideram que o juiz-forano morreu ao cair em uma fenda de gelo de difícil acesso em uma altitude de 6.800 metros  (Foto: Reprodução)

Marcelo era guia de montanha profissional, formado pela Escuela Provincial de Guías de Alta Montaña y Trekking (EPGAMT), de Mendoza, na Argentina e credenciado no Parque Provincial Aconcagua. Ele era habilitado, legalmente, a liderar expedições de ascensão ao cume da montanha mais alta das Américas. A paixão pelo montanhismo surgiu na década de 1990 e Delvaux se tornou um dos montanhistas de altitude mais experientes do Brasil. Delvaux escalou mais de 150 montanhas de altitude extrema nos Andes e no Himalaia, em países como Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Venezuela e Tibete. 

Em 2023, o montanhista esteve em Coropuna e tentou escalar o mesmo local. No ano passado, no dia 30 de junho, ele retornou não pela rota comum, mas por outro caminho que exigia mais técnica. Após chegar ao cume, durante a descida do vulcão Coropuna, ele desapareceu. Seu GPS parou de funcionar a 6.300 metros de altitude. As equipes de busca – da Polícia de Arequipa e de uma equipe de guias particular contratada pela família-, iniciaram os trabalhos em 4 de julho e encontraram apenas seus bastões de caminhada e o GPS. Depois de quatro dias, os policiais subiram novamente a montanha, mas devido às condições climáticas alguns passaram mal e precisaram retornar. Sendo assim, o corpo nunca foi localizado. 

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