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Venda de tomadas fora do padrão está proibida

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A partir de hoje, todos os aparelhos eletroeletrônicos vendidos no Brasil deverão ter o novo padrão de tomadas estabelecido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e aprovado pelo Inmetro em 2000, compatível com plugues de três pinos arredondados (ver imagem). Com a determinação, os plugues de pino chato vão desaparecer, valendo apenas os de formato arredondado, com dois ou três pinos (dependendo do aparelho). Os adaptadores, apesar de não recomendados por especialistas, continuam permitidos, desde que certificados pelo Inmetro, atendendo a requisitos mínimos de segurança. De acordo com o diretor de Qualidade do órgão, Alfredo Lobo, a decisão foi tomada com a publicação da Portaria 185, de julho de 2000, que criou um cronograma escalonado e gradual de adaptação para os fabricantes e comerciantes impactados pela medida. "O objetivo foi não desabastecer a cadeia de produção e o mercado." Conforme informações do Inmetro, os lojistas que forem flagrados oferecendo os produtos fora do padrão podem ser multados em até R$ 1,5 milhão, e a medida é fiscalizada pelo Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), em cada estado.

Segundo Lobo, a principal vantagem do novo modelo em relação aos utilizados anteriormente é a garantia de maior segurança para o usuário. "Antes, o brasileiro convivia com mais de 12 tipos de plugues e oito tipos de tomadas diferentes, tanto de produtos fabricados no país como de importados, levando ao uso indiscriminado de adaptadores . O simples ato de ligá-los à tomada podia resultar em choque ou curto-circuito." Para o engenheiro de segurança da Cemig Demétrio Venício Aguiar, o perigo era ainda maior devido às soluções improvisadas feitas por muitas pessoas. "Adaptações grosseiras, como cortar um dos pinos de um plugue ou lixá-lo, eram muito comuns, para que eles coubessem na tomada. O risco dessa prática é enorme, pois o dispositivo não está preparado para a carga elétrica que receberá. Isso tende a acabar com o novo padrão."

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Conforme Demétrio, o terceiro pino também garante uma instalação com menores riscos de acidentes. "Ele só existirá nos aparelhos que antes precisavam de um fio terra, como geladeiras e máquinas de lavar. Sua função é fazer com que qualquer corrente elétrica advinda de defeitos na máquina seja enviada ao solo, evitando choques." Além disso, as novas tomadas possuem um recuo de cerca de 5 mm para o encaixe do plugue. Com isso, é impossível haver contato entre as mãos do usuário e os pinos eletrificados. "Os pinos só recebem a carga quando não é mais possível encostar neles. Com isso, há maior segurança contra acidentes, sobretudo no caso de crianças desassistidas", pondera o engenheiro.

Para Nélio Guimarães, sócio-proprietário da Eletro Guimarães, loja especializada em materiais elétricos, outra vantagem da mudança é a uniformização das correntes de 10 amperes (A) e 20 A, evitando o risco de sobrecarga da rede. "Pelos novos modelos, o pino de 10 A não cabe na tomada de 10 A, o que causaria uma sobrecarga, podendo resultar em curto-circuito ou consumo excessivo de energia." Ele aponta que, por outro lado, os plugues de 10 A podem ser usados na tomada de 20 A sem que haja risco algum. "Eu mesmo parei de vender as tomadas de 10 A, já que as de 20 A podem ser utilizadas por qualquer aparelho com segurança."

 

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Transição exige alerta do consumidor

De acordo com Nélio Guimarães, sócio-proprietário da Eletro Guimarães, a transição não impactou o cotidiano da loja, apesar das reclamações iniciais dos clientes. "No início, eles reclamam mesmo, porque precisam se ajustar às novas regras, e, muitas vezes, não sabem a melhor forma de fazê-lo. Mas a tendência é que se acostumem rápido, porque são procedimentos simples." Ele apontou que os funcionários passaram por treinamentos e palestras para estarem aptos a orientar a clientela. Nos estabelecimentos que vendem eletrodomésticos, também não houve impacto maior devido à determinação. "A maioria dos fabricantes já adota o padrão novo há algum tempo, então não houve problemas para nós, que apenas vendemos os produtos", diz o gerente do Magazine Luiza, Reginaldo Batista Silva.

Nas ruas, a opinião pública se divide, como afirma o estudante Antônio de Castro Lopes. "Acho que é bom porque facilita a vida do consumidor a longo prazo. Mas a fase de transição será complicada." Para o bombeiro hidráulico Luís Alberto de Souza, a mudança não deve trazer grandes transtornos. "É só uma questão de adaptação. Quem constrói, por exemplo, já faz tudo seguindo o novo padrão." Já a aposentada Maria Aparecida de Oliveira acredita que a troca das tomadas será trabalhosa. "Vai ser difícil mudar todas as tomadas, e não sei se encontraremos adaptador." A também aposentada Ana Maria Lima da Fonseca, por sua vez, comemora a nova determinação. "Para quem tem criança pequena é uma tranquilidade, porque, com o padrão novo, os dedos não encostam nos pinos. Já troquei quase todas as tomadas de casa."

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Especialistas não recomendam adaptadores

Apesar de permitir o uso de adaptadores, o Inmetro recomenda que os usuários troquem tanto os plugues quanto as tomadas que estejam fora do novo padrão."Só assim, ele poderá valer-se plenamente das vantagens da padronização", destaca o diretor de Qualidade do instituto, Alfredo Lobo. Ele ressalta que a necessidade de adaptação se limita a 20% dos plugues, porque a maioria é compatível com as novas tomadas. "Cabe lembrar que os adaptadores agora, ao contrário dos que existiam antes da padronização, são regulamentados e certificados, atendendo a requisitos mínimos de segurança." O engenheiro de segurança do trabalho da Cemig Demétrio Venício Aguiar destaca que multiplicadores de tomadas, conhecidos como "benjamin" ou "T" não devem ser usados de forma alguma, pois não são certificados e podem ocasionar sobrecarga na rede elétrica. "Além disso, o adaptador , ainda que regulamentado, deve ser uma solução temporária, somente até que todas as instalações da casa estejam conforme o novo padrão", destaca.

Ainda assim, existem aparelhos que não devem ser ligados com este tipo de dispositivo, sobretudo os que são utilizados para algum tipo de aquecimento, como secadores de cabelo, chapinhas, micro-ondas e aquecedores de ambiente. " Os adaptadores não suportam a carga elétrica utilizada por estas máquinas. Com isso, ao tentar usá-las, o consumidor acaba exposto a curtos-circuitos, consumo excessivo de energia e outros transtornos causados pela sobrecarga", alerta Nélio Guimarães, sócio-proprietário da Eletro Guimarães, especializada em materiais elétricos. O comerciante aponta que, muitas vezes, o consumidor opta pelo adaptador por falta de informação, já que o preço de cada peça deste tipo varia entre R$ 5 e R$ 8, enquanto uma tomada dentro dos padrões custa, em média R$ 4. "É claro que é preciso pensar que há várias tomadas em qualquer residência e que há o custo da instalação. Mas também seria preciso comprar vários adaptadores para os vários eletroeletrônicos da casa. Trocar as tomadas, além de ser mais seguro, acaba saindo mais barato."

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