
Portas foram baixadas após o assalto
A ação de um assaltante, na tarde de ontem, em uma loja de eletrodomésticos na Rua Batista de Oliveira, uma das ruas mais movimentadas do Centro, causou tumulto e apreensão. Um homem armado, possivelmente com um revólver, entrou no estabelecimento e acessou o segundo andar, onde se encontravam os caixas. Ele rendeu uma das funcionárias, que, sob ameaças, foi obrigada a entregar R$ 2.142. Após a ação, o suspeito deixou o local, e a loja baixou as portas. O clima de apreensão após o crime chegou a fazer circular o boato de que o assaltante ainda estaria no interior da loja, o que provocou a aglomeração de curiosos no entorno do estabelecimento. Entretanto, quando a Polícia Militar chegou, constatou que um delegado de Polícia Federal, que havia ido pagar um boleto, era quem estava armado, já prestando os primeiros atendimentos à ocorrência.
Conforme a PM, por volta das 15h, a funcionária fazia uma conferência no caixa quando o homem entrou no setor, abriu uma mochila e retirou o armamento. Durante a abordagem, ele teria exigido o dinheiro da funcionária em "notas grandes" e teria sido orientada a não olhar para o criminoso. Em seguida, mandou que ela abrisse o cofre da loja. Com a chegada de clientes, o bandido pegou o dinheiro que viu e deixou o estabelecimento. Em meio às ameaças, o assaltante ainda teria dito que mais três pessoas o esperavam no andar térreo. Entretanto, a informação não chegou a ser confirmada pela polícia, que, até a tarde de ontem, não tinha detalhes sobre como o homem fugiu. O delegado da PF comentou que não percebeu a ação do bandido, uma vez que estavam em andares diferentes do estabelecimento. A polícia fez buscas, mas não encontrou suspeito.
Para a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o crime aponta a necessidade de que o empresariado, principalmente das grandes redes, adote medidas de segurança mais eficazes."É verdade que hoje se faz necessário mais cuidado. Com o crescimento econômico que é esperado para a cidade, a tendência é de que cada vez mais pessoas circulem por Juiz de Fora, e a criminalidade aumente e se torne cada vez mais ousada. O empresário precisa se antecipar a isso", avalia o presidente da instituição, Vandir Domingos.
Já o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio pondera que a categoria cada vez mais tem sido acuada por ações de criminosos. O vice-presidente da entidade, Wagner França, lembra que os funcionários de casas lotéricas, onde os assaltos a mão armada são mais frequentes, também integram o sindicato, engrossando as estatísticas. "O que nós vivemos em Juiz de Fora não se restringe mais a trombadinhas. Os assaltantes estão ousados. Nós defendemos um diálogo maior entre o comando da PM, os órgãos da Prefeitura e os empresários para haver uma união de forças para ver o que pode ser feito. Hoje loja nenhuma tem segurança que não seja voltada só para o seu interior, para pequenos furtos. Aí fica a certeza da impunidade por que a pessoa pratica e sai livremente".
A polícia, por outro lado, considera a ação de ontem como um fato isolado naquela região. De acordo com o comandante do 3º Pelotão da 30ª Companhia da PM, sargento Gilson Palomino, há pelo menos 20 dias não eram registrados assaltos naquele setor de policiamento. "Além disso, cada uma das ruas do Centro tem um policial responsável por orientar os comerciantes e fazer o contato com a companhia quando necessário. Diariamente, lançamos recobrimento de patrulha preventiva na área e reforçamos junto aos empresários as medidas de autoproteção que devem ser tomadas." A gerência local da rede de lojas foi procurada pela Tribuna, mas informou que foi orientada pela gerência da empresa, em Belo Horizonte, a não comentar o fato.

