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Centenas de mulheres participam de manifestação contra o estupro em JF

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Atualizada às 20h24

Foto: Marcelo Ribeiro/01-06-16

“Por todas elas. Por todas nós.” Unidas às manifestações contra a cultura do estupro que ocorreram em todo o país na noite desta quarta-feira (1º), as juiz-foranas saíram às ruas para dar seu grito de basta ao machismo. Para enfatizar que a luta é de todas, muitas mulheres assumiram o microfone disponível na concentração realizada no Parque Halfeld, entre 17h e 19h, para contar suas experiências enfrentando diversas formas de assédio. “Eu sinto o assédio no meu dia a dia e sinto isso desde quando era criança, desde os meus 12 anos. Essa manifestação é importante não apenas para conscientizar a sociedade sobre a questão, mas para que muitas mulheres e adolescentes que estão aqui hoje se conscientizem de seus direitos”, relatou à Tribuna a funcionária pública Elimara Rezende, 30 anos. Com apenas 13 anos, Carolina participou do ato e disse que já se sente ameaçada pelo machismo. “O que me trouxe aqui foi o caso do estupro contra a menina do Rio de Janeiro. Mas muitas mulheres são estupradas e sofrem com o assédio todos os dias. Essa é uma forma que nós mulheres temos de chamar a atenção da sociedade para isso.”

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A militante do Coletivo Maria Maria, Laiz Perrut, uma das organizadoras do ato em Juiz de Fora, pediu mais políticas de proteção à mulher e cobrou o funcionamento integral da Casa da Mulher, um centro de acolhimento voltado às mulheres vítimas de violência. Alguns homens foram às manifestações para prestar seu apoio à causa. “Tenho muitas amigas que sofrem assédio. A maioria dos homens é machista e não respeita a vontade das mulheres. Os homens deveriam ser mais participativos na defesa das mulheres”, disse o estudante Guilherme Assis, 18.

Por volta das 19h, os manifestantes desceram o Calçadão da Halfeld entoando diversos hinos. Entre eles, uma paródia da música Rap da Felicidade. “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente com a roupa que eu escolhi e poder me orgulhar que mesmo com shortinho todos vão me respeitar.” Dali seguiram para a Avenida Getúlio Vargas, que ficou totalmente interditada por cerca de 20 minutos, até que o grupo chegasse à Praça Antônio Carlos. No local, uma roda foi aberta para que 33 mulheres fizessem uma intervenção. Uma a uma elas foram caindo para pedir: estupro nunca mais. A Polícia Militar estimou participação de 200 pessoas. Já a organização disse que cerca de mil pessoas passaram pela passeata.

A manifestação foi criada nas redes sociais. Os participantes também repudiaram os projetos de lei 6055/2013 e 5069/2013, que representam, na visão deles, atrasos em relação às conquistas das mulheres, pois, respectivamente, intentam revogar o atendimento às vítimas de violência sexual e criminalizam o uso da pílula do dia seguinte (método que pode evitar que uma vítima de estupro tenha de passar por um trauma ainda maior enfrentando uma gravidez).

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