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Taxistas na mira de ladrões e traficantes

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Vinte e um taxistas foram alvos de assaltantes neste ano em Juiz de Fora, sendo dois casos apenas no último fim de semana. Além dos roubos, a vulnerabilidade da categoria é cada vez maior, com intimidações de condutores, que são obrigados a colocar seus táxis como meio de transporte para a prática de tentativas de homicídio, assassinatos e fugas. Passageiros também foram flagrados com drogas e armas de fogo no interior de veículos. Pelo menos 50 taxistas estiveram na mira de criminosos nos últimos nove meses em Juiz de Fora, segundo levantamento do jornal. Como apontam os órgãos de representação da categoria, em muitos casos, os profissionais da praça têm que provar, na Justiça, sua inocência e ainda lidar com o medo de arriscar a própria vida, atendendo chamados em áreas controladas por traficantes de drogas. Para os taxistas, a onda de criminalidade espalhou-se pela cidade. 

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A Tribuna, por meio dos registros mais recentes, mapeou os pontos com maior incidência de assaltos e de episódios que deixaram motoristas em risco. Os maiores números concentram-se nas zonas Norte e Sudeste (ver quadro). Na madrugada do último domingo, por exemplo, um taxista de 54 anos foi rendido no Nova Era, região Norte. A ação foi praticada por dois homens, que aproveitaram o momento em que a vítima esperava o passageiro que havia desembarcado buscar dinheiro para pagar a corrida. A dupla anunciou o roubo e rendeu o taxista, segurando-o pela gola da camisa. Após a ação, os dois fugiram com R$ 150 e um celular. Na última segunda-feira, dois adolescentes de 17 anos foram flagrados pela PM com uma pistola calibre 635 e droga dentro de um táxi, na Vila Alpina. Eles chegaram a esconder a arma embaixo do banco traseiro e alegaram que estavam sendo ameaçados.

 

Crimes contra a vida

A insegurança da classe é potencializada pelos crimes contra a vida. Em 18 de fevereiro deste ano, um adolescente, 17, foi baleado na cabeça, no Nossa Senhora Aparecida. O atirador teria chegado ao local em um táxi, desembarcado e disparado contra o rapaz, que morreu um dia depois, no Hospital de Pronto Socorro (HPS). O suspeito teria usado o mesmo veículo para fugir. Na mesma semana, no dia 13, um bando, utilizando um táxi, aterrorizou moradores da Zona Sudeste, ao efetuar disparos de arma de fogo de dentro do carro. Um homem, 42, e um adolescente, 16, foram baleados. O primeiro foi atingido no joelho, no Retiro. O outro, nas costas, no Santo Antônio. Um taxista foi apontado pelos feridos como comparsa dos atiradores. 

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Em outubro de 2012, um adolescente, 14, foi baleado por três jovens que ocupavam um táxi, no Milho Branco. O condutor do veículo, 25, relatou que, depois de embarcar, um deles teria alertado: "Vamos fazer uma missão, mas pode ficar tranquilo que não vai dar problema nem para você, nem para nós, pois somos menores (de idade)". Em seguida, um rapaz sentado no carona sacou uma arma e ameaçou o motorista. Ao avistar o adolescente que procuravam, um dos passageiros desembarcou para atirar três vezes. O criminoso teria voltado ao carro e passado a arma a um comparsa, que disparou mais vezes pela janela, atingindo a vítima. O taxista teria sido obrigado a deixar o local em fuga e abandonado o trio na divisa entre os bairros Francisco Bernardino e Jardim Natal. 

 

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Transporte de ilícitos assusta categoria

O transporte de materiais ilícitos nos táxis também assusta os trabalhadores da frota de 534 táxis. Segundo dados da Settra, o sistema hoje é composto por 545 permissionários e 1.240 motoristas auxiliares. No mês de fevereiro, a PM apreendeu 138 pedras de crack, uma porção de maconha e um revólver calibre 38, com dois adolescentes em um táxi, que seguia para Rio Novo, mas foi interceptado por policiais quando saía da cidade. O taxista não estava envolvido no esquema e foi liberado. No mesmo mês, policiais prenderam um homem, 25, e apreenderam um adolescente que tentavam sair de Juiz de Fora em um táxi. O veículo foi abordado no posto policial do Grama. Contra o homem, havia um mandado de prisão em aberto por homicídio, sequestro e tráfico de drogas. Já o adolescente estava em liberdade assistida em função de um assalto.

Um profissional, que deixou a praça temporariamente e não quis se identificar, contou que foi intimidado por adolescentes, que queriam usar maconha no automóvel. "Fui levar uma senhora no Milho Branco e, na volta, quatro moleques pediram uma viagem. No trajeto, conversaram o tempo todo sobre terem usado droga durante o dia. Um deles quis acender um cigarro de maconha. Eu disse que não podia, mas fiquei intimidado, pois percebi que eram integrantes de uma gangue. Hoje em dia, as gangues são o que mais amedronta a classe."

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Para o presidente do Sindicato dos Taxistas, Aparecido Fagundes da Silva, é impossível para o profissional ter a certeza da idoneidade da pessoa que entra no seu carro. "Podemos exigir que se identifiquem, mostrando a carteira de identidade, mas não dá para saber se levam material ilícito como bagagem. Não temos autonomia para isso, pois não há lei que regule essa atitude. Não podemos pedir nota fiscal de tudo que entra no carro."

O presidente da Associação dos Taxistas, Luiz Gonzaga Nunes, completa: "O taxista fica frágil. Às vezes, ele tem uma arma apontada para sua cabeça e tem que fazer o que o bandido mandar." Entretanto, Aparecido lembra que, de modo geral, os profissionais não estão envolvidos nos delitos, apesar de não descartar a possibilidade de casos nos quais o taxista possa ter participação.

 

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Criminosos utilizam estratégias

No sentido de aumentar a segurança dos taxistas, a Lei Municipal 1.877/05 garante ao profissional o pedido de identificação do passageiro, no período das 20h às 8h. Caso o usuário se negue a apresentar o documento, o condutor tem o direito de recusá-lo. O decreto 1.015/09 também possibilita, de forma facultativa, a instalação de um dispositivo luminoso que pode ser acionado pelos taxistas, como forma de sinalizar a situação de crime para quem está de fora do veículo. Para tentar preservar as vidas dos profissionais, os dois órgãos de representação da classe orientam, mesmo com o risco de multa, que os taxistas rejeitem o passageiro se houver suspeita. "Estamos sendo utilizados para o transporte de drogas e já há estratégias dos traficantes para conseguir um táxi sem levantar suspeitas. Eles usam até senhoras com crianças. Elas entram e pedem a corrida até tal lugar. Isso é apenas o pretexto para o táxi ir ao local, onde um bandido pede outra corrida na volta", afirma o presidente do Sindicato dos Taxistas, Aparecido Fagundes da Silva.

Segundo ele, muitos taxistas já conhecem os pontos de boca de fumo na cidade, mas, em certas situações, acabam caindo nas armadilhas. Aparecido ressalta que a categoria tem utilizado o sinal de pânico, quando necessário. Todavia, ele aponta, costuma-se dar o alerta depois que o crime aconteceu, até mesmo como forma de o taxista se manter seguro, não provocando uma reação do criminoso. Ainda conforme o sindicalista, há muitas áreas no município que causam medo no profissional, mas que, recentemente, estes pontos se proliferaram por todas regiões. Também para o presidente da Associação dos Taxistas, Luiz Gonzaga Nunes, o crime está pulverizado. "Há concentração em algumas regiões, mas, de modo geral, está espalhado."

 

PM aposta em ações preventivas

Para enfrentar a situação, a Polícia Militar, por meio da assessoria de comunicação do 2º Batalhão da PM, afirmou que lança mão de um portfólio de serviços, como Patrulha de Atendimento Comunitário, Patrulha de Prevenção Ativa, bikepatrulha, policiamento a pé e motopatrulhas, dentre outros. O objetivo é prevenir a ação delituosa e, quando não é possível, atuar com a repressão qualificada. Especificamente em relação a táxi, é realizada a operação "Para pedro", que tem como foco principal a abordagem a taxistas, retirando de circulação criminosos que atentam contra o taxista ou que, de alguma forma, utilizam esse tipo de transporte para comprar, vender e traficar drogas ilícitas. Na área do 2ºBPM, por exemplo, em 2012, foram feitas 928 operações desse tipo. A PM ainda afirma ser bem-vinda a participação da comunidade, repassando informações à corporação. Uma das formas de colaboração, caso o cidadão não queira se identificar, é utilizar o disque denúncia unificado (181). Segundo estatísticas da PM, a soma do número de ocorrências de assaltos consumados sem armas e à mão armada contra taxistas diminuiu. No ano passado, foram registrados 41 casos, contra 48 em 2011.

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