A presença constante de caramujos africanos nas vias e residências do Bairro Linhares, Zona Leste, tem preocupado os moradores. Na Rua Vera Lúcia, a situação é crítica. Em três dias, o aposentado Nicolau Alves chegou a capturar cerca de 50 moluscos. Eu jogo sal, e eles morrem. Mas sempre aparece mais. A esposa dele, Ângela de Paula, conta que os caramujos chegam a subir pelas escadas e ficam no quintal da casa. O problema, segundo ela, ocorre há quatro anos. Imagina que perigo se um bicho desse cair dentro da caixa d’água, observa.
As ruas do bairro estão com mato alto, além de entulho e lixo. De acordo com o veterinário e chefe do Setor de Zoonoses da Secretaria de Saúde, José Geraldo de Castro Júnior, esse é um dos fatores que facilitam a proliferação do caramujo. Eles vivem e se reproduzem em terrenos sujos, e próximo ao leito de rios, principalmente os sem capina. O molusco aparece com facilidade em todo o país por não ter predador natural, já que é oriundo de outras regiões do mundo. Na África e na Ásia, é encontrado participando do ciclo de duas verminoses, que provocam alterações intestinais e encefalite. De acordo com o veterinário, no Brasil ainda não foram confirmadas doenças provocadas pela espécie.
No entanto, o líquido expelido pelo animal pode ser potencial meio de contaminação, caso ocorra o contato direto com agentes causadores de outras doenças, como roedores e baratas. O chefe do Setor de Zoonoses alerta para a necessidade de algumas medidas que podem evitar moléstias e barrar a proliferação da espécie (ver quadro). O descarte do molusco morto é um dos pontos que merece atenção. Em áreas públicas, o Demlurb recolhe o caramujo, mediante autorização expedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Mas em terrenos particulares, o próprio morador deve tomar as providências necessárias.
O chefe do Setor de Zoonoses informou que uma equipe iria ao Bairro Linhares para orientar a população em relação aos cuidados com caramujos africanos. A Secretaria de Saúde recebe reclamações sobre a presença dos moluscos pelos telefones 3690-7492 e 3690-8212.
