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Polícia Civil investiga duplo homicídio na Zona Norte

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A 3ª Delegacia de Polícia Civil abriu inquérito nesta quinta-feira (28) para apurar o duplo homicídio ocorrido no final da manhã de quarta-feira em uma fazenda nas imediações da BR-040, na altura do Distrito Industrial, Zona Norte. O retireiro Claudimar José de Oliveira, 56 anos, e o lavrador José Moreira Rezende Franco, idade não informada, foram surpreendidos por um criminoso armado com faca e atacados com vários golpes quando trabalhavam na propriedade. Claudimar sofreu sete perfurações e morreu por asfixia em decorrência das facadas, conforme declaração de óbito divulgada pela família. Ele sofreu quatro ferimentos no pescoço, que teriam lesionado a via aérea, ocasionando o óbito, além de outras três nos braços, supostamente quando tentava se defender. O homem chegou a ser socorrido até a UPA Norte e transferido para o HPS, mas não resistiu e morreu na sala de cirurgia. Já o lavrador foi esfaqueado nas costas e morreu na hora.

O delegado responsável pelo caso, Armando Avolio Neto, disse que eventuais testemunhas serão ouvidas para serem identificadas autoria e motivação do crime. "Estamos na fase inicial de investigação, e nossa equipe está em busca de mais informações." Vinte e quatro horas após o duplo homicídio, a Polícia Militar divulgou, em nota, o conteúdo do boletim de ocorrência. No dia dos assassinatos, a equipe de reportagem teve dificuldade em obter os dados e foi informada pela PM, no início da noite, de que não havia informações pois o caso, embora tenha ocorrido pela manhã, ainda estava em andamento.

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O comandante do 27º Batalhão da PM, tenente-coronel Moysés Ricardo Pinto, procurou a Tribuna nesta quinta para informar que esteve no local do crime. Segundo ele, sete viaturas foram mobilizadas, incluindo Rotam, Patrulha Rural, unidades de área (173ª Companhia) e de coordenação de policiamento. "Vou em todas as ocorrências de homicídio. Inclusive acompanhei o trabalho da perícia. Por se tratar de Zona Rural, há dificuldade de comunicação." Segundo ele, a demora no encerramento do Registro de Evento de Defesa Social (Reds) pode ter acontecido por uma série de fatores. "Era um caso de maior gravidade. Ao sair do local, por volta das 15h, os policiais ainda aguardavam a funerária e iriam se deslocar ao HPS para pegarem os dados do outro homem, que faleceu. Fizeram a redação de uma ocorrência complexa, mais extensa, e existem fases a serem respeitadas, como a presença da perícia."

Conforme o comandante, o acionamento da PM aconteceu no posto policial do Manoel Honório, Zona Leste, e teria sido feito pelo filho do dono da fazenda. Ainda segundo o policial, José Moreira teria sido esfaqueado no pasto, onde caiu morto, mas ninguém teria presenciado a ação criminosa. Já Claudimar teria tentado correr para a sede da fazenda. "O proprietário é um senhor de quase 80 anos e tentou ir para cima do agente (criminoso) com a muleta, mas ele disse que o agente falou para não se meter porque era ‘dívida’", contou o tenente-coronel. "O cozinheiro (75 anos), que é tio do que morreu primeiro, também saiu com a faca na mão para ajudar."

De acordo com o tenente-coronel Moysés, a suspeita de roubo de gado, apontada na solicitação inicial, não foi confirmada. "Segundo o proprietário da fazenda, dois arames da cerca teriam sido cortados. Mas o cerne da questão é que não teve roubo." O comandante também disse que o crime teria sido praticado apenas com arma branca. "Ninguém falou em ter ouvido tiro." Conforme ele, há suspeita de que um comparsa deu cobertura, porque teria sido visto correndo para o mato. "Fizemos rastreamento, mas não tínhamos elementos para auxiliar as buscas, e é uma área de mata muito fechada. A Polícia Civil está investigando, e a Patrulha Rural está tentando levantar informações que possam compor esse cenário, considerando a própria fala de que era dívida."

 

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Família de retireiro revoltada

A família do retireiro Claudimar José de Oliveira, 56 anos, assassinado com sete facadas em uma fazenda na Zona Norte, afirma que o homem não possuía dívidas e ficou indignada com a informação, que consta no boletim de ocorrência da Polícia Militar. "Não foi acerto de contas. O pior é que isso pode mudar toda a linha de investigação. Meu tio era uma pessoa tranquila, da roça, trabalhadora e caseira", disse a sobrinha da vítima Valéria Cristina de Oliveira, 33. "Só queremos que a justiça seja feita, e as coisas, esclarecidas. Juiz de Fora está um absurdo. Não podemos achar que estamos em uma cidade segura se todo dia morre gente." Ainda segundo a mulher, que trabalha como auxiliar administrativa, Claudimar morava em Igrejinha e trabalhava na fazenda há quatro meses. Ele era casado e deixou um filho, 25.

Revoltado com a morte violenta do irmão, o motorista Vanderlei Prudente de Oliveira, 57, também reivindicou apuração do crime. "Ele foi morto por quê? A pessoa vai lá, mata um trabalhador e ninguém faz nada?" Valéria acredita que o tio foi assassinado em uma tentativa de roubo. "Acho que foram lá para roubar a fazenda e pegaram os dois, porque meu tio viu a cerca arrebentada perto da porteira." Também sobrinha da vítima, Juliana Aparecida de Souza, 30, reclamou que a família demorou a ser comunicada sobre a morte. "Estamos aqui (no IML) até hoje (quinta) porque meu tio ficou como indigente no hospital e tudo demorou mais. Ele era uma pessoa muito humilde, daquelas que nem sabem falar direito. Ficamos muito revoltados, porque ele era muito simples." Claudimar foi sepultado na tarde de quinta no Cemitério da Barreira do Triunfo.

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