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Mesmo com vaga em hospitais pacientes enfrentam longa espera por ambulância

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Pacientes atendidos pelas unidades de pronto atendimento (UPAs) estão tendo que aguardar horas por transporte intra-hospitalar, após a liberação de vaga para internação em hospitais conveniados com o SUS. Muitos desses pacientes estão em iminente risco de vida e as UPAs não possuem capacidade resolutiva para esses casos.

O neto de 11 anos de V., moradora do Bairro Marilândia, na Cidade Alta, deu entrada na UPA São Pedro com suspeita de meningite. Após permanecer dois dias na unidade, ele ainda não havia sido transferido para rede referenciada. Cansada de esperar, V. foi até a Santa Casa averiguar o porquê da demora para conseguir uma vaga na instituição. No hospital, ela foi informada que a vaga da criança havia sido liberada de manhã, mas que não havia ambulância disponível para a remoção. O garoto só conseguiu ser transferido às 23h. De acordo com um médico que trabalha em pronto atendimento, mas preferiu ter o nome preservado, “o tempo de transferência de um local ao outro varia bastante, desde algumas poucas horas até o dia inteiro. Os transportadores alegam excesso de chamadas ao mesmo tempo.”

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Em Juiz de Fora existe o Serviço de Transporte Intra-hospitalar (STIH), que é de responsabilidade da Prefeitura. No entanto, a subsecretária de Urgência e Emergência, Adriana Fagundes, afirma que “o transporte não tem característica de urgência. A STIH é acionada quando o paciente precisa fazer exame, tomografia, raio-x e consultas. Não são casos de urgência. Estes são realizados pelo Samu.” A subsecretária ainda ressalta que os profissionais do STIH e do Samu são treinados com focos diferentes. Por isso, o STIH não teria capacidade de realizar os atendimentos de emergência.

Já o coordenador médico do Samu Regional, Cláudio Reis, discorda e enfatiza que o foco do Samu é o atendimento pré-hospitalar, de pacientes que estão em risco iminente de morte em vias públicas ou em domicílio. “A gente realiza transferência de pacientes intra-hospitalar, mas somente em cinco linhas: agravos de urgência, caráter clínico, traumato-cirúrgico, gineco-obstétrico e psiquiátrico. A portaria 2048 do Ministério da Saúde deixa claro isso. Em cima dessa portaria, o município de Juiz de Fora ainda tem o decreto 9.747, que define que o serviço municipal é responsável por prestar atendimento de remoções de pacientes para internações, exames e atendimento fora do domicílio, excetuando-se em vias públicas, que devem ser realizados pelo Samu.”

Cláudio admite que essa demora do transporte intra-hospitalar é devida a confusão entre o papel do Samu e do STIH. “Na hora de acionar, está se acionando de forma equivocada o Samu. A gente precisa que o município cumpra a portaria estabelecida para que não fique em responsabilidade do Samu aquilo que não é dever desse serviço. A gente até se propõe a ajudar a capacitar os funcionários do STIH, desde que se tenha o interesse do município.”

Internações nas UPAs
De acordo com o especialista em saúde pública Ivan Chebli, a permanência por mais de 24 horas nas UPAs é uma “distorção” do papel dessas unidades. “Principalmente esses pacientes mais agudos têm ficado mais tempo nessas UPAs. São pacientes que demandam cuidados semi-intensivos ou até intensivos. As salas vermelhas das UPAs estão ficando lotadas.”

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Segundo Cláudio Reis, as seis unidades de suporte básico (UBS) e as duas unidades de suporte avançado (USA) cedidas pelo Samu para Juiz de Fora são suficientes para realizar as solicitações de atendimento. Além disso, com o convênio realizado com o Corpo de Bombeiros, outras quatro ambulâncias são disponibilizadas por dia para o Samu. “Se a gente for fazer o trabalho só do pré-hospitalar, que é o proposto na legislação, elas são suficientes. Agora, se nós começarmos a fazer atendimento intra-hospitalar, fugindo daquilo que é o propósito do Samu, aí não são. Por isso que a gente precisa do apoio do município e que fique pré-definido o papel de cada um nessa rede.”

Adriana Fagundes conta que o Serviço de Transporte Intra-hospitalar (STIH) conta com seis ambulâncias e realiza cerca de 70 remoções por dia. “Temos períodos de maior circulação dos veículos, principalmente de dia, e períodos mais tranquilos, como à noite.”

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