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Mulher espancada com mais de 60 socos tem cirurgia de reconstrução da face adiada

elevador

(Foto: Reprodução)

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A cirurgia de reconstrução facial de Juliana Garcia, 35 anos, vítima de espancamento em Natal, no Rio Grande do Norte, teve que ser adiada devido a um edema no rosto decorrente da agressão. No último sábado (29), Igor Cabral, 29 anos, deferiu 61 socos na mulher quando estavam no elevador de um condomínio. A ação violenta foi registrada por câmeras de segurança.

Juliana está em condição estável e se recupera em casa após receber alta do hospital, conforme informações dos familiares à imprensa. Ela aguarda uma nova avaliação médica para remarcar o procedimento. O agressor foi preso em flagrante por tentativa de feminicídio e teve a prisão convertida em preventiva após audiência de custódia.

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De acordo com a delegada Victoria Lisboa, da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), o autor teve uma crise de ciúmes depois de ver mensagens no celular da namorada. “Eles estavam em um churrasco, em um momento de confraternização com os amigos, momento em que ele pediu para ver o celular dela”, informou. “Ela mostrou o celular, falou que as mensagens não tinham nada demais, quando ele ficou enciumado.”

Os dois subiram até o apartamento de Juliana para pega que ele pegasse seus pertences. A vítima resolveu permanecer no elevador por segurança. “Ele entrou no elevador e pediu para ela sair. Já temendo por qualquer conduta que ele poderia praticar contra ela, sabendo que no corredor não teriam câmeras para pegar o ato, ela permaneceu dentro do elevador, momento em que ele a agrediu”, descreveu a delegada.

As imagens flagraram as agressões. O autor avançou contra a vítima e desferiu 61 socos no rosto sem parar, inclusive quando ela já estava no chão. Após o ataque, o agressor foi contido pelo porteiro e por moradores do prédio, que chamaram a polícia.

Em depoimento à polícia, ele alegou que agiu dessa forma motivado por “surto claustrofóbico”, mas imagens de câmera de segurança mostram que ele começou a agredir a mulher após uma discussão verbal. A violência começa quando a porta do elevador ainda estava aberta. Sua defesa não foi localizada pela reportagem da Agência Estado.

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Também à polícia, a vítima afirmou que ele teria agido por ciúmes. “Eu sabia que ele ia me bater, então não saí do elevador. Ele começou a me bater e disse que ia me matar”, escreveu a vítima em um pedaço de papel durante atendimento no hospital, por conta de dificuldades de falar porque teve o maxilar fraturado durante as agressões.

Tentativa de feminicídio

O agressor vai responder pelo crime de tentativa de feminicídio, por conta da gravidade e do volume das agressões, que poderiam ter matado a vítima. Se condenado, pode ter que pagar pena de reclusão de 20 a 40 anos.

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A tentativa de feminicídio se refere ao ato de tentar matar uma mulher motivado por questões de gênero, ou seja, quando a violência é cometida contra a vítima motivada pelo papel social dela enquanto mulher.

Sancionada em outubro de 2024 pelo governo federal, a nova Lei do Feminicídio (14.994/2024) tornou o feminicídio crime autônomo aumentando a pena de reclusão. Antes, era tratado como qualificadora do homicídio, com penas de 12 a 30 anos de reclusão.

 

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