O Ministério da Saúde disse que abrirá licitação para instalar mil leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em todo país, para ampliar a assistência médica para possíveis pacientes. A informação, divulgada nesta quinta-feira (30), ocorre no mesmo dia em que a OMS declarou o surto de coronavírus como emergência global
“Abriremos licitação para mil leitos e, se for necessário, ampliaremos esse quantitativo e colocaremos em funcionamento em no máximo 30 dias”, disse o secretário executivo da pasta, João Gabbardo. A União custeará a instalação, assistência técnica e manutenção dos leitos.
Segundo Gabbardo, uma unidade de UTI custa de R$ 15 a R$ 20 mil por mês. O Planalto vai recriar ainda um grupo interministerial para emergência em saúde, que articulará ações. As reuniões serão feitas conforme a demanda.
Nos principais aeroportos do país, já é possível ouvir mensagens de alerta – em Português, Inglês e Mandarim – sobre o vírus. Com um minuto, falam de sintomas e medidas preventivas. Em alguns terminais, como Guarulhos, funcionários usam máscaras de proteção. No aeroporto de Salvador, foram instalados recipientes com álcool em gel. Mas, diferentemente de terminais da Europa e dos EUA, não serão usados scanners térmicos para detectar passageiros com febre. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) diz que esse aparelho tem baixa efetividade.
Suspeitas no Brasil
Na noite desta quinta, o Ministério da Saúde do Brasil informou que continua a monitorar nove casos de pacientes com suspeita de coronavírus no Brasil. Apesar de o número ser o mesmo do que já havia sido informado na quarta, casos relatados no dia anterior foram descartados, mas outros, incluídos. No Rio Grande do Sul, por exemplo, entraram dois casos.
Segundo a pasta, os casos estão distribuídos em Minas Gerais (1 caso suspeito), Rio de Janeiro (1), São Paulo (3), Rio Grande do Sul (2), Paraná (1) e Ceará (1). Ao todo, 43 casos foram notificados a autoridades de saúde do país, mas nem todas são tratados como suspeitos.
A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo informou, na noite desta quinta, que descartou o caso suspeito de coronavírus em uma criança de 4 anos da capital, mas passou a investigar uma nova possível infecção, de um morador da cidade de Paulínia, no interior do Estado.
OMS declara surto como emergência global
A Organização Mundial da Saúde declarou o surto de coronavírus como um caso de emergência global de saúde pública, em coletiva de imprensa concedida na tarde desta quinta-feira (30). Foi uma decisão “quase unânime”, nas palavras do presidente do comitê de emergência, Didier Houssin. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, confirmou casos de transmissão da doença por contato humano na Alemanha, no Japão, no Vietnã e nos Estados Unidos.
Para Houssin, a declaração de emergência de saúde pública deve facilitar o papel de liderança da OMS no combate ao coronavírus. Os líderes da entidade ressaltaram, na coletiva, que quase 99% dos casos reportados estão na China, e que o número de casos de coronavírus no restante do mundo tem sido “relativamente baixo”.
Ainda assim, Ghebreyesus afirmou que a declaração de emergência não é um voto de desconfiança na China, que estaria estabelecendo um novo padrão de resposta a surtos de doenças. “China deve ser parabenizada pelas medidas extraordinárias para conter coronavírus”, declarou. “O país asiático tem feito coisas incríveis para limitar transmissão a outros países”. Houssin completa: “China tem feito tremendo esforço contra coronavírus, com transparência”.
A OMS também descartou recomendações de restrições a comércio ou viagens, inclusive à China. Houssin destacou que a declaração dá a chance de questionar medidas como restrições de visto, vetos a viagens e quarentenas.
O número de casos de coronavírus no país subiu para 9.692 e o total de mortes aumentou para 213. Na atualização anterior, haviam 8.149 casos confirmados e 171 óbitos no país asiático.
Em comunicado, o órgão afirmou ainda que há 15.238 casos suspeitos na China e que 171 pessoas já foram curadas. O documento informou, também, que há 12 casos confirmados em Hong Kong, 7 em Macau e 9 em Taiwan.

