O dia seguinte à assinatura da Medida Provisória (MP) que proibiu o funcionamento das bets no Brasil registrou a criação de 1.689 novos sites de apostas ilegais. O número consta em um serviço de monitoramento mantido pelas empresas que estavam autorizadas a operar no país antes da nova medida.
Com os novos registros, a lista monitorada chegou a 17.651 sites de apostas que, segundo o levantamento, estariam funcionando de forma irregular. Ao anunciar a proibição das bets na sexta-feira (25), o Governo federal informou que mais de 70 mil sites de apostas já haviam sido retirados do ar em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A Medida Provisória foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, a nove dias do primeiro turno das Eleições 2026. A decisão encerrou a operação das empresas de apostas de quota fixa no país e determinou regras para a devolução dos valores mantidos pelos apostadores nas plataformas.
As empresas do setor recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de derrubar a medida.
Segundo o levantamento das empresas, entre 28 de agosto e 23 de setembro, o maior número de novos sites ilegais identificado em um único dia havia sido de 540, no dia 21. Na quinta-feira (24), véspera do anúncio da medida, foram detectados 2.317 novos endereços.
Sites usam nomes de marcas autorizadas
Entre as páginas clandestinas identificadas pelo monitoramento estão sites que utilizam nomes de marcas que até então tinham autorização do Ministério da Fazenda, como H2bet, Vaidebet e Novibet.
Enquanto os endereços legalizados utilizavam obrigatoriamente o domínio “.bet.br”, os sites irregulares aparecem com terminações como “.games”, “.site” e “.top”.
Um dos endereços que utiliza indevidamente o nome da H2bet exibe um selo com a informação de que seria “autorizado pelo Ministério da Fazenda” e afirma ser operado pela Ana Gaming Brasil S/A. A empresa, no entanto, é responsável por outras marcas do setor, como a 7K Bet.
Em nota, o diretor jurídico da Vaidebet, Daniel Sitônio, afirmou que qualquer uso do nome da empresa fora do domínio legal previamente autorizado “caracteriza puro oportunismo por parte de operadores irregulares, que viram na Medida Provisória um contexto favorável para trazer clientes para o mercado ilegal a partir do anúncio da proibição das plataformas de apostas no Brasil”.
“É necessário observar que, da maneira como foi anunciada a Medida Provisória e como é feito hoje o combate às plataformas ilegais no Brasil, os clientes não estão protegidos e estarão consumindo em plataformas sem a devida fiscalização e que não pagam impostos nem taxa de licença para operar no Brasil”, frisou.
A H2bet foi procurada, mas não havia se manifestado até a publicação da matéria original. Não foi localizado representante da Novibet.
Segundo o relatório de monitoramento, entre os cerca de 4 mil novos sites identificados de quinta-feira (24) a sábado (26), uma única marca de aposta ilegal aparecia associada a 238 links diferentes.
Os sites clandestinos operam fora dos mecanismos de fiscalização aplicados às plataformas legalizadas e podem não adotar controles de acesso, proteção ao consumidor e verificação da idade dos apostadores. Também não fazem o recolhimento de tributos exigido das empresas que operavam de forma regulamentada.
Influenciadores continuam divulgando sites ilegais
Mesmo após o anúncio da proibição, influenciadores com milhares de seguidores continuaram divulgando nas redes sociais links para plataformas apontadas como ilegais.
Uma influenciadora com mais de 200 mil seguidores publicou uma imagem ironizando a decisão do Governo federal.
“Lula está botando essas regras para casas brasileiras. Nós trabalhamos com casas chinesas, fiquem tranquilos. Nós iremos continuar normal”, dizia uma das publicações.
Para o presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio Lemos Jorge, o avanço das plataformas ilegais após a medida era esperado.
“Se o objetivo da medida era impedir a atuação das bets, o efeito concreto foi atingir as empresas legalizadas, que recolhiam impostos, estavam submetidas à fiscalização e eram obrigadas a adotar mecanismos de controle e proteção de públicos vulneráveis, como crianças e adolescentes”, disse.
Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe

