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Temer aproveita ‘onda do feijão’

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Brasília e São Paulo (AE) – O presidente em exercício, Michel Temer, usou ontem as redes sociais para anunciar que pretende incentivar a importação de feijão, o grande vilão da inflação no mês de maio, para reduzir os preços ao consumidor final. A medida veio após apelos de internautas que transformaram em piada no Twitter a questão do preço do feijão. A resposta de Temer veio na mesma hastag que virou trending topic (assunto do momento) esta semana.

Na prática, não existem barreiras para a compra do grão em países do Mercosul. De acordo com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, o que Governo quer na verdade é “quebrar o monopólio” de um pequeno grupo de importadores e permitir que redes de supermercados e atacadistas busquem o alimento fora do país. Normalmente, o comércio se abastece com produtores internos nas três safras do ano. Como normalmente não há estoque de feijão, os problemas climáticos prejudicaram muito a safra mais recente.

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“Pessoalmente tenho me envolvido nas negociações com os cerealistas, com os grandes supermercados, para que eles possam fugir do tradicional que se faz no Brasil, e ir diretamente à fonte onde tem esse produto e trazer. E, à medida que o produto vai chegando no Brasil, nós temos certeza que o preço cederá à medida em que o mercado for abastecido”, afirmou o ministro. O Governo estuda retirar tarifas impostas a países fora do Mercosul, como foi feito no caso do milho, mas esta é uma medida que demanda tempo, o que pode acabar levando a uma medida inócua, se coincidir com a oferta da próxima safra.

O Governo busca uma forma de tentar reduzir o preço para os consumidores, diante da alta de 41% no preço do feijão nos últimos 12 meses. A decisão de liberar a importação de feijão ajuda, mas não resolve a disparada dos preços do grão. “Essa era a única alternativa que restava ao Governo para reduzir a velocidade de valorização do preço do feijão carioquinha”, afirma o presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), Marcelo Eduardo Lüders. Ele explica que hoje o feijão vindo de países que não fazem parte do Mercosul é taxado em 10%. Com essa liberação do imposto, o produto importado poderia amenizar a alta de preço do grão nacional.

Ontem pela manhã, antes do anúncio de Temer em sua conta no Twitter, a hashtag #TemerBaixaOPreçoDoFeijão já estava entre os assuntos mais comentados da rede social. O presidente em exercício pegou carona na mesma hashtag para anunciar a medida – ou a intenção de elaborar uma medida. O elevado preço do feijão provocou piadas nas redes sociais. Usuários chegaram a brincar que para poder comprar um dos itens mais requisitados no prato dos brasileiros precisariam fazer um financiamento no programa “Meu feijão Minha Vida”.

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