A Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG) voltou a registrar, nesta quinta-feira (21), recorde no número de mortes registradas em Minas Gerais: 14 confirmações de óbitos pela doença foram notificadas à pasta estadual entre quarta e esta quinta. O número supera a quantidade de dez novos registros do boletim anterior, publicado na quarta, tornando-se o maior aumento em 24 horas no levantamento estadual.
Durante entrevista coletiva concedida no início da tarde desta quinta, o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, analisou a taxa de morte pela doença em Minas. Na avaliação do titular, o aumento verificado está dentro das projeções realizadas pela pasta estadual. “Nós temos observado um discreto aumento de casos confirmados e óbitos, mas que está dentro das nossas projeções. Ainda teremos um pico”, disse.
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“Em relação a esses óbitos, nós acompanhamos, desde o início da epidemia, por data de sua notificação. Na média, 3,6 óbitos por dia foram registrados desde o início da epidemia. Nos últimos dias, essa média foi para 4,5 óbitos, sempre levando em conta a data da constatação do óbito”, completou.
Boletim epidemiológico tem crescimentos recordes
Das 14 novas vítimas fatais elencadas no boletim epidemiológico desta quarta, três são da Zona da Mata mineira, sendo duas de Juiz de Fora, segunda cidade com mais mortes associadas à Covid-19 no estado. Trata-se de um homem de 79 anos e de uma mulher de 83, ambos com comorbidades prévias. Com isso, Juiz de Fora aparece com 23 vítimas segundo os dados do Governo de Minas.
Ainda na Zona da Mata, a cidade de Muriaé, distante 159 quilômetros de Juiz de Fora, teve a terceira vítima fatal confirmada. Trata-se de uma idosa de 64 anos, também com comorbidades associadas. Ituiutaba, Frutal, Andradas, Varginha, Teófilo Otoni (duas), Contagem (duas), Uberlândia, São Joaquim de Bicas e Belo Horizonte foram as outras cidades com vítimas fatais confirmadas nesta quinta.
Em todo estado, 191 óbitos pela doença foram receberam confirmações para o coronavírus até esta quinta.
Infectados
Minas Gerais também registrou recorde na quantidade de novos casos registrados em um dia: 310, frente a 309 no boletim anterior. Com os novos registros, até o momento, 5.596 mineiros já receberam diagnóstico positivo para a doença. Desses, 2.484 permanecem em acompanhamento e 2.921 estão curados, além das 191 vítimas fatais confirmadas até então.
Com 475 casos confirmados pela SES, Juiz de Fora é a cidade do interior com o maior número de pacientes com Covid-19, segundo a secretaria estadual.
‘Não há escassez de testes’
Durante a coletiva realizada na tarde desta quarta, também foram abordadas questões sobre a política de testes, uma vez que a ampliação de testagem no estado depende de aquisição de insumos necessários para a realização dos exames laboratoriais. De acordo com o subsecretário de Vigilância em Saúde Dario Brock Ramalho, tais insumos estão em contexto de disputa internacional. “A estrutura global foi sobrecarregada. Insumos que antes custavam R$ 0,33, agora são vendidos a R$ 5, outros chegam a R$ 55. Portanto, essa situação deve estar equacionada para que possamos ampliar os testes”, pontuou.
O subsecretário ressaltou ainda que se trata de momento raro, em termos históricos, e que a impossibilidade de ampliação de testes não é situação específica do estado ou do país. “A pandemia da Covid-19 é a maior dos últimos 100 anos, com único paralelo na gripe espanhola. Gera desafios sem precedentes para nossa geração, que vai desde como lidar com a epidemia, bem como resolver a questão dos insumos.
A sociedade mineira tem sido exemplar, a resposta tem sido muito boa. A despeito de uma certa incredulidade com relação ao bom desempenho, com questionamentos sobre os testes, não há escassez para o critério atual. O que não conseguimos alcançar ainda é a testagem ampla para pacientes leves, fatores que podem permitir a ampliação da testagem”.

