A atriz Regina Duarte terá um “período de testes” na Secretaria Especial de Cultura do governo Jair Bolsonaro. Em comunicado enviado pela assessoria do Palácio do Planalto, o Governo diz que ela estará em Brasília na quarta-feira para conhecer a secretaria, cujo cargo era de Roberto Alvim, demitido na sexta-feira passada.
“Após conversa produtiva com o presidente Jair Bolsonaro, Regina Duarte estará em Brasília na próxima quarta-feira (22) para conhecer a Secretaria Nacional de Cultura do governo federal. ‘Estamos noivando’, disse a artista após o encontro ocorrido nesta tarde no Rio de Janeiro”, informa comunicado da Secretaria de Comunicação da Presidência. Para assumir a pasta, a atriz terá de suspender seu contrato com a Rede Globo.
“A atriz Regina Duarte tem contrato vigente com a Globo e sabe que, se optar por assumir cargo público, deve pedir a suspensão de seu vínculo com a emissora, como impõe a nossa política interna de conhecimento de todos os colaboradores”, informou o departamento de Comunicação da Globo.
Após o anúncio, a classe artística se manifestou. Confira algumas declarações:
“Espero que a Regina veja a cultura do Brasil com os mesmos olhos que eu e tantas outras pessoas vemos a bela figura dela.” Gilberto Gil, cantor, compositor e ex-ministro da Cultura no governo Lula.
“Estou torcendo para que ela permaneça, convença o presidente da importância estratégica da arte, da cultura e da economia criativa para o desenvolvimento do país e realize um ótimo trabalho, com absoluto respeito à liberdade de expressão e de criação. Regina é bem intencionada e conhece a área. Mas vai precisar de respaldo interno e apoio externo para atingir seus objetivos”. Sérgio Sá Leitão, ex-ministro da Cultura no governo de Michel Temer
“Conheço-a há muito tempo. É ótima atriz e uma pessoa decente e sincera que às vezes toma decisões mais movida pela emoção do que por razão. Duvido que Bolsonaro lhe dê autonomia. Mas… vai que dá? No Brasil de hoje, até Poliana é pessimista. Mas Regina é inteligente e bem intencionada. Pode se redimir de ter votado em Bolsonaro”. Nelson Motta, jornalista e produtor
“Nesse cargo, ela tem que lidar com a diversidade e a liberdade de expressão. Mas Bolsonaro fala de fazer filtros, porque algumas artes, segundo ele, ofendem a família. Não acredito que ela vá mudar esse quadro de dirigismo cultural”. Ana de Hollanda, ex-ministra da Cultura no governo de Dilma Rousseff
“Eu vejo com bons olhos, até porque Regina já produziu peças de teatro, tem experiência com a prática, conhecimento de Lei Rouanet, leis de incentivo. E é doce, suave nas relações”. André Sturm, ex-secretário de Cultura de São Paulo e atual secretário do Audiovisual
“Quero ver como ela vai fazer sem o (autor) Dias Gomes para lhe escrever as falas”. Ruy Castro, escritor

