Um protesto pela greve geral provocou confusão na manhã desta sexta-feira (14), nas imediações do Terminal Rodoviário do Rio de Janeiro, na região central da capital fluminense. Manifestantes que bloqueavam o trânsito em um dos acessos da Avenida Brasil, uma das principais vias expressas da cidade, foram dispersados por policiais militares com bombas de efeito moral. Foram ouvidos pelo menos cinco estrondos, e houve correria. Não há informações sobre feridos.
O grupo, com cerca de 50 pessoas, protestava em frente ao Instituto Nacional de Traumatologia (Into), na zona portuária, causando lentidão no trânsito na saída da Ponte Rio-Niterói. Após o tumulto, os manifestantes foram para o terminal rodoviário, incluindo alunos de institutos federais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professores.
Segundo integrantes do protesto ouvidos pela reportagem, o grupo tinha acordado com a própria Polícia Militar que sairia do Into e faria uma caminhada em direção à rodoviária, ocupando apenas uma pista da avenida. No entanto, em determinado momento, os manifestantes foram surpreendidos pela chegada de agentes do Batalhão de Choque já soltando bombas de efeito moral.
O trânsito foi liberado no local.
Belo Horizonte
Funcionários da Refinaria Gabriel Passos em Betim, na Grande Belo Horizonte, fizeram manifestação na BR-381, nos dois sentidos da estrada, alternadamente, em frente à planta. Em Congonhas, região central do Estado, participantes do protesto ocuparam parte da BR-040, segundo informações da concessionária da via.
São Paulo
Inicialmente, os sindicatos dos funcionários do Metrô, da CPTM (trens metropolitanos) e ônibus anunciaram adesão total à paralisação. Mas decisões judiciais determinaram que os serviços deveriam continuar sendo oferecidos. Segundo a Secretaria de Transportes Metropolitanos (SMT), a Justiça determinou que o Metrô mantenha 100% do quadro de funcionários nos horários de pico e 80% no restante do dia e, na CPTM, 100% do quadro de servidores em todo o horário de operação.
A São Paulo Transportes (SPTrans, que cuida dos ônibus) também conseguiu uma decisão judicial que determina a manutenção do serviço. Em nota, afirmou que houve determinação para “que se mantenha o serviço, em especial nos horários de pico entre 5 horas e 9 horas e entre 17 horas e 20 horas, sob pena de multa de R$ 100 mil por dia, no caso de descumprimento”. A liminar, porém, não especifica a porcentagem da frota que deve funcionar nos horários de maior circulação.
Apesar disso, após assembleia no início da noite de ontem, os metroviários de São Paulo decidiram que vão paralisar as operações. “Vamos parar tudo. A partir da meia-noite, já não vamos trabalhar”, disse Wagner Fajardo, diretor do Sindicato dos Metroviários. A decisão foi tomada mesmo com liminar da Justiça proibindo a paralisação. “Ainda estamos no prazo para contestar na Justiça, mas consideramos que essa decisão não se aplica, porque é um protesto nacional, não só dos metroviários. Não é por uma reivindicação só da nossa causa, a Justiça não tem como mediar isso, estão tirando nosso direito de greve.”
As empresas ViaQuatro e ViaMobilidade, concessionárias responsáveis pela operação e manutenção das linhas 4-Amarela e 5-Lilás, respectivamente, porém, informaram em nota que suas operações para hoje permanecem inalteradas.
O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de São Paulo decidiu em assembleia no início da noite de ontem aderir somente no início da manhã à greve geral. Os ferroviários desistiram da paralisação.
A prefeitura de São Paulo chegou a anunciar, à tarde, que o rodízio de veículos seria cancelado hoje, mas depois voltou atrás na decisão.
Nas escolas, os sindicatos dos professores das redes de ensino municipal, estadual e particular decidiram aderir ao movimento. Ao menos 33 colégios particulares de São Paulo devem ter as atividades suspensas ou interrompidas parcialmente nesta sexta-feira. Segundo o Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP), entre os colégios que aprovaram a greve estão o Equipe, Oswald de Andrade, Notre Dame, Escola da Vila, São Domingos, Vera Cruz e Santa Cruz. Em alguns deles, as atividades só serão suspensas em um período ou para alguma etapa de ensino.
O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), porém, repudiou a paralisação dos professores da rede particular e destacou que apoia a reforma da Previdência “Não somos favoráveis à referida paralisação. Assim, orientamos a todas as escolas no Estado de São Paulo, que as atividades escolares transcorram normalmente no próximo dia 14, sem o abono às eventuais faltas ocorridas”, disse o sindicato em nota.
Na área de saúde, as secretarias municipal e estadual disseram que não haverá nenhuma alteração de funcionamento por causa da greve convocada para hoje.
RS
O dia começou com protestos e bloqueios em frente às garagens de ônibus de Porto Alegre e cidades da região metropolitana, Vale dos Sinos e região da Serra Gaúcha. Com o apoio das Centrais Sindicais, motoristas e cobradores da Viação Teresópolis Cavalhada situada na zona Sul da capital, bloquearam a garagem da empresa e impediram a saída dos coletivos.
O protesto ocorreu por volta das 5h desta manhã. Policiais Militares utilizaram bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes que revidaram jogando pedras.
Na ação, alguns PMs ficaram feridos e mais de 50 pessoas foram detidas devido aos transtornos causados. Já em frente à garagem da Carris no bairro Paternon, região leste da cidade, a situação foi similar. Grevistas que bloqueavam a saída dos ônibus foram alvejados com jatos de água por policiais militares.
Segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), as garagens das empresas Presidente Vargas e Gasômetro também ficaram bloqueadas. A obstrução ocorreu até as 6h30 desta manhã e agora as linhas de transporte coletivo estão operando normalmente em Porto Alegre, porém com atrasos. A expectativa da Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP) é que a situação se normalize ainda pelo turno da manhã.
Por volta das 6h45 desta manhã, na zona leste da capital gaúcha, manifestantes realizaram barricadas com queima de pneus na avenida Bento Gonçalves (sentido bairro-centro) prejudicando o transito no local.
Na Serra Gaúcha, em Caxias do Sul, professores ligados ao CPERS/Sindicato realizaram piquetes desde as primeiras horas desta sexta-feira, em frente às garagens de ônibus em apoio à greve. O grupo é contra a reforma da Previdência e cortes na Educação.
A Trensurb, que interliga seis municípios entre a capital gaúcha e Vale dos Sinos amanheceu com os portões fechados nesta sexta, prejudicando o deslocamento de milhares de passageiros que dependem exclusivamente deste modal de transporte.
Em Sapucaia do Sul, no Vale dos Sinos, seis pessoas foram detidas por policiais militares acusadas de atear fogo nos trilhos do trem. Segundo a polícia, os detidos (3 homens e 3 mulheres) são servidores da Trensurb. Por volta das 7h45, as estações da Trensurb foram abertas para atender aos passageiros e não ha cobrança de tarifa até o momento. No entanto, 15 dos 40 trens que integram a empresa estão em operação em horário reduzido.
