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Bolsonaro afirma que Mandetta não tem ‘humildade’

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Jair Bolsonaro ao lado do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (Foto: Carolina Antunes/PR)

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O presidente Jair Bolsonaro disse na noite desta quinta-feira que falta “humildade” ao ministro a Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Segundo Bolsonaro, Mandetta deveria ouvi-lo mais sobre as decisões no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. Apesar das divergências, o presidente afirmou que não pretende demitir o ministro “no meio da guerra”.

“O Mandetta já sabe que a gente está se bicando há algum tempo. Eu não pretendo demitir o ministro no meio da guerra. Agora, ele é uma pessoa que em algum momento extrapolou. Eu sempre respeitei todos os ministros, o Mandetta também. Ele montou o ministério de acordo com sua vontade. Eu espero que ele dê conta do recado”, disse Bolsonaro em entrevista à rádio Jovem Pan.

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Questionado pela reportagem sobre as declarações de Bolsonaro, Mandetta respondeu: “Eu só trabalho, lavoro, lavoro”.

O presidente declarou ainda que não se trata de uma ameaça a Mandetta, que diverge de Bolsonaro no enfrentamento à pandemia, mas afirmou que não existe ninguém “indemissível”. “Não é nenhuma ameaça ao Mandetta, não. Se ele sair bem, nenhum problema, mas nenhum ministro meu é indemissível. Todo mundo pode ser demitido, como cinco já foram embora. Eu acho que o Mandetta deveria ouvir um pouco mais o presidente da República ”

Bolsonaro disse também que tem atuado para equilibrar as decisões do Ministério da Saúde e do Ministério da Economia. “Não tem nenhum problema com o Paulo Guedes, mas o Mandetta quer fazer valer muito a vontade dele. Pode ser que ele esteja certo, mas está faltando um pouco de humildade para conduzir o Brasil nesse momento difícil, e precisamos dele para vencer essa batalha com o menor número de mortos possível.”

Governadores

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Isolado politicamente na defesa do fim da quarentena no País, Bolsonaro recebeu ontem apoio do presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, nas críticas que tem feito a governadores pelo fechamento do comércio e de empresas, ações apoiadas pelo Ministério da Saúde para evitar a propagação do coronavírus. O presidente vinha sendo voz solitária no governo na narrativa de que é preciso flexibilizar a restrição de circulação das pessoas para mitigar efeitos na economia.

Bolsonaro até havia ensaiado um recuo em seu discurso, mas retomou o tom de ataques ontem. “Eles (governadores) acabaram com o comércio. O (governador de São Paulo, João) Doria acabou com o comércio na estrada. Não conversou comigo para fazer aquela loucura. Quando o corpo está doente, você dá o remédio. Agora, se dá três, quatro doses do remédio, vira veneno”, afirmou o presidente a apoiadores na entrada do Alvorada.

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Antes disso, Bolsonaro já havia publicado em suas redes sociais o apelo de uma apoiadora pela reabertura do comércio no País. “Pode ter certeza que a senhora fala por milhões de pessoas”, respondeu o presidente à mulher, que o aguardava em frente ao Alvorada.

O vídeo foi compartilhado por Novaes, via WhatsApp, com a mensagem: “Caiam na real”. Questionado pelo jornal O Estado de S Paulo sobre a publicação, o presidente do BB disse que “governadores e prefeitos impedem a atividade econômica e oferecem esmolas, com o dinheiro alheio, em troca”. “Esmolas atenuam o problema, mas não o resolvem. E pessoas querem viver de seu esforço próprio”, disse. Segundo Novaes, depois que se monta um “grande Estado assistencialista”, é difícil desmontá-lo “Não podemos deixar que esta crise médica destrua as bases da sociedade.” As informações são do jornal O Estado de S. Paul.

Mandetta ganha apoio de mulher de Moro e nas redes

A advogada Rosângela Wolff Moro, mulher do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, manifestou na noite desta quinta-feira (2) apoio ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, nas redes sociais. Em paralelo, uma campanha em defesa do titular da Saúde subiu ao topo das menções no Twitter com a hashtag #somostodosMandetta, apoiada por diversos políticos.
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A advogada rendeu a homenagem a Mandetta minutos depois de o presidente Jair Bolsonaro dizer que o ministro “extrapolou” e precisa de “humildade” e que não o demitiu porque está no “meio de uma guerra”.

Rosângela Moro adaptou uma frase que já vinha sendo usada pela militância lavajatista em defesa de Moro: “In Mandetta I trust (“Em Mandetta eu confio”, em inglês)”, escreveu ela. Os apoiadores da Operação Lava Jato, que tinha à frente das ações penais o ex-juiz Sérgio Moro, adaptaram a frase “In God we trust” ao ministro. A estampa “In Moro we trust” ganhou cartazes e camisetas em manifestações pelo País.

A advogada postou uma foto de Mandetta em seu perfil no Instagram e escreveu: “Entre a ciência e achismos, eu fico com a ciência. Se você chega doente em um médico, se tem uma doença rara, você não quer ouvir um técnico? Mandetta tem sido o médico de todos nós e minhas saudações são para ele.”

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O presidente também anda insatisfeito com a postura de Moro durante a pandemia e já reclamou do ministro da Justiça a interlocutores. Moro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, os mais populares do governo, endossaram as medidas de isolamento social que o presidente deseja reverter, contrariamente ao que prega o Ministério da Saúde.

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