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Especialista da UFJF repercute ataque que matou líder militar iraniano

general do irã by presidência do irã fotos públicas
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O bombardeio no Iraque que matou o comandante das Forças Quds – unidade especial da Guarda Revolucionária do Irã -, o general Qassem Soleimani, autorizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está repercutindo no Brasil. Nas redes sociais, a preocupação é que haja novos conflitos, entre outros pontos que possam vir a impactar no país, como a escalada do valor do petróleo horas após o ocorrido. Além de Soleimani, foi morto também o iraquiano Abu Mahdi al-Muhandis, alto comandante de uma milícia apoiada pelo Irã conhecida. Eles estavam em um comboio que seguia para o Aeroporto Internacional de Bagdá quando foram atingidos.

Em entrevista à rádio CBN Juiz de Fora (91,3 FM), na manhã desta sexta-feira (3), a bacharel em Direito e mestranda pela UFJF, Andressa Soares, que é especialista em estudos diplomáticos pelo Centro de Estudos em Direito e Negócios, analisou as possíveis consequências do ataque.

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A tensão entre os Estados Unidos e o Irã já segue há um tempo, devido à uma disputa pelo território do Iraque, de acordo com Andressa. “Desde a invasão de 2003, com a retirada dos Estados Unidos em 2011, foi criado um vácuo no Iraque. Com a falta de estratégia dos Estados Unidos para reerguê-lo depois de Saddam Hussein, o Irã assumiu com muita força ali no local”, explica. “Esse ataque ter acontecido ali foi muito simbólico porque é um território que, hoje, enfrenta disputa da influência entre o Irã e os Estados Unidos.”

Após o bombardeio, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, alertou que uma “retaliação severa está aguardando” Washington. Para a especialista, além da tensão entre os Estados Unidos e Irã, o ataque ao general Qassem Soleimani “surpreende” devido sua influência na região. “Ele era o segundo homem do Irã, só estava abaixo do aiatolá”, aponta Andressa. “Trump estava tendo uma política externa de retirada do Oriente Médio, então essa questão do ataque a essa figura realmente afunda os Estados Unidos no atoleiro daquela região e é muito preocupante para estabilidade do Oriente Médio. E, de certa forma, mundial também, porque, a princípio, o que a gente espera é que vai haver uma retaliação. Acho muito improvável que não exista.”

Cenário geopolítico

A repercussão nas redes sociais pode contar, também, como uma influência no cenário geopolítico, segundo a especialista em estudos diplomáticos. Na noite de quinta-feira (2), por exemplo, Donald Trump postou no Twitter uma imagem da bandeira dos Estados Unidos.

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“Desde a Primavera Árabe, que foi toda organizada via rede social, nós não podemos negligenciar esse tipo de reação”, diz. “Por exemplo, quando o aiatolá fala que isso dobra a tensão com os Estados Unidos, ele está falando para os seguidores religiosos dele, e isso se espalha de uma forma também pelas redes sociais. Essa movimentação no Twitter incentiva a tensão e, de certa forma, nós podemos esperar também o que chamamos de uma ‘guerra por procuração’, que são aliados do Irã ao longo do mundo realizando ataques. E isso pode ser organizado por redes sociais”.

Preço do petróleo

Horas após o ataque no Iraque, o preço do barril de petróleo chegou a subir quase 3 dólares, de acordo com Andressa Soares. O alerta econômico parte por conta do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo proveniente dos países árabes, atualmente controlado pelo Irã. “O Irã também é a quarta maior reserva de petróleo do mundo, e você tem a Arábia Saudita do outro lado, que é aliada histórica dos Estados Unidos e contra o Irã na região. Por exemplo, o Irã pode escolher retaliar em Israel ou na Arábia Saudita, não necessariamente atingir um alvo americano, a princípio. Então isso pode também causar uma escalada no preço do petróleo, que impacta, sem dúvidas, o Brasil.”

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Devido às consequências “catastróficas” da crise do petróleo em 1973, e em seguida, em 1979, muitos países não têm interesse em conflitos na região e já estariam reunindo esforços diplomáticos para tentar minimizar as reações oriundas do ataque, segundo Andressa. “Qualquer retaliação do Irã vai ter também outra retaliação dos Estados Unidos, e aí vai ficar nesse conflito eterno. Assim, a ideia agora é minimizar ao máximo essa reação para que isso não desencadeie instabilidade tão grande ao ponto de impactar o preço do petróleo e ter um choque que possa mexer na economia de vários países.”

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