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Lula diz que derrubada do IOF foi ‘absurda’

Datafolha: aprovação de Lula segue em 29%, e reprovação se mantém em 40% após tarifaço

(Foto: Marcello Casal Júnior / Agência Brasil)

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Um dia após o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, negar tensão entre o governo e o Legislativo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou em entrevista que a derrubada do IOF pelo Congresso Nacional foi “absurda”.

Em entrevista à TV Bahia, nesta quarta-feira (2), ele declarou que os interesses de poucos grupos econômicos prevalecem no Congresso Nacional, em detrimento do conjunto da população brasileira e defendeu a decisão do governo de recorrer à Justiça contra a derrubada do decreto que aumentou alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

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“Se eu não entrar com um recurso no Poder Judiciário, se eu não for à Suprema Corte, ou seja, eu não governo mais o país, esse é o problema. Cada macaco no seu galho. Ele [Congresso] legisla, e eu governo.”

“Nós não estamos propondo aumento de imposto, nós estamos fazendo um ajuste tributário nesse país para que os mais ricos paguem um pouco para que a gente não precise cortar dinheiro da educação e da saúde. Houve uma pressão das bets, das fintechs, eu não sei se houve pressão do sistema financeiro. O dado concreto é que os interesses de poucos prevaleceram dentro da Câmara e do Senado, o que eu acho um absurdo”, acrescentou.

Lula afirmou que, ao pautar a derrubada do decreto do IOF, o presidente da Câmara, Hugo Motta, descumpriu um acordo que havia sido feito com o Executivo sobre medidas compensatórias. A decisão foi anunciada por Motta horas antes da votação em postagem nas redes sociais, na semana passada.

Para o presidente Lula, a decisão foi absurda, mas, ainda assim, ele afirma que não há rivalidade com o Congresso. “O presidente da República não rompe com o Congresso, o presidente da República reconhece o papel que o Congresso tem. Eles têm os seus direitos, eu tenho os meus direitos. Nem eu me meto no direito deles nem eles se metem no meu direito. E, quando os dois não se entenderem, a Justiça resolve”, disse.

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“O presidente da República tem que governar o país e decreto é uma coisa do presidente da República. Você pode ter um decreto legislativo quando você tem alguma coisa que fira muito a Constituição, o que não é o caso. O governo brasileiro tem o direito de propor IOF, sim”, defendeu na entrevista.

Lula está em Salvador, onde cumpre agenda de celebração da Independência do Brasil na Bahia. De lá, ainda hoje, ele viajará a Buenos Aires, para participar da Cúpula do Mercosul, que ocorre nesta quinta-feira (3). Na sequência, o presidente segue para o Rio de Janeiro, onde preside a Cúpula do Brics.

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“Quando eu voltar, eu, tranquilamente, vou conversar com o Hugo, com o [presidente do Senado] Davi Alcolumbre e vamos voltar à normalidade política nesse país”, destacou.

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