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EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

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(Foto: Daniel Torok/White House)

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O Governo dos Estados Unidos anunciou nessa segunda-feira (1º) a conclusão de uma investigação comercial contra o Brasil e propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano. A medida ainda passará por consulta pública, mas amplia a pressão nas negociações entre os dois países e pode afetar diversos setores da economia nacional.

A decisão foi tomada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado pelo Governo americano para investigar práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA.

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Segundo o órgão, uma série de políticas e ações adotadas pelo Brasil seriam “irrazoáveis” e estariam impondo restrições ou custos indevidos a empresas americanas. A investigação foi aberta em julho de 2025 por determinação do presidente dos EUA, Donald Trump.

Apesar da proposta de tarifa geral de 25%, o documento prevê uma extensa lista de exceções. Entre os produtos que ficariam de fora da cobrança estão algumas categorias de carnes, frutas, café, chá, especiarias, cereais, sementes, fertilizantes, produtos farmacêuticos, químicos orgânicos, terras raras e aeronaves produzidas no Brasil, além de peças do setor aeronáutico.

Críticas ao Brasil

No relatório final, o Governo americano aponta seis áreas principais de preocupação. Uma delas envolve o ambiente digital.

Os EUA afirmam que decisões judiciais brasileiras determinaram a remoção de conteúdos políticos e a suspensão de perfis em plataformas americanas, incluindo usuários localizados nos Estados Unidos. O documento também questiona a atuação do Banco Central em relação ao Pix, alegando que o sistema teria recebido tratamento favorável em comparação com concorrentes privados estrangeiros.

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Outro ponto citado é a política comercial brasileira. Os americanos argumentam que acordos tarifários mantidos pelo Brasil com países como México e Índia criariam vantagens competitivas consideradas injustas para exportadores dos EUA.

A investigação também menciona o combate ao desmatamento ilegal, afirmando que, embora o Brasil possua legislação específica, a aplicação das normas seria insuficiente para conter o problema.

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O acesso ao mercado de etanol é outro tema de divergência. Segundo o USTR, o Brasil teria deixado de oferecer condições equivalentes às exportações americanas do combustível desde 2017.

Por fim, os EUA criticam as políticas de combate à corrupção no país. O documento menciona decisões relacionadas à Operação Lava Jato, renegociações de acordos de leniência e indicadores internacionais de percepção da corrupção.

Negociações continuam

O anúncio ocorre enquanto Brasil e Estados Unidos mantêm um grupo de trabalho criado para tentar solucionar impasses comerciais e evitar novas sanções. As conversas ganharam intensidade nas últimas semanas, mas, segundo o representante comercial americano, Jamieson Greer, ainda existem divergências significativas entre os dois governos.

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O prazo legal para que Washington decida pela adoção definitiva das medidas expira em 15 de julho de 2026. Até lá, a proposta será submetida a consulta pública e continuará sendo discutida nas negociações bilaterais.

Especialistas avaliam

Para o economista Gustavo Andrade, o cenário remete ao episódio de 2025, quando Donald Trump também anunciou medidas tarifárias contra o Brasil. No entanto, ele destaca que a nova proposta é menos abrangente e deixa de fora diversos produtos estratégicos da pauta exportadora brasileira. “O manchete é forte, mas a realidade é diferente da observada no ano passado”, avalia.

Segundo Andrade, a exclusão de produtos como café, algumas categorias de carnes, frutas, fertilizantes e aeronaves reduz significativamente o potencial de impacto da medida. Além disso, empresas brasileiras tiveram um ano para buscar alternativas, diversificar mercados e diminuir a dependência das exportações para os Estados Unidos.

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O economista também observa que o mercado financeiro ainda demonstra cautela diante do anúncio. Como exemplo, cita o comportamento praticamente estável do EWZ, fundo negociado na bolsa americana que acompanha ações brasileiras.

Commodities reduzem risco para a economia brasileira

O economista Izak Carlos compartilha avaliação semelhante e ressalta que os efeitos de políticas tarifárias já são amplamente conhecidos tanto pela teoria econômica quanto pela experiência recente.

Segundo ele, tarifas tendem a encarecer importações, redistribuir renda entre setores e reduzir parte da eficiência econômica, mas o impacto depende diretamente dos produtos atingidos.

No caso brasileiro, Izak destaca que uma parcela significativa das exportações para os Estados Unidos é composta por commodities, como minério de ferro, petróleo, soja, celulose e café.

“Commodities tendem a não ser alvos prioritários das tarifas porque isso geraria efeitos inflacionários para o próprio consumidor americano”, afirma.

Na avaliação do economista, esse fator ajuda a explicar por que o Brasil está relativamente bem posicionado para absorver os efeitos da medida.

Setores específicos podem sentir pressão

Apesar da avaliação moderada, ambos os especialistas reconhecem que alguns segmentos podem ser afetados.

Empresas com maior exposição ao mercado americano devem sentir os efeitos das tarifas de forma mais intensa. No entanto, Izak lembra que existem instrumentos de apoio já disponíveis.

Segundo ele, linhas de crédito oferecidas por bancos públicos e instituições de fomento podem ser acionadas para atender setores que enfrentarem dificuldades decorrentes da medida.

Debate deve permanecer no campo econômico

Izak Carlos também defende que a discussão sobre as tarifas seja tratada exclusivamente sob a ótica econômica e comercial. Segundo ele, a possibilidade de novas barreiras já vinha sendo sinalizada pelo Governo americano desde que medidas anteriores enfrentaram questionamentos judiciais nos Estados Unidos.

Enquanto o Governo brasileiro acompanha as negociações com Washington, a avaliação dos especialistas é que a medida se soma aos desafios econômicos já existentes, mas, ao menos por enquanto, não representa um choque com potencial de alterar significativamente as perspectivas da economia brasileira.

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