No primeiro dia da nova Legislatura, os eleitos para o Congresso nas Eleições 2018 tomaram posse nesta sexta-feira (1º), em Brasília. Após assumirem os cargos, os parlamentares começaram a eleger os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado. O Governo foi dividido para a eleição no Congresso. A escolha dos novos presidentes das casas revelou mais um capítulo das divergências entre a equipe econômica e a Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro. Entre militares, empresários, mulheres, apoiadores e opositores do governo, 513 deputados tomam posse hoje. Já no Senado, um número recorde de partidos conseguiu eleger um representante na casa.
Na Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi reeleito presidente da Casa em primeiro turno com 334 votos. Outros seis deputados concorreram: Fábio Ramalho (MDB-MG), 1º vice-presidente na legislatura passada; JHC (PSB-AL), que ocupou a 3ª secretaria da Mesa Diretora na legislatura que se encerrou; General Peternelli (PSL-SP); Ricardo Barros (PP-PR); Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e Marcel van Hattem (Novo-RS) disputaram os votos dos deputados empossados (1º).
Além da presidência, estão em disputa a primeira e segunda vice-presidência das Casas, quatro secretarias e as respectivas quatro suplências. A abertura das urnas da votação secreta foi autorizada por volta das 20h.
Confusão no Senado
Por 50 votos a dois, o Plenário do Senado aprovou realizar com voto aberto para escolha do presidente da Casa. A votação foi realizada em meio às discussões sobre a legitimidade do presidente em exercício, Davi Alcolumbre (DEM-AP), de deliberar sobre questões de ordem durante sessão preparatória para a eleição interna.
Após o resultado ser anunciado, senadores contrários a Davi se revoltaram. A senadora Kátia Abreu (PDT-TO), por exemplo, subiu à Mesa da Casa e retirou uma pasta com todas as questões de ordem apresentadas até então. “O que é isso, você ficou maluco?”, questionou a pedetista. “Entregue a cadeira (de presidente) ao mais velho. Isso vai parar no Supremo, a sessão vai ser cancelada”, complementou a senadora. A atitude gerou apoios do senador Renan Calheiros (MDB-AL): “tira ele daí, Kátia”, pediu Renan.
O bate-boca gerado pela aprovação do voto aberto para a eleição da Presidência do Senado provocou pedidos de adiamento da sessão. Com a insistência da senadora Katia Abreu (PDT-TO) em não devolver uma pasta com questões de ordem para o presidente em exercício, Davi Alcolumbre (DEM-AP), senadores passaram a solicitar que o democrata adie o pleito para a próxima segunda (4).
Os pedidos de suspensão partiram, principalmente, dos senadores Omar Aziz (PSD-AM), Jayme Campos (DEM-MT) e Jorge Kajuru (PSB-GO).
“Já estou velho para isso aqui. Que vexame isso que está acontecendo. Peço desculpas aos meus filhos, aos meus netos, pelo que está acontecendo aqui. O senhor é do meu partido, mas eu não concordo com o que está acontecendo aqui e vou me retirar se isso continuar”, afirmou Jayme. Já Jorge Kajuru (PSB-GO) disse que o Plenário se comparava não a um hospício, mas “àquele lugar que tem em todos as cidades do interior”, referindo-se de forma indireta a um prostíbulo. Até o fechamento desta edição, a votação ainda não havia sido concluída.

