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Dia do coração: Como prevenir e lidar com o infarto

Cardiologista Neif Musse lança livro de crônicas sobre o mal. Juiz de Fora recebe campanha nacional sobre doenças cardiovasculares

Por Bárbara Riolino

23/09/2018 às 07h00

Cardiologista Neif Musse lança livro de crônicas sobre o mal. Juiz de Fora recebe campanha nacional sobre doenças cardiovasculares (Foto: Felipe Couri)

Entre as principais causas de morte no mundo, estão as doenças cardiovasculares. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), estima-se que, em 2015, mais de 17 milhões de pessoas tenham morrido em decorrência delas, o que representa 31% de todas as mortes em nível global. Alertar para as doenças que atingem o coração, tanto motivadas por outros problemas como hipertensão e diabetes, quanto pela não adoção de hábitos saudáveis, é o objetivo do Setembro Vermelho, considerado o mês do coração. Até o final da semana, Juiz de Fora recebe ações que destacam a saúde do coração e promovem atividades da campanha nacional “Seu coração no ritmo certo” e o lançamento do livro “Estou infartando. E agora?”, escrito pelo médico cardiologista Neif Musse.

Em quase 35 anos de profissão, Neif já cuidou de diversos casos de infarto e escolheu contá-los por meio de crônicas. Todas as histórias são verídicas e têm como intuito alertar as pessoas sobre como se comportar diante de um caso de infarto agudo do miocárdio. “O infarto é o tipo de patologia que pode acontecer de uma hora para outra e é uma corrida contra o tempo. O objetivo é mostrar quais os sintomas e como proceder. No hospital, como é o atendimento, os exames, a internação, a alta. O infarto é um verdadeiro tsunami na vida de uma pessoa. Depois que o paciente vai para a casa, ele pode desencadear sentimentos como luto, tristeza e revolta, devido às limitações”, explica Neif.

Ter acesso a este tipo de informação por meio de linguagem informal, bem distante de textos médicos, para o cardiologista, é um meio de preparar todos para este momento, principalmente quando se convive com os fatores de risco e sentimentos que podem provocar um ataque cardíaco, como tensão, ansiedade e estresse. “Vivemos um momento no Brasil de intensa discussão. As pessoas estão muito apavoradas, aborrecidas, e isso pode levar a um infarto. Outro ponto é a alimentação. Estamos comendo muito, engordando, e não estamos nos exercitando. A obesidade é um processo inflamatório que atinge as artérias e pode gerar um infarto. Outros fatores associados são o tabagismo, uso de bebida alcoólica, diabetes e pressão alta.”

O médico alerta para o aumento de casos de infarto em mulheres. “Já suplanta o dos homens. No passado, o infarto era algo exclusivo do público masculino. O que vemos hoje é que a emancipação e o empoderamento da mulher, muito bem-vistos por sinal, também trouxeram alguns reflexos, como a sobrecarga de trabalho. Hoje, além de cuidarem da casa e da família, elas trabalham, e muito. Isso gera ansiedade e falta de tempo para se alimentarem melhor e se exercitarem”, comenta.

Neif nasceu em Muriaé, mas veio para Juiz de Fora aos 15 anos. Aqui formou-se em medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora e, depois, no Rio de Janeiro, tornou-se mestre pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Além da cardiologia, é especialista em gerontologia e divide-se entre as duas cidades, atuando tanto na clínica médica quanto na docência. Antes do “Estou enfartando. E agora?”, Neif publicou, em 2014, o livro “Casco vazio de ser humano – Crônicas sobre a morte”. Ele também está na produção de um terceiro livro, “O pacto do futuro médico”. O “plantão de autógrafos” para o lançamento de “Estou enfartando. E agora?” em Juiz de Fora acontece no próximo sábado (29), quando comemora-se o Dia Mundial do Coração, em seu centro de estudos, que fica na Rua Halfeld 525, salas 401/403/405, no Centro.

Olhar atento aos batimentos cardíacos

A campanha nacional “Seu coração no ritmo certo”, organizada pela Associação Brasileira de Arritmia, Eletrofisiologia e Estimulação Cardíaca Artificial/Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial (ABEC/DECA), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, chega a Juiz de Fora nesta semana e promove atividades nos dias 24 e 25. Elas acontecem na Santa Casa de Misericórdia e no Hospital Universitário (ver quadro). O objetivo é orientar a população sobre a contagem dos batimentos cardíacos, que pode salvar vidas.

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A pulsação pode ser sentida ao colocar as pontas dos dedos abaixo do pulso e acompanhá-la no relógio. O número de batimentos cardíacos considerado normal está entre 50 e 100 por minuto, ou um batimento por segundo. Abaixo disso ou se a pessoa apresentar sintomas como tonturas, escurecimento visual, desmaios, cansaço ou estiver frequentemente ofegante, a indicação é procurar um cardiologista para buscar um diagnóstico para o quadro de arritmia cardíaca.

Dependendo, se for um caso grave, pode ser necessário um implante de marcapasso. Por meio de cartilhas que serão distribuídas nas ações, a ABEC/DECA explica sobre os dispositivos eletrônicos implantáveis cardíacos, suas indicações, cuidados pré e pós-operatórios, limitações para prática de esportes e possibilidades de interferências. As arritmias cardíacas são caracterizadas por batimentos lentificados, acelerados ou falhas nos batimentos cardíacos, enquanto a insuficiência cardíaca é a deficiência do coração em bombear o sangue, causando muitos sintomas, como falta de ar, cansaço, inchaços, podendo levar a internações hospitalares e aumento da mortalidade.

 

 

 

 

 

 

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