A cardiomiopatia hipertrófica voltou ao centro das discussões sobre saúde cardiovascular após a repercussão da morte de um fisiculturista associada à condição. Considerada uma doença cardíaca potencialmente grave e muitas vezes silenciosa, ela pode provocar arritmias malignas e até morte súbita — inclusive em jovens e atletas aparentemente saudáveis. O tema foi abordado em entrevista ao programa Tribuna no Ar pela cardiologista Dra. Luciana Vidal, diretora científica da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas.
Segundo a especialista, a cardiomiopatia hipertrófica é uma condição genética caracterizada pelo aumento anormal da espessura do músculo cardíaco, especialmente na parede do ventrículo esquerdo. Esse espessamento pode dificultar a passagem do sangue e alterar a atividade elétrica do coração, aumentando significativamente o risco de arritmias graves.
O que é cardiomiopatia hipertrófica
A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença que provoca crescimento exagerado do músculo cardíaco. Em muitos casos, o paciente convive com a condição sem apresentar sintomas aparentes, o que torna o diagnóstico ainda mais desafiador. Segundo especialistas, o maior perigo está justamente no fato de a doença poder se manifestar pela primeira vez através de uma parada cardíaca súbita. “O risco existe principalmente em jovens e atletas que aparentemente estão saudáveis e submetem o coração a esforço intenso”, explicou Dra. Luciana Vidal.
Apesar de frequentemente silenciosa, alguns sinais podem indicar a presença da doença e precisam ser valorizados, principalmente durante a prática de exercícios físicos.
Os principais sintomas incluem falta de ar em atividades físicas, dor no peito, palpitações, tontura, desmaios e sensação de cansaço excessivo. A recomendação médica é procurar avaliação cardiológica sempre que esses sintomas surgirem, especialmente em pessoas com histórico familiar de morte súbita precoce.
Segundo a especialista, a cardiomiopatia hipertrófica possui forte componente genético. Por isso, casos de morte súbita em familiares jovens devem ser considerados um importante sinal de alerta durante consultas médicas e exames preventivos. O rastreamento familiar pode ajudar no diagnóstico precoce e reduzir o risco de complicações graves.
Uso de anabolizantes aumenta risco cardíaco
Outro ponto destacado durante a entrevista envolve o uso de anabolizantes e estimulantes sem orientação médica. De acordo com Dra. Luciana Vidal, essas substâncias podem agravar significativamente o quadro, aumentando ainda mais a hipertrofia do músculo cardíaco e desorganizando a atividade elétrica do coração. O risco é ainda maior em pessoas que já possuem predisposição genética para doenças cardiovasculares. Especialistas alertam que o uso indiscriminado dessas substâncias pode acelerar complicações graves e aumentar a chance de morte súbita durante atividades físicas intensas.
A prática de atividade física continua sendo importante para a saúde cardiovascular, mas especialistas reforçam que exercícios intensos devem ser realizados com acompanhamento adequado. Respeitar os limites do corpo, manter hidratação adequada e realizar check-ups periódicos são medidas simples que ajudam a reduzir riscos durante os treinos. Além disso, qualquer sintoma incomum durante esforço físico deve ser investigado imediatamente.
Embora a cardiomiopatia hipertrófica seja uma condição séria, o diagnóstico precoce pode reduzir significativamente o risco de complicações. Especialistas reforçam a importância da prevenção, do acompanhamento médico regular e da atenção aos sinais do corpo — especialmente entre jovens atletas e praticantes de musculação intensa.
